Segundo o dicionário online, Influencer é mais bem definido como uma “Pessoa que influencia ou tem alguma espécie de influência sobre um grupo de pessoas”. Este tipo de pessoas surgiu como fenómenos das redes sociais mas tornaram-se algo maior, mais influente e muito mais perigoso, são os novos ídolos de um mundo onde ter razão importa menos do que ter likes, onde o conhecimento foi trocado por carisma e a verdade por engagement, os s não vendem apenas produtos, vendem estilos de vida, ideologias, promessas milagrosas e muitas vezes, autênticas armadilhas, promovem cápsulas para emagrecer, joguinhos de azar disfarçados de oportunidades, cursos de criptomoedas com lucros garantidos e marcas que nem conhecem só porque “pagam bem”, e quando digo pagam bem estamos a falar dos 4 dígitos por postagem, são cartazes ambulantes que não precisam de passar provas de ética, da ciência ou da lei, basta parecer convincente.

Muitos deles são os melhores atores da sua geração, publicam “stories” a dizer que estão com ansiedade e no “post” seguinte anunciam um patrocínio a um suplemento sem qualquer base clínica, mostram-se preocupados com o ambiente mas andam de jato privado para festivais onde dizem defender causas que não seguem, alguns fazem publicidade a casas de apostas online e plataformas de investimentos duvidosos que acabam por lesar milhares de seguidores. E quando tudo corre mal? Silenciam-se, apagam os “posts” e seguem impunes, como se nada tivesse acontecido.

Os influencers políticos são outro caso de estudo, num dia são de esquerda, no outro de direita, defendem uma coisa e o seu oposto, dependendo do “trending topic” do momento, o que importa não é coerência, é audiência, e quanto mais polémicos forem, mais visualizações, mais partilhas, e claro, mais patrocinadores, melhor para eles. São autênticos profissionais da controvérsia, mestres em surfar ondas ideológicas sem qualquer compromisso com a realidade, transformaram o debate público num palco de vaidades e likes.

Pior ainda, qualquer influencer com milhares de seguidores pode espalhar desinformação grave, misoginia, teorias da conspiração, opiniões perigosas sobre saúde pública, alimentação, vacinas ou política sem qualquer consequência real, o algoritmo recompensa o choque, não a veracidade, o “dar que falar” vale mais que a responsabilidade, e estamos a assistir à normalização de discursos absolutamente inaceitáveis sob o pretexto da “liberdade de expressão”, quando na verdade é apenas manipulação para lucro próprio.

O mais assustador? Tudo isto é legal, nada lhes acontece, não há responsabilização, não há filtro, não há vigilância, e os mais jovens crescem a idolatrar estas figuras que vivem numa bolha de filtros, com carros topo de gama, viagens caras, estadias no Dubai, cirurgias e mentiras bem ensaiadas, achando que é isso que se deve aspirar, que o sucesso vem da exposição e não do mérito, que a verdade é opcional e que o carácter não dá cliques.

No final, não são apenas “pessoas com muitos seguidores”, são microempresas ambulantes, marcas humanas que vivem da atenção alheia e da constante necessidade de aprovação, e nós, os que assistimos, participamos de bom grado, comprando os produtos, repetindo os discursos e desejando ter uma vida que não existe nem para quem a mostra, porque no fundo, a maior influência deles é convencer-nos de que não estão a influenciar rigorosamente nada, se mentirem, manipularem ou prejudicarem milhares, pouco importa, desde que a próxima publicação seja patrocinada e a selfie esteja bem iluminada está tudo bem.