A Associação Académica de Coimbra/OAF (AAC/OAF) vive um dos momentos mais decisivos da sua história. A campanha eleitoral que culmina nas eleições de 1 de junho será determinante para a definição do seu futuro – e representa uma escolha clara entre responsabilidade e precipitação.
Na sequência de sucessivas imprudências de gestões anteriores, tanto o OAF como a SDUQ estão insolventes. A SDUQ já executa um Plano de Recuperação homologado pelo tribunal. O OAF tem um Plano de Recuperação aprovado pelos credores, mas ainda aguarda homologação judicial, devido a um recurso pendente.
Neste exigente contexto económico-financeiro, é fundamental apresentar um projeto responsável, credível e enraizado na realidade. Exige-se uma liderança que não se esconda atrás de soluções fáceis ou perigosas fantasias.
Com o devido registo de interesses, integro a Lista B – “Seremos de Novo Briosa” –, liderada por Rui Sá Frias, atual vice-presidente financeiro do clube. Apresentamos uma proposta realista e concreta: um plano para três anos, compatível com o mandato, sem comprometer a autonomia da gestão nem contrair nova dívida.
Outrora, as campanhas eleitorais futebolísticas eram marcadas pelas promessas vãs de contratação de jogadores e treinadores-vedetas inatingíveis, suscetíveis de catapultar o imaginário dos sócios para os mais elevados patamares do firmamento. Hoje, a ilusão sofisticou-se: surgem projetos de SAD, envoltos em acordos de confidencialidade, sobre os quais os sócios nada sabem. Não se conhece o nome dos investidores, nem a sua credibilidade, o montante a investir, as contrapartidas, e muito menos as cláusulas dos acordos que se prometem vir a celebrar.
Na atual contenda eleitoral, a Lista A (“Ser Académica”) e a Lista C (“Construir o futuro”) defendem a constituição de uma SAD, aparentemente em projetos a 6 anos, que extravasam o mandato a que agora se candidatam. Pior: tanto o Dr. Joaquim Reis, como Fernando Lopes, afirmaram que se demitiriam se, uma vez eleitos, não conseguirem obter a votação de maioria de dois terços em assembleia geral deliberativa de constituição da SAD. Isto não é estratégia. É pressão.
A proposta da Lista C é particularmente alarmante. Apresenta um projeto abstrato, alegadamente com um investidor desconhecido, sem concretização das conversas realizadas, nem do capital a investir, e até admite negociar (pasme-se!) com a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra a possibilidade de o investidor adquirir a maioria – ou mesmo a totalidade – do capital social da hipotética SAD, o que viola os estatutos da AAC/OAF. Tendo, entretanto, a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra mostrado indisponibilidade em negociar qualquer alteração ao Protocolo existente. Seria a descaracterização absoluta da nossa Briosa!
Por seu turno, no debate na Casa da Académica de Lisboa, a Lista A revelou um plano de implementação de SAD constituído por 3 fases, sendo igualmente omisso quanto ao nome dos investidores em apreço. No primeiro ano de mandato (Fase 0), a gestão dependeria das receitas que a Académica obtivesse, iniciando-se os procedimentos estatutários para constituição da SAD. Nesta fase inicial, a intenção da Lista A é vender 20% do capital social da SAD, por valor residual, aos investidores sob condição de estes emprestarem dinheiro à Académica.
Nos dois anos seguintes (Fases 1 e 2), seriam lançados empréstimos obrigacionistas (!) junto de empresas da região de Coimbra, no valor total de 1,2 milhões de euros (600 mil euros/ano). Os investidores seriam remunerados pelo pagamento de juros e/ou através de acordos de publicidade. Ou seja, a Lista A propõe entregar 20% da Académica a troco de um empréstimo! Com as insolvências pendentes, é criar dívida sobre dívida! Parece moderno e sofisticado, mas seria um salto no abismo que hipotecaria o futuro da Briosa.
A nossa visão é diferente. A Lista B quer robustecer a Académica sem hipotecar a sua identidade. Apresentamos um projeto para 3 anos (estritamente limitado pelo mandato a que nos candidatamos), para dinamizar a Académica sem a condenar a mais encargos, promovendo o seu fortalecimento financeiro, através da manutenção da SDUQ e da valorização da marca, sem sacrificar a autonomia da gestão.
Mais do que investidores, a Académica precisa de parceiros, que tragam conhecimento, boas práticas de gestão, capacidade de modernização e oportunidades de negócio. Queremos atrair patrocínios, estabelecer acordos estratégicos, profissionalizar a área comercial e devolver prestígio à instituição.
A consolidação orçamental assenta em dois pilares:
- o cumprimento rigoroso dos Planos de Recuperação da SDUQ e do OAF (assim que for homologado), que implica um serviço anual de dívida exigente de cerca de 450 mil euros;
- o aumento das receitas correntes e eficiência na exploração comercial das infraestruturas da AAC/OAF.
Concretizando: num cálculo conservador, a Lista B estima aumentar as receitas no montante de 500 mil euros/ano ao longo do mandato, com excedente orçamental médio de 150 mil euros/ano. A receita total prevista ronda os 2,4 milhões de euros anuais, face a uma despesa de 2 milhões.
Para o aumento da receita, propomos:
a) o crescimento de quotização, através de novos métodos de cobrança, que facilitam o seu pagamento; área de registo online de novos sócios; presença em eventos estudantis, como a Receção ao Caloiro, a Latada e a Queima das Fitas;
b) reforçar as verbas decorrentes de patrocínios e de bilheteira: contratos já negociados e praticamente assinados de publicidade no valor adicional de 50 mil euros/ano; promoção e melhoria do evento “Dia de Jogo”; campanhas promocionais e descontos obtidos junto de parceiros (descontos em combustíveis, cinema, restaurantes);
c) potenciar mensalidades e direitos de formação, decorrentes da criação e aposta em escalões de formação de futebol feminino e reestruturação do futebol de formação;
d) expandir o programa internacional, investindo na Academia Briosa XXI e na articulação com o futebol de formação da AAC.
É evidente que a receita tem de crescer. Mas crescer pela via certa: pela credibilidade, pelo trabalho e pela recuperação da identidade da Académica. A Académica não precisa de hipotéticos salvadores nem de alegadas promessas mágicas. Precisa de um projeto sólido, responsável, que preserve a soberania dos sócios e que prepare o regresso aos campeonatos profissionais com trabalho, e não com atalhos rápidos.
Terminamos como começámos. A Académica está num momento decisivo. Ou seguimos pelo caminho fácil e arriscado do aumento da dívida, ou escolhemos o caminho responsável e sustentável da recuperação. No dia 1 de junho, escolherei o segundo. Pela Académica e por todos nós! Pois, em conjunto, seremos de novo Briosa!