O Sector Social e os Cuidados Continuados, independentemente do que sucede estão sempre F… ragilizados. Há crescimento económico? Os salários sobem por imposição do Governo? Então o mesmo Governo não aumenta a receita ou quando aumenta, o valor é curto e não cobre os custos. Exemplos não faltam, como os preços congelados, vários anos, dos cuidados continuados ou os valores pagos pelo Ministério da Educação no que concerne ao apoio a crianças com deficiência nas escolas, que em 2025 é igual ao que era pago em 2017. Não há crescimento económico e vivem-se alguns momentos de crise, como por exemplo, a guerra na Ucrânia, o aumento generalizado de preços pós-covid, a crise energética, etc. Fica tudo igual. Ou seja, este sector é sempre o desprezado, aquele que nunca beneficia (ao contrário dos outros sectores). Os Governos tendem a ser muito generosos com a função pública, como aconteceu com Costa durante quase 9 anos e acontece agora com Montenegro. O único primeiro-ministro que protegeu o sector numa fase difícil do país foi Passos Coelho (que livrou o país da Troika). A partir daí chegou a Troika a este sector.

Por isso já estou a ver o “filme todo”. Desculpas e mais desculpas com a guerra na Ucrânia, entre Israel e Irão e, seguramente nos próximos anos, gastar 5% do PIB em defesa. Ou seja, há sempre uma boa desculpa qualquer, sobre um qualquer acontecimento para não se apoiar de forma suficiente e justa um sector essencial ao bom funcionamento do país, sector esse que não faz greves, que não reclama e com o qual os governos contam sempre. Até um dia…

E por falar em defesa. É parecido com a Covid. Há que criar uma Pandemia (que mata menos que a comum gripe) para dar biliões a ganhar a quem produz vacinas. Agora há que inventar uma Rússia poderosíssima (tão poderosa que não consegue derrotar um país como a Ucrânia) que se prepara para invadir a Europa inteira, pelo que importa dar biliões a ganhar a quem produz armamento, nomeadamente aos Estados Unidos. Até entendo Trump ao não querer gastar dinheiro para defender os europeus. Mas o outro lado disto é querer impor que o seu país venda armamento à Europa. É o melhor dos dois mundos – reduz custos e ainda aumenta a receita. E os líderes europeus, mais uma vez tal como na Covid, atiram-nos areia para os olhos e tentam convencer-nos que os cerca de 500 milhões de europeus, precisam de se defender dos cerca de 140 milhões de russos, os quais já hoje estão pior e menos armados que nós, descontando a parte nuclear, claro, mas essa ninguém usa, pois mesmo quem se atreva a fazê-lo perde igualmente.

Verdade seja dita que o actual programa de Governo contempla uma lei para o sector de forma que os aumentos anuais levem em conta a inflação e a subida do salário mínimo. No entanto, lá diz o velho ditado “ver para crer”. E eu não confio no Governo, só acredito quando vir. Por exemplo, Governos de António Costa a revogar a legislação que obrigava ao aumento anual nos cuidados continuados, é o que eu vejo desde 2015. Vi Luís Montenegro fazer exactamente o mesmo. O que eu vi e continuo a ver, são aumentos muito generosos para a função pública e aumentos miseráveis ou inexistentes nos salários de quem trabalha nestes sectores (e quem neles trabalha também presta igualmente serviço público e depende das decisões dos mesmos – Governo).

Decidi, na minha organização, esperar para ver os sinais do que vai acontecer no espaço de um ano. Ou o Governo dá sinais de que tudo muda e não será igual ao que eram os Governos de Costa (pois, infelizmente, no primeiro ano foi igual, quando nos fez acreditar que seria diferente e, também por isso, teve mais votos), ou se tudo continuar igual, irei tomar decisões no sentido de não pactuar mais com isto. A começar por encerrar a única Unidade de Cuidados Continuados que ainda temos em funcionamento e transformá-la num outro equipamento. E estou certo de que outras entidades farão o mesmo. Termino com a seguinte pergunta: que adianta construir mais umas centenas de camas em cuidados continuados no âmbito do PRR (deviam ser 5.500 lembram-se? Mas perdemos mais de 100 milhões do PRR e não se fizeram as camas por culpa da Secretária de Estado conforme escrevi em artigo recente), se depois encerram muitas mais porque o Governo não lhes paga o suficiente para se manterem em funcionamento?

Até quando esta discriminação?