No passado dia 29 de setembro, o Vandelli Botanical Garden, em Lisboa, recebeu o evento “Kefir: Ciência que Alimenta”. Com a ajuda de profissionais de saúde, entidades e parceiros, foi possível compreender como o mercado de Kefir em Portugal passou de nicho a fenómeno de consumo, o que define um verdadeiro Kefir e por que razão a validação científica se tornou a nova fronteira da confiança.

“Temos assistido a um interesse cada vez maior, por parte do consumidor, na sua saúde e bem-estar. Em particular na saúde digestiva”, diz Pedro Neves, Head of General Secretary Portugal da Danone, que foi o responsável por dar as boas-vindas, explicando de forma bastante clara aquele que seria o tema da manhã. “Em paralelo, temos aqui um produto, que é o Kefir, que tem acompanhado este interesse do consumidor, tem sido uma tendência. Por isso mesmo, acreditamos ser muito relevante este momento de reflexão acerca da informação rigorosa da ciência, por detrás das características que fazem de um Kefir um Kefir verdadeiro”.

Pedro Neves, Head of General Secretary Portugal da Danone

O ponto de partida: o que é, afinal, o Kefir?

Bárbara Oliveira, Nutricionista, e Pedro Brogueira, Médico especialista em doenças infeciosas e Presidente da SPIMP (Sociedade Portuguesa para a Inovação em Microbioma e Probióticos), foram as vozes por detrás do primeiro momento, que se dedicou a desmistificar a visão médica e nutricional sobre a saúde digestiva. Foi possível perceber o que é um verdadeiro Kefir, o que o distingue de um simples leite fermentado e quais os seus reais benefícios numa alimentação saudável e equilibrada. “O Kefir é feito a partir do leite. São lhe adicionados grãos de Kefir, que são uma matriz altamente complexa, formada por diversos microrganismos vivos, entre bactérias e leveduras. Uma vez adicionados os grãos de Kefir ao leite, dá-se então o processo de fermentação que é essencialmente a transformação da lactose naturalmente presente no leite, em ácido láctico e, que é o que vai dar aquela consistência e o sabor mais característico”, explica-nos Bárbara Oliveira.

Bárbara Oliveira, Nutricionista, e Pedro Brogueira, Médico especialista em doenças infeciosas e Presidente da SPIMP

Pedro Brogueira junta-se à conversa para explicar que, quando se fala no verdadeiro Kefir, existe uma grande variedade de bactérias e leveduras, uma espécie de um consórcio microbiano. “Isto é o que vai contribuir não só para as características organoléticas e densidade nutricional do alimento, como também para os efeitos que tem, depois, ao nível do organismo. Nós estamos a falar aqui de um alimento funcional, ou seja, um alimento que não se tem meramente nas suas propriedades nutricionais, nos nutrientes que o constituem, mas também nos efeitos benéficos que tem no organismo humano”, acrescenta o médico especialista.

E que benefícios são esses? Com o contributo dos dois profissionais, ficámos a saber que: existem estudos experimentais e revisões sistemáticas que introduzem o Kefir no contexto de uma alimentação equilibrada, destacando o seu impacto no controlo de algumas patologias, como a doença vascular, metabólica, a obesidade e a diabetes. De acordo com Pedro Brogueira, existe um estudo que mostra, de facto, “que os alimentos fermentados, onde se inclui o Kefir, contribuem para a diversidade microbiana do organismo, de uma forma mais rápida do que outras mudanças mais profundas na dieta”. Outro impacto positivo deste alimento é o seu contributo para a flora intestinal e, consequentemente, para o eixo intestino-cérebro. Se a microbiota do intestino é um órgão funcional, que influencia todos os êxitos metabólicos e fisiológicos do organismo, é natural que o consumidor se interesse por soluções que o possam ajudar nesse sentido.

Contudo, Pedro Brogueira deixa o alerta para a importância de um Kefir ter leveduras e não apenas bactérias: não podemos ignorar a composição. “Temos de dar informações fidedignas e bem definidas às pessoas, para que quem procura um verdadeiro Kefir, possa de facto consumir um produto com leveduras, tal como é suposto. É essencial perceber o que é que a pessoa está a consumir quando compra estes alimentos. Não podemos ignorar a composição. Só porque existe um alimento que até pode ser parecido, em termos da estrutura ou da cor, isso não significa que terá os mesmos efeitos benéficos, se não respeitar a sua constituição”, remata.

O que nos diz o consumidor

Depois da ciência e da nutrição, foi altura de perceber em que ponto se encontra o mercado e o que podemos concluir das escolhas de cada consumidor. Com os contributos de Carolina Jordão, responsável pelas áreas de clientes e estudos de impacto de mercado da Kantar Portugal; e Bráulio Gomez, Representante da 40dB, foi possível concluir que:

  • O consumidor português procura benefícios e o Kefir é o fit perfeito;
  • Já não falamos de uma tendência, mas de uma categoria estabelecida nos lares portugueses;
  • Os consumidores privilegiam propostas mais práticas;
  • O recrutamento contínuo de compradores mantém o potencial de expansão da categoria;
  • Marcas e retalhistas desempenham um papel complementar no desenvolvimento da categoria.

Carolina Jordão, responsável pelas áreas de clientes e estudos de impacto de mercado da Kantar Portugal

E porque o sucesso de um produto alimentar não depende exclusivamente das suas características objetivas, mas também de como o seu significado é socialmente construído, percebemos ainda de que forma o consumidor perceciona o termo “Kefir suave” para designar produtos com bactérias de Kefir mas sem as suas típicas leveduras. Será que existe o conhecimento de que este não tem as mesmas propriedades que um verdadeiro Kefir com leveduras? A resposta mais recorrente foi: não.

  • “Kefir Suave” é uma designação que pode induzir o consumidor em erro, não sendo clara quanto à sua diferença de composição;
  • Este erro leva, além disso, muitos consumidores a preferirem um “Kefir suave”, por acharem que se trata de um produto superior a um “Kefir”, quando isso não representa a realidade.

Ficou clara, uma vez mais, a importância da informação. Em Portugal, o segmento cresceu 39% em 2025 e pesa, hoje, 20% dos lácteos fermentados funcionais. Este crescimento tem levado à proliferação de falsos Kefires – simples leites fermentados apenas com bactérias e sem leveduras. Estes não devem ser apresentados como “Kefir Suave”, devendo ser esclarecida a sua natureza, composição e propriedades. Em alternativa, este tipo de produtos deverá apresentar-se como “leite fermentado com bactérias de Kefir”.

Bráulio Gomez, Representante da 40dB

Para que não restem dúvidas: a certificação

Para além de um evento de literacia, este foi um encontro que celebrava um outro marco: o Activia Kefir é o primeiro, e único, Kefir certificado em Portugal, pela AENOR, como uma garantia de fermentação natural, leveduras reais e rotulagem clara. Se o mercado se pode tornar confuso, com produtos que não são o que “dizem ser”, esta decisão da marca surge com um propósito muito simples: eliminar quaisquer dúvidas e dar a confiança necessária ao consumidor para saber que, quando escolhe este produto, está, de facto, a escolher o verdadeiro Kefir.

Lina Sá Pinto, Responsável da AENOR em Portugal

“A Danone procurou-nos com o objectivo de atestar que o Kefir da sua marca Activia, é um autêntico Kefir, produzido com verdadeiras bactérias e leveduras. A AENOR, como entidade independente e com um trabalho rigoroso, desenvolveu todo o trabalho de desenvolvimento de uma certificação específica para que isso pudesse ser verificado”, esclarece Lina Sá Pinto, Responsável da AENOR em Portugal, explicando que o processo de certificação se baseou em análises técnicas, laboratoriais, bem como de um trabalho ao nível de certificação de todo o processo de produção do produto. E foi assim que “chegámos à conclusão de que o compromisso que a Danone assumiu perante o mercado é verídico. A Danone é a primeira marca em Portugal a ter um Kefir certificado. E a AENOR pôde atestar isso mesmo, o que naturalmente vem dar uma grande credibilidade ao produto perante os consumidores.”.

O Activia Kefir é feito com 16 culturas vivas, entre bactérias e leveduras. A expansão da marca para este segmento foi, segundo Diogo Costa, Dairy & Marketing Director da Danone Portugal, uma evolução natural. “Activia, na evolução da Danone e do nosso portefólio, afirmou-se como a marca da saúde digestiva. Faz parte do nosso compromisso trazer saúde a um maior número de pessoas, através da alimentação, e eu diria até da ciência. Ou seja, com produtos de benefícios comprovados.”, palavras do representante, que em tudo refletem o caminho traçado até então.

Diogo Costa, Dairy & Marketing Director da Danone Portugal

Num mercado onde vemos existir uma transição na escolha de produtos essenciais para produtos funcionais – com o Kefir a ganhar um grande peso nessa realidade – a certificação surge, para a marca, como um passo indispensável. “Esta certificação ajuda-nos a garantir que o consumidor percebe aquilo que é um Kefir, dá-lhe esse rigor, transparência e confiança. Para nós, enquanto marca Activia, premeia o investimento que nós fizemos. Premeia mais de um ano de desenvolvimento que tivemos para trabalhar este produto”.

Para Diogo Costa, é um reforço da mensagem que a marca deseja passar ao consumidor: que quando está a consumir Activia Kefir, está a consumir um “verdadeiro e autêntico Kefir”.