As frutas, legumes e flores têm forte potencial de exportação. Estão bem-adaptadas às condições dos solos e climas do país, o que significa que se obtém grande qualidade nas suas produções.
A relação qualidade preço é interessante para os 63 mercados de destino destas exportações no ano de 2024. Os produtores nacionais desta fileira detêm um enorme saber fazer, capacidade de gestão, competências em inovação e digitalização, decorrentes de constante melhoria de organização nas explorações, investimento, tecnologia aplicada.
Isto traduz-se em constantes aumentos de produtividade, produções e qualidade, ano após ano, recorde após recorde, sobretudo nas exportações. A qualidade do produto “Portugal” tem valor e procura nos mercados internacionais.
Em 2024, segundo o INE, as exportações portuguesas de frutas, legumes e flores atingiram o valor de 2,5 mil milhões de euros, um recorde absoluto, um valor previsto para ser atingido apenas em 2030, pela associação Portugal Fresh, entidade responsável pela promoção destas produções nos mercados internacionais), que representa um aumento de 7,5%, sendo que em volume, foram +2,4%, em comparação com 2023.
Os destinos destas exportações foram os seguintes: 37,6% para Espanha; 13% para a França; 9% para os Países Baixos; 7,9% para a Alemanha; 6,8% para Reino Unido. Ou seja, 74,3% concentrados em cinco países europeus, dos quais quatro membros da UE. Os restantes 25,7% estão dispersos por 58 diferentes mercados.
O presidente do “Portugal Fresh”, Gonçalo Santos Andrade, defende que “Portugal tem um enorme potencial de crescimento” e a evolução das exportações de frutas, legumes e flores podia ser maior, “se o investimento das empresas fosse acompanhado por uma aposta forte do Governo na gestão dos nossos recursos hídricos”.
O regadio é determinante nas produções e resultados das frutas, legumes e flores, mas é preciso ir mais longe e exigir a elaboração da Estratégia Nacional da Promoção das Produções das Frutas, Legumes & Flores, tal como foi feito com a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, (Resolução do Conselho de Ministros n.º 101/2018, de 26 de julho), cujo “upgrade” será anunciado dentro de dias com o documento estratégico “+Cereais”.
O défice da balança agroalimentar tem-se agravado, ano após ano, e já ultrapassa os – 5 000 M€. Mais de 20% dos portugueses têm rendimentos no limiar da pobreza. Deveria ser objetivo prioritário da política nacional a diminuição deste défice.
As políticas públicas terão de promover o aumento das produções agroalimentares rumo à diminuição das importações. A fileira das frutas, legumes e flores tem enorme potencial de geração de valor acrescentado e deve ser considerada prioritária na agenda política e governativa.