A transformação é o segredo da inovação. Esta terá sido uma das conclusões mais assertivas da easypay Conference, evento dedicado à mudança e transformação, que trouxe o David Rowan, ex-Editor da WIRED UK, a partilhar histórias de verdadeira inovação, como resultado de uma viagem que fez a 19 países.

Inovação é uma palavra gasta. Todos querem inovar, muitos criam produtos ditos inovadores mas que, no fim do dia, morrem na praia…

Não quer isto dizer que o inovar esteja gasto. Muito pelo contrário. A inovação existe e deve ser estimulada, mas não se limita ao ato de criar algo. A verdadeira inovação acrescenta valor à sociedade e pressupõe que haja transformação. Transformação de comportamentos, de rotinas, de hábitos, mas essencialmente, transformação de quem lidera a empresa ou a equipa que conduz a inovação.

Na easypay Conference quisemos, ainda, mostrar o nosso exemplo de transformação. Quando começámos, há 10 anos, vínhamos resolver três desafios concretos: um tecnológico, outro de preço e um de comportamentos. Hoje transformámos não apenas a imagem, mas temos mais tecnologia para simplificar sistemas, flexibilizar processos e permitir que toda a informação dos clientes esteja agregada e conectada. No fundo, uma transformação para facilitar o uso do dinheiro digital.

Este é o caminho e disso não tenho dúvidas. As sociedades caminham no sentido de desmaterializar o dinheiro, tornando-o invisível nas nossas vidas. Temos os exemplos dos supermercados AmazonGo, que permite que os clientes possam registar a entrada com o telefone, colocar os produtos num saco e sair da loja. O sistema inteligente sabe quais os produtos que foram retirados das prateleiras, sabe quais foram repostos novamente por termos mudado de ideias, e sabe exatamente o que levamos no saco, evitando a fila de espera final para estarmos na caixa.

Soluções como estas irão existir cada vez mais, começando pelos países que estão culturalmente mais preparados para liderar essa transformação. Portugal foi, em tempos, líder nestas mudanças, com a introdução das ATM multibanco, por exemplo. Mas países como a Suécia, onde hoje apenas 19% dos pagamentos são feitos em dinheiro e onde há muitos locais que já informam os consumidores à entrada que não se aceita dinheiro, são os países que estão melhor preparados para liderar este processo de transformação.

No final do dia, esta é a informação essencial a reter: transformar para inovar. Mas isto não é possível sem esquecer o propósito inicial. Porquê que queremos inovar? Para servir melhor o cliente. A inovação e a transformação podem existir, mas só se for no sentido de dar mais ao cliente. Porque só vencem as empresas que dão o poder aos consumidores.

Sebastião Lancastre é presidente-executivo e co-fundador da Easypay.