Somente quem se reveste de total fanatismo pelo Partido Socialista é que se mostra incapaz de detetar e compreender a queda vertiginosa caracterizadora, ao momento, dos partidos à esquerda do hemiciclo parlamentar nacional.
O que havia sucedido com o Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português, acontece agora com o Partido Socialista, muito por força da narrativa de Ventura que tende a visar quem é de esquerda ou na respetiva vota.
A fábula supra evidenciada acaba por ser validada e agravada pela atuação do líder socialista, Pedro Nuno Santos, quando permanece insistente no erro e manifesta não entender o ano combatido no curto horizonte.
O Partido Socialista está muito distante do seu melhor período, encontrando-se assim escaldado da queda do governo de Costa e esmorecido pelo resultado das eleições perdidas pelo atual líder.
Para que exista um ponto de viragem neste comportamento apático do partido, mostra-se pertinente a tomada de algumas medidas que transformem positivamente a imagem do líder, pecando pelo já tardio – mas ainda útil – timing.
Menos Montenegro e mais Ventura
Nas eleições internas do PS, recaíram sobre Pedro Nuno Santos várias tentativas de descredibilização que apelidavam o referido de radical quando comparado com o à época adversário José Luís Carneiro.
Parece que estas críticas ainda ecoam na mente de PNS, tendo-o feito optar por uma postura que lhe retira o rasgo de que tanto necessita e tornando-o mais abatido e similar a Montenegro, fazendo-o o esquecer que se encontra na oposição e como tal, precisa de evidenciar o espírito combativo, despindo a camisola de candidato derrotado e defendendo uma oposição participativa, convicta e constante.
Livrar-se de Costa
António Costa foi, muito provavelmente, o Primeiro-Ministro mais consensual dos últimos anos da política nacional, reunindo apoios e reconhecimento em ambos os lados do hemiciclo. Contundo, Pedro Nuno Santos não é Costa e, como tal, deve soltar-se das amarras do seu legado – seja do positivo ou do negativo – e procurar trilhar um caminho singular, com personalidade e propósito.
Cesarismo
Os conceitos de nepotismo e corrupção mostram-se parcialmente convergentes. Nestes termos, o Partido Socialista fica mais fraco e torna-se num alvo fácil do Chega quando detém como Presidente um quadro que chegou a ser notícia no país vizinho pela quantidade de familiares ligados à estrutura socialista e a cargos públicos.
No entanto, Cesar é apenas o exemplo mais mediático entre tantos outros espalhados pelo país e se assim se prossegue, mais depressa Ventura cumpre o desígnio de “limpar o país” que PNS arruma o Partido Socialista.
Presidência da República
Gouveia e Melo continua a liderar sondagens e, embora pouco se saiba das suas convicções políticas, presume-se que estará sempre mais próximo de receber o apoio dos partidos da direita do que do PS.
Neste pressuposto, o líder socialista necessita de cimentar a sua posição na oposição de forma a conseguir convencer e trazer à candidatura um quadro com mediatismo bastante para “por em sentido” o almirante.
Porto
A última vez que o Partido Socialista elegeu um Presidente da Câmara na cidade invicta o euro ainda não circulava nas mãos dos portugueses, desde então dois Ruis (Rio e Moreira) presidiram ao escritório dos aliados, o primeiro pelo PSD e o segundo na qualidade de independente.
Na eleição de Rui Moreira os portuenses demonstraram que conseguem votar fora da disciplina partidária e Manuel Pizarro, político de carreira que já ocupou diversos cargos nacionais e internacionais, é uma figura mais adjacente à realidade elitista da capital do que ao povo nortenho, característica esta que não lhe é favorável para o sufrágio.
Lisboa
Na metrópole sede o esforço terá de ser maior, até porque a cadeira não se encontra vazia como no Porto. Como se não bastasse, ainda paira na memória dos socialistas os 24 pontos de vantagem de Medina sobre Moedas, que se noticiavam a 1 mês das eleições de 2021.
O atual alcaide, como muitos defeitos que se lhe possam imputar, tem-se revelado exímio na arte de fazer política e propagar a mensagem de obra autárquica.
Alexandra Leitão não será uma solução vitoriosa para o Partido Socialista e tornar-se-á ainda mais prejudicial a Pedro Nuno Santos, dada a proximidade que tem com o líder e o papel que desempenha na esfera do PS.
A derrota de Alexandra Leitão converter-se-á num claro e pleno fracasso de PNS, que não lhe poderá ser desassociado e sobrecarregará os maus resultados que transitam dos anteriores sufrágios e se preveem quando votarmos para Belém.
O presente ano colocará à prova o Partido Socialista, estando este condicionado pela atuação e decisão do seu líder.
Para além de pregoar que é líder da oposição, Pedro Nuno Santos deve comportar-se como tal e oferecer ao eleitorado soluções que materializem esta transformação, ao invés de permanecer refém de um legado que terminou da pior forma a 7 de novembro de 2023.