Já escrevi há alguns meses aqui no Observador que é preciso não ter papas na língua e falar claro sobre a imigração, não deixando o assunto nas mãos e nas palavras demagógicas dos extremistas. Por isso mesmo, não posso deixar de aplaudir a forma corajosa como o Governo da AD, em apenas 1 ano, enfrentou um problema grave que é também humanitário, criado por 8 anos de desastrosas políticas socialistas. Desde o momento em que tomei posse, como presidente da Junta de Freguesia de Arroios, que tenho vindo a alertar para esta verdadeira bomba-relógio que se andou a criar.

Felizmente, a AD colocou um travão numa situação que só beneficiava os extremos, prejudicando os próprios imigrantes: basta ver que o crescimento da extrema-direita em Portugal acompanhou a explosão demográfica da imigração, curiosamente até na percentagem. Como revelam os números da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), os imigrantes legais representam hoje cerca de 15% da população, com o número a subir para quase 1,55 milhões no final de 2024, em relação aos 1,29 milhões do ano anterior, quase quatro vezes mais do que em 2017. Este crescimento verificou-se sobretudo através do mecanismo socialista da “manifestação de interesse”, em boa hora extinto pelo actual Executivo.

Sei, de experiência feita no terreno, que a imigração estava descontrolada, como disse e muito bem o ministro António Leitão Amaro, porque o PS “escancarou as portas”, sem rigor na entrada e sem qualquer humanidade, abandonando depois à sua sorte quem chegava ao nosso País.

Permitiu-se que as redes de tráfico de seres humanos actuassem impunemente, com os imigrantes a entrarem sem rei nem roque, para muitos deles ficarem a viver ao relento e em tendas nas ruas, ou em barracas e quartos sobrelotados das grandes cidades. Quem vive em Arroios e em algumas outras zonas da cidade de Lisboa, mas não só, sabe bem do que estou a falar – e só não o vê quem vive noutro mundo, muito distante da realidade.

A 9 de fevereiro de 2024, perante a preocupação com a segurança de todos os que vivem em Arroios e com o destino de muitos dos imigrantes, que começaram a criar uma vaga de novos sem-abrigo no nosso território, com epicentro na Igreja dos Anjos, a Junta publicou um edital em que tornou pública “a obrigatoriedade de apresentação de título de residência válido para emissão de atestados de residência a cidadãos estrangeiros, extracomunitários”.

Só por isso, fui acusada de “sentimentos racistas e xenófobos” por parte do PS. Fomos de imediato atacados por “onze coletivos antirracistas e em defesa dos direitos dos imigrantes”, sempre de mãos dadas com o Bloco de Esquerda, com comunicados insultuosos e queixas para a Provedoria de Justiça. Mas também por várias figuras públicas socialistas, a começar pela então ex-ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, responsável directa pela pasta das migrações, hoje no Parlamento Europeu.

Isto apenas porque não aceitámos que se pudesse dar um atestado de residência a quem não residia em Arroios, como aconteceu no passado, na anterior gestão socialista da nossa freguesia, quando se passaram mais de 10.000 atestados ao deus-dará. Ainda ministra, Ana Catarina Mendes dizia que “repudiava estas atitudes, que são limitadoras dos direitos dos cidadãos imigrantes”. Para ela e para o PS, bastava a existência de duas testemunhas, que se repetiam centenas de vezes, obviamente recolhidas por redes criminosas, para serem emitidos os títulos de residência.

Felizmente nunca me senti sozinha e contei sempre com o apoio próximo dos habitantes de Arroios e do presidente da Câmara Municipal, Carlos Moedas, que conhece bem a cidade e os seus problemas, ao contrário dos socialistas.

Só posso agora aplaudir e subscrever a nova estratégia da AD – Coligação PSD-CDS: é evidente que é preciso “apertar na emissão de atestados de residência pelas juntas de freguesias”, na feliz expressão do ministro Leitão Amaro, “criando um sistema que centralize os registos e introduza limites quanto aos números que podem ser pedidos por testemunha e imóvel”. O que o PS fez foi de uma total irresponsabilidade e, de facto, “gerou uma grande desumanidade”.

Hoje, felizmente, “as regras são mais apertadas e o controlo é mais efetivo”. Para além de pôr a funcionar a AIMA, depois do descalabro da extinção caótica do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, de novo pelo PS, o Governo criou, entre outras medidas, canais “via verde” para facilitar a atribuição de visto aos estrangeiros que as empresas recrutem lá fora. Por seu lado, os empregadores, as empresas, têm de garantir um contrato de trabalho, formação e acesso a “alojamento adequado”. Em suma, acabou o facilitismo na política de imigração, que agora “é firme, regulada e humanista”.

Como sempre defendemos, com rigor à entrada e humanidade no acolhimento, para evitar a xenofobia e o racismo de uns e a exploração política dos imigrantes, como carne para canhão, de outros.