“Não há diferença entre comunismo e socialismo, excepto nos meios para alcançar o mesmo objectivo final: o comunismo propõe-se escravizar o Homem pela força, o socialismo pelo voto. É meramente a diferença entre homicídio e suicídio.” – Ayn Rand

Arranque intelectual com referência a pensadora famosa: check! E para que este início não pareça uma coisa desgarrada, mero isco para leitores incautos em busca de conteúdo prenhe de substância, voltemos a Cristiano Ronaldo, que respondeu aos histeriquinhos, críticos da sua admiração por Donald Trump, com um ganda pontapé de bicicleta ao serviço do Al Nassr.

Foi uma boa escolha de resposta por parte do Cristiano porque, para quem diz que ele está acabado, surpreendeu. É que, perante o chorrilho de críticas à sua visita à Casa Branca, a resposta mais óbvia do Ronaldo seria um outro gesto técnico, mais ao alcance do mero mortal, nomeadamente a exibição do dedo do meio. Mas, convenhamos, o pontapé de bicicleta foi muito mais apropriado: é um bocadinho mais espectacular; é de mais difícil execução (OK, certo, talvez para um maneta não, mas de resto…); e é irrepreensível do ponto de vista da sustentabilidade, uma vez que é, lá está, de bicicleta.

Tanto é que quem vibrou imenso com este golo do Cristiano foi aquela malta da Greve Climática Estudantil e da Climáximo, que se manifestou há dias, em Lisboa, pedindo o fim dos combustíveis fósseis até 2030. Para esta maralha, nada é mais amigo do planeta do que um pontapé de bicicleta, para mais com aterragem num relvado em que as vacas estão proibidas de soltar gases. “Nada mais amigo? É? Então e um pontapé de moinho — eólico, claro — com aterragem num relvado em que as vacas estão proibidas de soltar gases?!”, inquiriria o elemento da tal manif com o cabelo pintado com as 36 cores de um estojo da Molin e a maior argola no nariz. Inquiriria, e muito bem, na minha opinião. Era o que faltava, eu amarrar o burro numa discussão sobre bovinos com portadores de anéis para o nariz.

Portadores de anéis para o nariz, esses, que exigem então o fim dos combustíveis fósseis até 2030. Ou seja, isto é malta que, pelo menos até 2030, não descansa enquanto não vivermos outra vez, para aí, em 1530. E que, chegada ao novo século XVI, e estando resolvida a “emergência climática”, pode focar-se, exclusivamente, na histeria em torno do papel de Portugal no comércio transatlântico de escravos. Isto se o défice calórico decorrente da inexistência de combustíveis fósseis para a produção, processamento, transporte e conservação de alimentos ainda lhes permitir gritar. Duvido.

Também, era o que faltava. Quer dizer, andamos há 50 anos a tentar livrar-nos do socialismo que não tem serventia para nada, e agora, em cinco anos, livrávamo-nos dos combustíveis fósseis que têm serventia para tudo. É que nem pensar. Embora, admitamos, o 25 de Novembro deu lugar a um dia 26 que não se distinguiu assim tanto do dia 24 de Novembro. Tivemos o 25 de Abril para acabar com a ditadura do Estado Novo, depois tivemos o 25 de Novembro para acabar, à nascença, com uma ditadura comunista, e agora falta-nos um dia que acabe com esta ditadura do socialismo. E, já agora, fazíamos a coisa também a 25, por uma questão de coerência. 25 de Dezembro, dá para vocês? Têm o Naquê? Natal? Eh pá, pois, assim, sempre a arranjarem desculpas, não dá.

Depois queixamo-nos que não saímos da cepa torta. Quanto mais para seguirmos para jantares na Casa Branca. É que nem na mesa das crianças nos arranjam lugar. Nem a uma gamela ao lado da dos cachorros temos direito. Ou seja, resta-nos admirar, invejosamente, a riqueza de alguém realmente bem sucedido como o Cristiano Ronaldo. Ou um daqueles dermatologistas do Hospital de Santa Maria.