O PSD é pragmaticamente liberal. Cavaco Silva privatizou para que Portugal pudesse tornar-se elegível para a CEE e para a UE. Passos Coelho privatizou para pagar a dívida soberana, não por ser um seguidor do liberalismo. Ambos aplicaram os mínimos essenciais da economia política sem subscreverem os preceitos de von Mises e Hayek, segundo os quais, para uma nação florescer, o Estado deve reduzir as suas funções administrativas – os tentáculos que, através da tributação, estrangulam a iniciativa privada. Fizeram-no por necessidade e não por adesão ideológica à liberdade.

Enquanto sociais-democratas, pertencem à família política fabiana, que procura minar o Ocidente. Os dias das insurreições violentas de inspiração bolchevique e das expropriações forçadas de fábricas, explorações agrícolas e latifúndios já passaram. A vitória do socialismo faz-se por etapas, através de uma fase transitória do capitalismo para o socialismo e o cooperativismo, como o próprio Sá Carneiro declarou no congresso do PPD a 25 de janeiro de 1975, quando o partido foi legalizado.

Em vez de nacionalizações, alargou-se a burocracia, o Estado social, fragilizando a unidade familiar dos agregados ao longo de gerações em Portugal, com o Estado a substituir-se ao papel originalmente desempenhado pela mãe e pelo pai, que passaram a ter apenas um papel supletivo, enquanto sucessivos governos asseguram prestações na doença, educação, reforma e outras contingências financeiras, tornando o povo inteiramente dependente da pátria-mãe, o progenitor coletivo de todos.

Desde os fundadores do PPD até Luís Montenegro, todos aplicaram políticas intervencionistas de grande Estado que provocaram recessões e estagnação económica. O exemplo perfeito disso são as políticas monetárias prosseguidas por Sá Carneiro e Cavaco Silva – ministro das Finanças e do Planeamento – ao reduzirem as taxas de juro reais, o que levou à criação de liquidez e à expansão do crédito, sinalizando erradamente uma abundância de crédito, sobreaquecendo a economia e conduzindo a uma inflação que atingiu 24% em 1983, com Balsemão a herdar as ações do seu antecessor falecido, culminando na segunda bancarrota de Portugal em menos de uma década.

O PS, apesar de todas as suas falhas graves – sem duvida o maior catalisador isolado do estado lamentável de Portugal hoje, o partido político mais perigoso no Parlamento (a classificação de lunáticos e moralmente depravados cabe, contudo, aos comunistas, bloquistas e livristas) – não é responsável pelas falhas económicos de 1980-83, embora tivesse feito o mesmo ou pior.

Dizer que o PPD alguma vez foi de direita é falso. Até Pedro Passos Coelho o admitiu – o mesmo que enviou Luís Montenegro como parte da delegação portuguesa para visitar Fidel Castro no seu leito de morte. Mas, para manter a chicana da rivalidade política, com Mário Soares a condenar Sá Carneiro por trair o movimento de esquerda, o PSD é rotulado como estando à direita, ainda que, enquanto “socialistas moderados”, também procurem impor a uniformidade à população, como parte do instinto gregário que visa incutir a mesmidade e a igualdade pela força – quando o homem é único na sua dimensão pessoal – e, por isso, profundamente anticatólico.

Não enumerei todas as razões, mas são suficientes para exemplificar o apoio inequívoco dos PS(D) a António José Seguro, um ideólogo fraterno no hemisfério português do socialismo.

Não deve ser esquecido que a ascensão do Jacobinismo, da social-democracia em Portugal (e da social-democracia autoritária, como denominei o Estado Novo – afinal, muitos dos membros fundadores do PPD pertenceram à Ação Nacional Popular) é uma consequência do Iluminismo continental importado para Portugal por Luís António Verney e implementado pelas reformas pombalinas do século XVIII que, ao “nacionalizarem” as instituições religiosas (com a nomeação de bispos e a exigência de obediência à Coroa antes de Roma) e ao rejeitarem a filosofia escolástica aristotélica, adotaram o empirismo e o jansenismo, legitimando o absolutismo do Estado, que viria a ser posteriormente transportado pelo republicanismo. O fantasma do passado continua a pairar com grande peso.