O mais recente relatório da OCDE — Foundations for Growth and Competitiveness 2026, reconhece que Portugal tem feito progressos relevantes, mas continua a apresentar um desempenho económico aquém das economias mais avançadas, identificando fragilidades profundas: níveis de produtividade abaixo da média, pressões demográficas significativas, escassez de qualificações e um ambiente económico marcado por entraves regulatórios.

As recomendações são concretas e abrangentes. Apesar de alguma convergência recente no investimento, o país mantém um défice persistente de produtividade, refletido num nível de produto por hora trabalhada inferior ao das economias mais desenvolvidas. Aponta-se para a necessidade de reduzir barreiras regulatórias, que continuam a limitar a entrada e o crescimento empresarial. No domínio fiscal, entre as recomendações está a simplificação do sistema, criando condições mais favoráveis ao investimento e à criação de emprego. O mercado de trabalho constitui outro eixo central. Num país vincado pelo envelhecimento populacional e escassez de competências, torna-se imperativo qualificar e reforçar a formação ao longo da vida. No setor da habitação, um constrangimento crescente à mobilidade e à coesão social, limitando a capacidade de atração e retenção de talento, sobretudo dos mais jovens, a simplificação dos processos de licenciamento e o reforço da oferta de habitação são apontados como caminhos prioritários. Por fim, a transição energética e a adaptação climática exigem um reforço do investimento. Portugal continua abaixo da média da OCDE em investimento público, sendo necessário acelerar a modernização das infraestruturas, nomeadamente no transporte e na energia, e preparar o país para riscos ambientais crescentes.

É neste contexto que importa enquadrar o recente apelo do Senhor Presidente da República, António José Seguro, na sua visita oficial a Espanha, encorajando os jovens portugueses para não desistirem do país. É um apelo muito relevante. Estou certo de que os jovens não saíram de Portugal por falta de compromisso, mas por enfrentarem limitações concretas. Em matéria de atratividade, o verdadeiro desafio do país é estrutural. O crescimento de longo prazo dependerá da capacidade de Portugal em concretizar reformas que aumentem a produtividade e o potencial da economia. Por essa via, estarão criadas oportunidades reais para a fixação e atração de talento.

A AEP tem sublinhado que a competitividade da nossa economia depende, em larga medida, da capacidade de criar um ambiente favorável ao investimento, à inovação e ao crescimento empresarial. Neste sentido, a Fundação AEP, em conjunto com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, promove a primeira edição do “Portugal Nação Global”, um evento que decorrerá nos próximos dias 29 e 30 de abril no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, com dois grandes objetivos: promover Portugal no mundo, contribuindo para o alargamento do nosso espaço de negócios e de afirmação; e atrair recursos humanos e financeiros de portugueses espalhados pelo mundo, por forma a estimular o seu regresso a Portugal, trazendo consigo a mais-valia do conhecimento adquirido da sua experiência noutras partes do mundo.