Num tempo em que saudosistas romantizam centralismos e burocracias, convém olhar para quem apostou na liberdade económica. Estónia, Letónia e Lituânia, recém-libertas do jugo soviético, escolheram a liberalização, a integração europeia e os mercados abertos. O resultado é um contraste gritante com as utopias falidas de quem insiste em controlar tudo.
A Estónia é o exemplo paradigmático do liberalismo. Desde 1991, cortou amarras estatais, implementou um imposto fixo de 20% e digitalizou 99% dos serviços públicos. Em 2024, o PIB per capita atingiu 34 200 dólares (Banco Mundial), o desemprego caiu para 5,8% (Trading Economics) e o país destaca-se no 7.º lugar do Digital Economy and Society Index (Comissão Europeia). A Lituânia não fica atrás. A taxa de risco de pobreza desceu para 18% (Eurostat, 2024), o salário médio triplicou em termos reais desde 2000 e o investimento estrangeiro direto atingiu 2,3 mil milhões de euros em 2024. A Letónia reduziu a dívida pública para 39,5% do PIB (Banco Mundial, 2024) e viu o comércio externo representar 80% do PIB, com as exportações de tecnologia e maquinaria em forte crescimento.
Estes números escondem o verdadeiro prémio: liberdade. Nestes países, os pais escolhem as escolas dos filhos, os cidadãos acedem a cuidados de saúde sem filas intermináveis e os empreendedores criam sem pedir licença a um burocrata. Não foi um conto de fadas. A liberalização trouxe desigualdades iniciais. O índice de Gini da Estónia (0,31) é ligeiramente superior ao de Portugal (0,29, Eurostat 2023) e registou-se emigração jovem, como os 15% que a Letónia perdeu entre 2000 e 2020 (ONU). Mas os Bálticos responderam com requalificação profissional, incentivos fiscais para repatriados e educação alinhada com o mercado. Hoje, são sociedades prósperas, livres e integradas.
Comparemos com os ditos “sortudos” do centralismo. Em 2025, a Venezuela afunda-se com 400% de inflação e oito milhões de exilados (Reuters, ONU). Cuba, no 175.º lugar em liberdade económica (Heritage Foundation, 2025), oferece apagões e racionamento como política de Estado. A Coreia do Norte, com 43% da população em insegurança alimentar (FAO, 2024), mantém a “estabilidade” de uma distopia. Estes são os troféus de quem vê no centralismo e apenas nele o motor (gripado) do desenvolvimento.
E Portugal? Com um PIB per capita de 29 871 dólares em 2023 (Banco Mundial), estamos acima da média global, mas longe dos Bálticos. A carga fiscal consome 36,4% do PIB (OCDE), contra 28% na Estónia. O desemprego jovem, a 8,5% (Eurostat, 2024), reflete uma educação desalinhada do mercado. No Digital Economy and Society Index, permanecemos no 14.º lugar, enquanto a Estónia lidera. A burocracia sufoca. No Ease of Doing Business Index, estamos no 39.º lugar, contra o 18.º da Estónia (Banco Mundial, 2024). Não precisamos de inventar a roda. Reduzir impostos, como na Estónia, digitalizar serviços públicos, como na Lituânia, e reformar a educação para formar mais e melhor como nos Bálticos, são passos ao nosso alcance.
É claro que o liberalismo não é uma poção mágica. Os países nórdicos, com Estados sociais robustos, provam que modelos híbridos podem funcionar. Mas o que os une aos Bálticos é a confiança no indivíduo e não no planeador central. Em Portugal, continuamos a hesitar, presos a regulações que protegem interesses instalados e a um Estado que gasta como se o amanhã fosse garantido.
Os lesados do liberalismo vivem em países onde se escolhe, se inova e se prospera. Os sortudos do centralismo colecionam filas, escassez e silêncios forçados. Portugal merece mais. Exijamos uma fiscalidade que não asfixie, uma administração que não atrapalhe e uma educação que prepare para o futuro. Juntemo-nos, empreendedores, trabalhadores e estudantes, para pressionar por reformas liberais, uma reforma fiscal que promova e premeie o investimento, uma administração pública ágil, confiável e com regras claras e um sistema educativo que coloque o aluno no centro do modelo organizacional. O caminho está traçado. Sigamos os Bálticos e não as distopias. A liberdade económica não é um luxo; é o motor do progresso.