Entre 2025 e 2026, Portugal vai gastar cerca de 170 milhões de euros em eleições. Se juntarmos os atos eleitorais de 2024 a 2026, esse valor sobe para 224 milhões de euros. Dinheiro que poderia ter sido investido onde realmente faz falta, como na saúde. Para termos uma ideia, o novo Hospital do Oeste, a ser construído no Bombarral, tem um orçamento de 265 milhões de euros. Em vez disso, foi gasto em sucessivas eleições, enquanto os problemas do país continuam por resolver. Isto não quer dizer que não seja necessário investir em eleições, mas serve para termos uma ordem de grandeza.
E isto levanta duas questões. A primeira, a instabilidade política, com governos que caem facilmente por disputas táticas e partidárias pelo poder. Em segundo lugar, o elevado custo das eleições. A digitalização pode tornar este processo mais eficiente, transparente e menos burocrático, ajudando a reduzir despesas no futuro. Aliás, já está prevista uma verba de 137 milhões de euros para esse fim nas presidenciais de 2026. Paralelamente, as subvenções partidárias deviam depender menos do Estado, tornando o sistema mais equilibrado e sustentável, sendo para isso rever a Lei do Financiamento partidário.
O problema repete-se crise após crise. Os partidos jogam ao empurra, instalam a incerteza e, no final, convocam novas eleições como se essa fosse a única solução. E quem paga a fatura? Os portugueses, que não só lidam com um país sem rumo, como também suportam os custos deste espetáculo político.
Mas nós não vivemos num regime parlamentarista, em que toda a responsabilidade recai sobre os partidos. Vivemos num regime semipresidencialista, onde o Presidente da República tem um papel fundamental na estabilidade do país. Cabe-lhe antecipar crises, ouvir os partidos e atuar como um verdadeiro moderador. No entanto, Marcelo Rebelo de Sousa tem falhado nesse papel. Em vez de agir proativamente, limita-se a reagir quando a instabilidade já tomou conta do país, chegando sempre tarde e sem soluções eficazes.
Mais uma vez, Marcelo Rebelo de Sousa chegou tarde. Quando o Governo enfrentava uma Moção de Confiança, o Presidente da República veio apelar ao diálogo entre os partidos – um gesto tardio, que nada serviu para evitar o caos político. Esta atitude só reforça a imagem de um Marcelo mais preocupado com a popularidade do que com a responsabilidade, um líder de “selfies” que, em vez de unir o país, terminará o seu mandato como o Presidente do “deita abaixo”.
Também Marques Mendes ficou mais uma vez aquém do que se esperava de alguém que construiu a sua carreira política dentro de um partido, pois apelar aos partidos para se entenderem, já depois de não haver nada a fazer, só demonstra que é um candidato de continuidade, ou seja uma cópia de Marcelo Rebelo de Sousa.
Os portugueses merecem mais do que isto. Merecem estabilidade, liderança e, acima de tudo, respeito. Porque, neste momento, se alguém precisa de uma Moção de Confiança, é o próprio Presidente da República.