No dia 10 de Julho, fiquei chocado ao ler a “Carta Aberta de Oposição à Petição em prol da Presunção Jurídica da Residência Alternada”. Nessa carta, organizações feministas como a Capazes, a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), a APMJ (Associação Portuguesa de Mulheres Juristas), a AMCV (Associação de Mulheres Contra a Violência), entre algumas outras organizações respeitáveis de apoio a vítimas, como a APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), insurgem-se contra a ideia de que, em caso de divórcio, o princípio geral a aplicar na decisão da guarda da criança seja o da residência alternada. O meu choque não é por serem contra o princípio, mas sim com os argumentos invocados.

Os principais argumentos usados são o da violência doméstica e o da protecção das vítimas, como se todos os homens fossem agressores. Note-se, não está em causa o princípio óbvio de que, em situações de violência doméstica, a guarda das crianças não deve ser partilhada — o que já está previsto na lei e poderá ser melhorado se necessário. O que está em causa é que, num divórcio normal, o princípio da partilha de residência não seja aplicado para proteger as vítimas, como se tivesse de haver vítimas. Todos sabemos o que isto quer dizer, quer dizer que se defende que as crianças sejam entregues à mãe. Trata-se o homem como um agressor por default: presume-se culpado de violência doméstica, mesmo quando não haja nada nesse sentido.

Se dúvidas houvesse sobre a intenção destas associações, elas desapareceram por completo no dia seguinte, com um artigo de Margarida Medina Martins (Presidente da Associação das Mulheres Contra a Violência) no Expresso. Nele, mais uma vez, se põe todo o foco na situação de risco em que as crianças vivem, como se o normal fosse o homem ser agressor.

Depois da carta assinada pelas Capazes, UMAR, APAV, etc. e do artigo de Margarida Martins, quem negar que há uma agenda anti-homens por parte de algumas feministas e organizações feministas estará a ser hipócrita. A misandria é por demais evidente. É muito comum ver feministas a gozar com as acusações e a negar qualquer ódio aos homens. Mas, quando se vê Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), escrever que os homens que defendem a guarda alternada “o que pretendem é mesmo não pagar pensão de alimentos e infernizar a vida das crianças e das mães” é muito difícil não ver aqui ódio e preconceito de género. Na parte que me toca, pessoas e organizações que se digam feministas e que não se demarquem destas tomadas de posição perdem toda a credibilidade.

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