Há quem suponha que o Chega e a IL secaram e destronaram o CDS à direita e vieram para ficar. Não sei se vieram para ficar. Sei que o liberalismo que dizem representar não me representa.

Num tempo difícil, para lá de uma gigantesca abstenção (muito justificada por um sistema eleitoral ineficiente e injusto que parece não se conseguir ajustar), o domínio da televisão e dos media que aceleram a inusitada proliferação de todo o tipo de sondagens fez e faz preponderar o voto da massa (que se opõe ao povo, como dizia o Papa Pio XII, porque só o povo tem consciência).

Ora, em política ter critério tem de ser a capacidade de fazer a boa escolha, em ordem ao bem comum. Nem egoísta, nem eficientista. Nem liberal, num sentido amplo. Mas moral e socialmente vital. Quer com respeito às propostas políticas apresentadas, como com respeito aos seus protagonistas.

Evidentemente, tenho poucas ou nenhumas dúvidas que mesmo em modo de geringonça o PS jamais pactuará com as fantasias pouco sérias do Bloco de Esquerda de abandonar o Euro e a NATO, nacionalizar a banca e os seguros, colectivizar os meios de produção ou proletarizar o segredo bancário, o que é positivo. Com efeito, o PS não passa de um partido transversalmente burguês e capitalista (na linguagem dura e moralista do Bloco e do PC).

Mas esse minimalismo do PS é estático e não chega. Sem prejuízo, para tratarmos um dia de frente e sem fumos das questões graves e essenciais, ditas civilizacionais e de estrutura, não há espaço para ismos (liberalismos ou esquerdismos), como por exemplo:

  1. Para assegurar a desestatização da educação.
  2. Para protecção da vida em geral (também no que se refere às questões à volta da imparável violência doméstica) e da vida intrauterina em particular (o flagelo da liberalização do aborto, a ausência de verdadeiras políticas de protecção à natalidade e à família).
  3. Para total e absoluta rejeição da eutanásia e aposta em políticas eficientes de cuidado formal e informal (familiar).
  4. Para impedir o negócio das “barrigas de aluguer”.
  5. Para impedir o experimentalismo social da adopção de crianças por casais homossexuais.
  6. Para desenho e implementação de políticas competentes de criação de emprego e de mobilização da taxa de poupança (um decisivo factor do investimento).
  7. Para uma indispensável reestruturação ampla e equilibrada do Estado (melhor Estado) por fixação de objectivos e metas exequíveis e alteração positiva do sistema eleitoral .
  8. Para urgente simplificação e desagravamento fiscal e reforço das garantias dos contribuintes.

São estas algumas das questões importantes que temos de resolver um dia (antes cedo que tarde), como sociedade esclarecida que quer ser mais justa e mais evoluída. Sem tratar de umas, para deixar outras para trás. Sem descartes.

Confesso que não vejo o IL, nem o Chega, nem os seus protagonistas, capazes de assegurar esta empreitada, que não é liberal, mas social.

Resta o CDS, com a sua história, o seu fundo personalista e o seu programa político. Mas há que fazer mais. Comunicar muito melhor. Renovar a esperança. Não é hora de desistir.