O Custo de Oportunidade é um conceito fundamental em economia, mas que vai muito além dos manuais académicos. Ele traduz-se, de forma simples, na ideia de que sempre que fazemos uma escolha, estamos automaticamente a abdicar de outra. Em todas as decisões, há um ganho — mas também uma perda. É o corolário da máxima: “Se estou aqui, não estou acolá.”
Embora o termo tenha sido formalizado no século XIX por Friedrich von Wieser com o nome de Teoria do Custo Alternativo, a sua aplicabilidade é universal. Está presente no nosso dia a dia, nas pequenas e grandes escolhas. Dormir mais um par de horas pode parecer tentador, mas pode determinar a perda do emprego. O benefício é claro, mas o custo — invisível à primeira vista — é real.
O problema torna-se mais sério quando falamos de decisões públicas, em especial na gestão de recursos do Estado. Quando alguém, hipoteticamente um dermatologista, decide subtrair 400 mil euros a um hospital está, na prática, a despojar esse mesmo hospital de meios, por exemplo, para tratamentos oncológicos. Quando alguém, hipoteticamente, vicia concursos de contratação de helicópteros está, na realidade, a decidir retirar meios de combate a incêndios que tantas vítimas e danos provocam. Quando se nacionaliza e canaliza mais de 6 mil milhões de euros para o buraco do BPN, perde-se o equivalente a 10 anos de funcionamento do maior hospital do país, o Santa Maria. E os 3 mil milhões injetados na TAP poderiam pagar um segundo Hospital de São João durante seis anos.
Mas não se trata de um debate puramente financeiro. A questão é: o que deixámos de fazer com o dinheiro que foi usado noutra coisa? Quantas cirurgias não foram feitas a tempo? Quantas consultas não aconteceram? Quantas vidas poderiam ter sido salvas, quantas crianças poderiam ter nascido, quantas misérias seriam evitadas se as decisões tivessem sido as outras, aquelas que estavam à vista de quem as tomou.
Na esfera pública, o desperdício, a má gestão ou o desvio de fundos não são apenas questões jurídicas, técnicas ou orçamentais. São escolhas com consequências humanas. E, quando analisadas sob a lente do custo de oportunidade, muitas dessas decisões assumem contornos profundamente imorais — senão criminosos.
Porque, no final, as vítimas do custo de oportunidade existem. São reais. Apenas não sabem — ou não lhes disseram — que morreram por falta de escolha.