Peca por precipitado o reconhecimento do Estado de Palestina. Mais uns dias de paciência e os carniceiros do Hamas abriam a prenda do Estado português no dia de aniversário da última — tradicional, mas sempre gloriosa — façanha de massacre de Judeus. Para os me-ni-nos Yahya Sinwar e Aiatolá Ali Khamenei, uma salva de Allahu akbar!
A prenda é comum, mas cada um vai assinar a carta: “Pour que, dans votre état aussi, vous puissiez continuer à ignorer le peuple. Désespérément, M.”; “Para que tenham um estado onde possam continuar a receber subsídios da União europeia. Com os melhores agradecimentos, M. e M.”; “So that you may have a state where you can continue to police opinions. You/Yours, S.”.
Que tudo não passe de uma encenação risível, não resta dúvida. Dois comediantes fustigados no palco local, arranjam uns figurantes para montar uma peça sem originalidade na Broadway onusiana. A encenação é, sobretudo, inútil. Apesar da pompa para engrandecer a prenda, o reconhecimento do Estado de Palestina é só um vale, sem valor porque os donos da loja não o irão aceitar.
Aliás, nem se compreende a insistência em oferecer ao povo Palestiniano, de nascimento Árabe, um presente que sempre recusou pela voz dos seus líderes — do simpatizante nazi Amin al-Husseini ao ilusionista Yasser Arafat. Na realidade, os Palestinianos nunca pediram nenhum metro quadrado suplementar na região; o único pedido palestiniano é que os Judeus não tenham nenhum metro quadrado na região.
Assim, sem relevância concreta no conflito nem razão convincente a apresentar, os nossos estadistas elevaram a fasquia ao colocarem-se num plano moral. O reconhecimento surge “em prol da Paz”, como se comprova pelo facto de hoje ser o Dia Internacional da Paz. As declarações em nome da paz tornaram-se um vício recorrente no pós-Guerra, com um teor trágico-cómico que se refletia igualmente em designações como “República Popular Democrática da Coreia”. Só os bobos acreditavam. Convém relembrar, porque hoje é também o Dia Mundial do Alzheimer.
Por cálculo político se avançou, claro. O patrocinador dos nossos erros financeiros pediu-nos mais um, mas diferente, o dele. E o olfato partidário, treinado para estes anos eleitorais, jura que é trufa. Porém, sem evidência que a maioria de nós apoia a decisão, insisto: não foi em meu nome!
O alfa e o omega dos meus valores nasceu na terra que Israel protege em curador zeloso. Arrastado para uma nova batalha, o nosso aliado lida de forma imperfeita, mas incomparavelmente melhor do que qualquer outro faria. Na guerra que os incautos julgam ser de território, ou apenas em Gaza, todas as frentes recuam há anos, salvo uma: na torre mantida por Israel. E é no auge da escuridão, quando sobre Israel se abate a onda pérfida da calúnia, quando nele vacila a esperança de recuperar os seus filhos… é o momento que escolhem para dar força ao nosso inimigo.
Perdoa-nos, Israel, porque eles não sabem o que fazem.