Esta semana, chegou a notícia de que Trump pretendia tombar a banca com limite de juros no crédito ao consumo para reduzir o custo de vida nos Estados Unidos. Se o Trump fosse português, seria recebido de braços abertos pelo Partido Socialista. Sabem o que vai acontecer quando isto acontecer? Os bancos simplesmente não irão emprestar tanto dinheiro, especialmente às famílias e pessoas mais pobres (em risco estão 14,3 milhões de pessoas) e vão cobrar taxas bancárias mais altas (anuais, transferências bancárias, etc.) para cobrir os custos em outro lugar.
O juro é simplesmente o preço de pedir dinheiro emprestado e, como tudo no mercado, é determinado pela oferta e procura, neste caso, a procura por dinheiro.
Se o Trump estivesse verdadeiramente interessado em reduzir o custo de vida nos Estados Unidos, deveria começar por reformar e abolir a Reserva Federal, o principal motor por trás da crise do custo de vida. Mas em vez disso, opta por impor um teto de preços ao crédito, na realidade criando uma escassez, porque mais pessoas irão pedir crédito, enquanto os credores diminuem a quantidade de crédito disponível ao público. Uma política realmente terrível.
Curiosamente, a Esquerda tem permanecido particularmente em silêncio sobre as suas políticas económicas, condenando as suas intervenções na Venezuela e no Irão – as únicas políticas decentes que ele realmente levou a cabo.
Mas não devemos esquecer a grande mudança no eleitorado em novembro de 2024 e vale a pena resumir a sua história social. Nos séculos XIX e XX, os imigrantes irlandeses, fugindo da Ascendência (a classe alta inglesa) na sua terra natal, cultivaram um ódio profundo pelos britânicos e pelas suas instituições, o que os inclinava para o progressismo e a reforma social. O primeiro candidato católico nos EUA foi o democrata Al Smith, que se opôs tanto à Lei Seca como, mais tarde, a Franklin Roosevelt.
No entanto, comparar os democratas aos republicanos como sendo mais progressistas é paradoxal, já que o catolicismo (um termo que é um oxímoro porque não é ideológico) é erroneamente atacado pelos opositores políticos como sendo conservador em questões sociais e “reacionário”, o que, para o bem ou para o mal, é o que acusam os republicanos de simbolizar. Assim, muitos eleitores católicos (que enfrentavam discriminação religiosa e eram frequentemente significativamente mais pobres do que os seus pares protestantes) em todo os EUA apoiavam politicamente ideias socialistas e de esquerda, que os democratas com ideais totalitários abraçaram.
E porque décadas de políticas de estatismo promovidas pelos democratas desiludiram as esperanças dos eleitores tradicionais, muitos católicos – entre os vários grupos sociais na América (como a International Brotherhood of Teamsters, que geralmente apoiava os democratas) – transferiram os seus votos (socialistas) para Trump e J.D. Vance, um representante do que alguns chamaram uma América “pós-liberal”. Vance opõe-se ao livre comércio, é um protecionista convicto que defende os trabalhadores americanos, um nacional-conservador que personifica uma visão puritana dos Estados Unidos, quase Gnóstico, uma vez que Vance admitiu a enorme influência teológica dos escritos de Agostinho nas suas opiniões religiosas.
O Gnóstico, por natureza, é um pessimista que denuncia o mundo material como a criação maligna de um demiurgo (um deus falso), estabelecendo a base para a corrupção do homem e a sua queda na depravação, pois o homem nasce no pecado, não comete pecado, ele é condicionado por ele. A conceção de livre-arbítrio de Agostinho era fundamentalmente errada e contraditória com a Igreja primitiva, pois ele nunca abandonou a filosofia maniqueísta, proclamando que o livre-arbítrio evaporou quando Adão comeu a maçã.
À medida que a sua influência crescia, tornou-se um problema metafísico, e muitos foram excomungados por heresia até que as suas ideias se tornaram uma doutrina oficial da Igreja. Essencialmente, o homem não pode encontrar graça e salvação sem a ajuda divina, negando-lhe a iniciativa individual. Isto colocou o cristianismo num caminho perigoso e decadente, culminando em múltiplas seitas, secularismo e ateísmo.
Se o homem está predestinado a cometer erro após erro, a sua individualidade torna-se um perigo para a santidade da comunidade, e o estado deve intervir para preservá-la! A economia de mercado é vista como moralmente falida, o que só pode ser corrigido pela intervenção de um estado monolítico, para preservar o bem coletivo. E porque o estado exige que os indivíduos façam sacrifícios em nome do bem maior, eles devem, portanto, limitar os seus prazeres e aceitar um padrão de vida inferior para alcançar tais objetivos. Os católicos americanos são afligidos por este fenómeno estranho de promover a frugalidade e lamentar prazeres como comida e sexo, algo impensável em países do Sul da Europa.
E isto estende-se a Vance e Trump. Ao impor tarifas, estão a pedir ao povo americano que faça sacrifícios pela qualidade dos produtos que consome, mais caros, tudo em nome da nação americana e do seu destino manifesto de grandeza. “Reindustrializar” significa favorecer indústrias que recebem concessões e isenções fiscais, deslocando o fardo para outros setores, resultando em custos exorbitantes para aqueles que não beneficiam de tais medidas. E devido a esses privilégios, haverá um declínio nas condições de trabalho.
É a concorrência que melhora as condições de trabalho, porque as opções dão às pessoas a oportunidade de encontrar emprego em ambientes mais seguros. A acumulação de capital também melhora as condições de trabalho, atraindo novas pessoas para a força de trabalho que investem em novos métodos e tecnologias para manter os padrões de segurança.
Uma coisa é certa; não se pode embelezar o sonho americano com mais estatismo. Isto não é o renascimento que o MAGA prometeu aos seus eleitores e as suas realizações têm sido bastante desapontantes. O D.O.G.E. (Departamento de Eficiência do Governo) não conseguiu reduzir os enormes poderes que Washington exerce sobre as 300 milhões de vidas. A dívida nacional total disparou para 38 trilhões desde janeiro, continuando as políticas monetárias agressivas das presidências passadas. Ironia das ironias, ao colocar a América em primeiro lugar, Trump está a rebaixar os Estados Unidos para o último lugar em termos de liberalismo económico, capitulando perante os inimigos da América enquanto destroem a liberdade através da subversão cultural e institucional.
O que Trump e Vance estão a fazer é profundamente anti-americano. A América, como um todo, precisa desesperadamente de um renascimento, um regresso a 1776 e reconquistar a liberdade que os Pais Fundadores lutaram ardentemente para conquistar!