Nos últimos anos, o sector bancário em Portugal tem apresentado resultados financeiros robustos, aliás amplamente difundidos na comunicação social, traduzidos em lucros significativos para os seus acionistas. Esta é uma realidade com que nos congratulamos, como já tive oportunidade de referir, por contribuir de forma decisiva para uma evolução positiva de toda a economia.
Lamentamos, porém, que este cenário de prosperidade não se reflita de forma equitativa entre todos os que diariamente contribuem para este sucesso.
Uma parcela considerável dos trabalhadores bancários enfrenta uma estagnação salarial que se prolonga há mais de uma década, mesmo após avaliações de desempenho positivas e de dedicação contínua.
Esta realidade é ainda agravada pela perda real de poder de compra com que a classe bancária se tem confrontado nos últimos anos, fruto de aumentos inferiores à inflação.
Assim, apesar de contribuírem ativamente para os lucros históricos das instituições financeiras, os bancários veem o seu esforço e dedicação desvalorizados em termos remuneratórios. É imperativo que as instituições bancárias reconheçam esta injustiça e que implementem medidas que assegurem uma progressão salarial justa e condizente com o desempenho dos seus trabalhadores.
O Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), que lidero, como solução prática e sustentável, propõe a criação de um Comité de Avaliação de Carreiras, posição que aliás já apresentámos às instituições financeiras. Este Comité, com a participação de representantes das estruturas sindicais e das instituições bancárias, teria como objetivo monitorizar e assegurar a progressão regular nas carreiras e a valorização salarial dos trabalhadores. Esta medida garantiria que o mérito individual e coletivo fosse devidamente reconhecido, promovendo uma distribuição mais equilibrada do valor gerado pelas instituições bancárias.
É tempo de reconhecer que o sucesso do sector bancário é construído diariamente pelos seus profissionais. Valorizar os trabalhadores bancários não é apenas uma questão de justiça, mas também uma estratégia essencial para garantir a sustentabilidade e a confiança no sistema financeiro português.