Não tardará a fazer um mês que não saúdo ninguém. Um mero aperto de mão, um simples abraço, mais ou menos acalorado – dependendo da pessoa que estiver do outro lado –, uma beijoca aqui e acolá – por vezes mais arrojada se na minha presença se encontrar alguém do sexo feminino em que a eloquentíssima química for uma evidência -, enfim, toda uma panóplia de situações que, por vezes, pouca importância lhe damos, mas, que em alturas como esta que encaramos, em forma de Odisseia, emerge no meio de tamanho folclore gratuito, de ordinárias fake news e de uma certa dose de show off capitalizada por uma vintena de energúmenos que se aproveitam de uma conjuntura desfavorável para se autocatapultarem para um patamar… desumano, rasteiro e ignóbil. Designo-os por “especialistas e arautos de tudo para nada dizerem”. Adiante. Já excessivo tempo de antena lhes dão.

Parte das coisas mais simples do quotidiano apagaram-se da rotina, como almoçar na casa da vovó, beber café com a malta a cada final de dia e, demasiado importante para quem sabe e sente, ver e discutir bola, aquele nosso pequeno ópio e que goleia a corroída teoria que “aquilo” é apenas um entretenimento. Como alguém expressava: “O futebol é a coisa mais importante da vida dentro das coisas menos importantes”. E faz falta, sim. Muita.

É giro constatar que temos muitos DJ’s em varandas – por vezes em maior número do que ventiladores em hospitais –, palmas à fartazana para os nossos predilectos profissionais de saúde, garganteadas desafinadas – mas muito sentidas – até na aldeia mais refundida do Sabugal, etc., mas importa realçar que o vírus não tinha o direito de nos privar da natureza humana mais primitiva, intemporal e afectiva: o relacionamento social. Que o Skype sirva para colmatar essas lacunas. Que as entremeadas e as caldeiradas pendentes – isto se sobrar alguma verba dos 500 euros gastos em 10 frascos de álcool gel e em meia-dúzia de máscaras – sejam remarcadas para breve. E, por amor de Deus, meus prezados idosos: deixem de ser teimosos e fiquem em casa. Bem sabemos que estão se a marimbar para isto, mas fiquem mesmo em casa, bolas! Por vezes parecem adolescentes senis. Irra!!!

Um abraço a todos os profissionais de saúde e, se me permitem, ao povo de Ovar. Não se esqueçam de fazer jus ao slogan que tão bem vos caracteriza: “a vida é um Carnaval”, pá! Força!

Pedro Nuno Marques