Portugal vai mais uma vez a votos, agora no dia 8 de fevereiro de 2026! Mas, estas não são apenas mais umas eleições.
Numa segunda volta entre António José Seguro e André Ventura o que está frente-a-frente não é o socialismo ou o liberalismo. A discussão também não é, agora, sobre uma maior ou menor intervenção do Estado na economia, na saúde ou na educação. Não está em discussão a propriedade pública ou a propriedade privada dos meios de produção.
O que realmente está agora em jogo nestas eleições presidenciais é a democracia portuguesa iniciada em abril de 1974! No dia 8 de fevereiro os portugueses estarão a escolher um modelo de regime. E podem optar pela manutenção da democracia ou por uma quarta república autoritária e populista.
Por um lado, podemos optar por um Estado de Direito Democrático, assente na soberania popular (o poder emana do povo), na separação de poderes (legislativo, executivo e judiciário), na igualdade perante a lei e no respeito pelos direitos e liberdades fundamentais. Por outro lado, podemos optar por um novo modelo de república autoritária, assente na concentração de poder numa autoridade central, na supressão dos direitos e liberdades fundamentais, como o direito à igualdade, no enfraquecimento das instituições democráticas.
A escolha é, assim, entre um presidente moderado e um presidente autoritário. Entre um discurso ponderado e um discurso polarizado e agressivo. Entre a decência e o incitamento ao ódio. Para se ter uma ideia mais concreta do que está em causa não é despiciendo olhar para os recentes acontecimentos internacionais, mais precisamente para o comportamento que Donald Trump tem tido, por exemplo, com a Gronelândia!
Acontece que o futuro do país encontra-se, neste momento, dependente essencialmente do eleitorado do “centro-direita”! É a este eleitorado que compete optar entre a moderação de António José Seguro ou a radicalização de André Ventura. Como democrata que sou temo, no entanto, que a abstenção deste eleitorado contribua para a alteração do regime.
A geração atual tem o dever e a responsabilidade de não vincular e hipotecar as gerações vindouras. Como pai não pretendo retirar aos meus filhos os direitos que lhes foram atribuídos pela geração dos seus avós.
Realço a importância da ida às urnas. O povo português ainda tem o poder de mandar no seu próprio destino e de dizer se o recente aumento dos votos na extrema direita é estrutural ou se, pelo contrário, foi apenas uma reação, um teste, ao sistema atual.