A eleição de Portugal para membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o biénio 2027-2028 constitui uma das mais importantes vitórias da política externa portuguesa dos últimos tempos. É um resultado histórico: é a quarta vez que Portugal integra o Conselho de Segurança, mas nunca antes tinha alcançado a eleição na ronda inicial.

Num contexto internacional particularmente exigente, marcado por conflitos armados, instabilidade geopolítica e crescentes desafios à ordem internacional baseada em regras, Portugal apresentou-se perante a comunidade internacional como um país confiável, previsível e comprometido com a defesa do multilateralismo. Essa imagem não surge por acaso. Resulta da coerência da política externa portuguesa, da sua matriz europeísta e atlântica e da capacidade de manter uma voz respeitada e credível junto dos seus parceiros internacionais.

Importa, aliás, retirar uma conclusão política desta eleição. Nos últimos meses, alguns partidos da oposição, em especial o Partido Socialista, procuraram construir uma narrativa de alegado enfraquecimento da posição internacional de Portugal ou de isolamento diplomático do atual Governo. A realidade encarregou-se de desmentir essa narrativa.

Esta eleição de Portugal constitui uma inequívoca demonstração de confiança da comunidade internacional no nosso país e na sua representação externa. Num dos mais exigentes processos eleitorais do sistema das Nações Unidas, Portugal obteve um resultado histórico que fala por si. Demonstra também que Portugal não perdeu influência nem relevância internacional. Pelo contrário, reforçou a sua capacidade de intervenção nos principais fóruns multilaterais, afirmando-se como um parceiro respeitado na União Europeia, na NATO, na CPLP, no Conselho da Europa e agora novamente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A política externa portuguesa sempre assentou em grandes consensos nacionais, por vezes esquecidos, e ainda bem que assim é. Mas isso não deve impedir o reconhecimento do papel desempenhado pelo atual Governo na fase decisiva desta candidatura, bem pelo contrário. É sob a liderança do Primeiro-Ministro Luís Montenegro que Portugal reforçou a sua presença internacional, aprofundou relações estratégicas e projectou uma imagem de estabilidade, previsibilidade e confiança.

Merece igualmente particular destaque o papel do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. A sua intensa atividade diplomática, a mobilização da rede externa portuguesa e a capacidade de construir apoios junto de Estados de diferentes regiões do mundo foram determinantes para o resultado alcançado. Paulo Rangel assumiu esta candidatura como uma prioridade estratégica nacional e conduziu a sua fase final com eficácia, visão e sentido de Estado. O resultado obtido demonstra que Portugal é hoje um país respeitado, ouvido e valorizado nos principais fóruns internacionais.

A melhor resposta às críticas dirigidas à política externa do Governo não está na retórica partidária, mas nos resultados concretos. E poucos resultados poderiam ser mais expressivos do que a eleição histórica de Portugal para o principal órgão das Nações Unidas responsável pela paz e pela segurança internacionais.

Portugal chega a este mandato com uma agenda clara (recordo os pilares da candidatura — Prevenção, Parceria e Proteção) refletem uma visão moderna da política internacional e correspondem à tradição diplomática portuguesa de construir pontes, promover consensos e defender a paz.

Num tempo de crescente fragmentação geopolítica, em que tantos questionam a eficácia das instituições multilaterais, Portugal demonstra que continua a ser possível construir consensos, promover o diálogo e defender soluções assentes no Direito Internacional e na cooperação entre Estados. Confirma que a política externa portuguesa continua a ser uma das mais sólidas expressões da nossa democracia e da nossa presença no mundo. Confirma igualmente que a ação externa desenvolvida pelo Governo, liderada diplomaticamente por Paulo Rangel, soube transformar credibilidade em influência e influência em resultados.

Portugal regressa agora ao centro das decisões internacionais com humildade, mas também com ambição. Ambição de servir a paz, de defender os valores da liberdade e da democracia, de reforçar o multilateralismo e de honrar a tradição de um país que, pela sua história e pela sua vocação universalista, sempre soube construir pontes onde outros ergueram muros. Essa é a melhor marca de Portugal no mundo e a melhor garantia de que este mandato será exercido com responsabilidade, prestígio e sentido de missão.