Sabe o meu caro leitor qual foi a primeira medida do novo executivo da Junta de Arroios, eleito recentemente através de uma coligação do PS com a extrema-esquerda, do BE ao Livre, com o PAN pelo meio? Terá sido no sentido de reforçar a habitação, a limpeza pública, a saúde ou a segurança dos moradores? Não, nem pensar. A primeira medida foi revogar um despacho assinado por mim, quando servi como presidente da Junta, em que se exigia aos imigrantes um “título de residência válido” para assim poderem receber um atestado de residência, de acordo com a lei.

Uma medida que reduziu em 80% os pedidos de atestados de residência, a partir do momento em que o despacho foi publicado. Não será o número em si mesmo um sinal claro de que 80% dos pedidos eram ilegais, de gente possivelmente ligada a redes mafiosas de tráfico de pessoas? O que será preciso mais para perceber o óbvio?

É isto mesmo, não viram nada de melhor do que retomar uma prática socialista de portas escancaradas que tanto beneficiou os extremos e prejudicou os imigrantes, em Portugal, sem rigor na entrada e sem humanidade no acolhimento, “deixando de ser obrigatória a apresentação de título de residência válido para efeitos de emissão de atestados de residência”.

Reparem bem se isto não é o socialismo woke levado à sua máxima expressão: não é preciso um “título de residência válido” que prove que se mora realmente em Arroios para se ter o direito legal a afirmar que se mora realmente em Arroios. E chamam a isto “repor a legalidade” e regularizar a emissão de atestados de residência, conforme solicitado pela Provedoria da Justiça, a mesma provedoria dominada pelo PS que decide tudo e o contrário neste e noutros temas da cidade.

Como terá dito José Sá Fernandes no dia da tomada de posse do novo executivo da Junta, “isto vai ser a nossa Nova Iorque”. Ironizo, mas este statement tem alguma razão de ser no contexto de um processo de caça ao voto do imigrante na última campanha para as eleições autárquicas pelo Partido Socialista extremista de Alexandra Leitão, coligado com todas as forças de extrema-esquerda – e que teve o seu expoente máximo em Arroios, com promessas repetidas a alguns dirigentes de organizações de imigrantes de que tudo voltaria ao anterior status quo. Ou seja, a total bandalheira, com as portas abertas aos imigrantes ilegais, com muitas deles a serem vítimas de redes do tráfico de pessoas, que estão sinalizadas pelas autoridades, vivendo em tendas ou em quartos sobrelotados.

Ao longo do tempo, fomos alertando para esta campanha sem precedentes de caça ao voto dos imigrantes. O grande momento de oportunismo político teve lugar à volta dos acontecimentos na Rua do Benformoso, na freguesia de Santa Maria Maior, mas não começou nem terminou ali.  Continuou e vai continuar certamente à volta da construção da polémica mesquita da Mouraria, porque eles não vão desistir, num processo que incluía a expropriação de três edifícios na mesma rua, que punha em causa o direito de outros cidadãos e não deve deixar de merecer a atenção de todos, a começar pelas autoridades.

Como escrevi no seu devido tempo, também aqui no Observador, compreende-se que os socialistas queiram tomar conta dos imigrantes. Percebe-se, por exemplo, que queiram apresentar o Sr. Rana Taslim Uddin – aliás, um dos grandes impulsionadores da mesquita da Mouraria, protocolada em 2013 com o então presidente da Câmara de Lisboa, António Costa – como “o líder da comunidade do Bangladesh em Lisboa”, por se tratar de um ativista e militante do PS, que tem a grande vantagem de falar português e mantém como principal objetivo o recrutamento de adeptos e militantes. Vamos estar uma vez mais atentos e a acompanhar como o processo se desenrola.

Sei bem que a actual legislação, em boa hora aprovada a nível nacional pelo Governo da AD, veio por um travão no mecanismo socialista da “manifestação de interesse”, dificultando em muito que Arroios e qualquer outra freguesia da cidade possam voltar definitivamente ao passado.

Sei, por exemplo, que os vistos de procura de trabalho que permitiam aos estrangeiros vir para Portugal à procura de trabalho estão agora restringidos a profissionais “com elevadas qualificações” – e que, para quem vem trabalhar para setores essenciais, a lei estabelece que o Governo celebre “acordos de mobilidade que correspondam a necessidades de setores estratégicos da economia”.

Sei que não iremos, repito, regressar ao passado, porque não vamos deixar que isso aconteça. Em Arroios, a oposição estará permanentemente vigilante em relação a quaisquer decisões ou medidas que venham a querer ser adotadas pela nova pequena geringonça de extrema-esquerda que foi estabelecida em Lisboa, como no passado a nível nacional, apenas e só para alcançar o poder, a todo o custo.