Até 26 de maio, data em que o Observador, em parceria com a AEMinho, organiza a Cimeira da Indústria, desafiamos alguns especialistas a escrever sobre os desafios da economia e indústria do futuro. A entrada no evento é gratuita, mediante inscrição, que pode ser feita AQUI.

Portugal está diante de um momento decisivo que dificilmente se repetirá.

Num contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, pela fragmentação das cadeias de valor e por uma crescente incerteza económica, Portugal tem a oportunidade de ser um porto seguro para atrair investimento produtivo que recoloque a indústria como elemento-chave no desenvolvimento da economia.

Enquanto muitos países enfrentam bloqueios políticos e tensões sociais, Portugal tem estabilidade institucional, segurança e capacidade de diálogo, fatores críticos e muito valorizados pelos investidores, nacionais ou estrangeiros.

A confiança é hoje um ativo económico decisivo e estes fatores são uma vantagem competitiva diferenciadora.

A indústria tem de ter um papel central. Durante demasiado tempo, foi vista como uma herança do passado, tendo sido relegada para segundo plano, em muitos casos, por setores mais promissores, mas também mais instáveis ou sensíveis em tempos de incerteza. Os indicadores da economia portuguesa mostram que a indústria continua a ser um dos motores mais importantes da criação de riqueza, emprego qualificado, exportações e inovação.

Portugal tem condições para reforçar a sua atratividade, designadamente industrial. Tem talento, capacidade produtiva, conhecimento técnico, qualidade de vida, infraestruturas competitivas e uma localização estratégica. Tem também muitas empresas que todos os dias provam que é possível produzir em Portugal com elevados padrões de qualidade, eficiência e sustentabilidade única, na interceção da Europa, Américas e África.

A história da Tabaqueira é um exemplo disso mesmo.

Aproximando-se dos cem anos de atividade, representa um dos mais relevantes projetos industriais em Portugal. Com cerca de 1500 trabalhadores, mais de metade dos quais com menos de 35 anos, demonstra que a indústria continua a ser um espaço de futuro, inovação e valorização profissional.

O impacto da indústria vai muito além das fábricas. Só a atividade da Tabaqueira envolve mais de três mil fornecedores nacionais que fazem parte de uma cadeia de valor extensa, diversificada e enraizada em todo o país. São empresas de logística, manutenção, tecnologia, embalagem, serviços, engenharia e tantas outras áreas que crescem, inovam e criam emprego através desta dinâmica industrial.

Quando falamos de indústria, falamos também coesão territorial, de qualificação de pessoas e de capacidade exportadora. Falamos da criação de emprego estável, da fixação de talento altamente qualificado e de investimento de longo prazo.

Portugal deve olhar para a indústria como uma prioridade estratégica para a próxima década.

No atual contexto europeu, em que se discute soberania económica, autonomia estratégica e reindustrialização, Portugal pode, com as condições certas, posicionar-se como um destino de investimento particularmente competitivo.

Essas condições incluem, desde logo, estabilidade regulatória, previsibilidade fiscal e capacidade de decisão, fundamentais para que as empresas possam investir com confiança a longo prazo. A regulação é importante e deve ser equilibrada, proporcional e baseada em evidência, garantindo um enquadramento que promova a competitividade, o investimento e a inovação.

Esta oportunidade não é automática nem garantida. Exige visão estratégica, capacidade de execução e uma relação de confiança entre Estado, empresas e sociedade.

Depois do Dia da Europa, assinalado a 9 de maio, importa recordar que o projeto europeu sempre assentou numa ideia fundamental: crescimento económico e prosperidade partilhada como fatores de estabilidade social e democrática.

Num momento em que a Europa procura reforçar a sua competitividade face a outras regiões do mundo, Portugal tem de afirmar-se como parte dessa solução.

Temos talento, capacidade industrial e empresas preparadas para investir e inovar.  Precisamos de reforçar um enquadramento que permita transformar estabilidade em crescimento, confiança em investimento e ambição em desenvolvimento económico sustentável.

A indústria portuguesa tem demonstrado resiliência, capacidade de adaptação e visão de futuro. Está preparada para continuar a contribuir para a economia, para o emprego e para a modernização do país.

A questão já não é se Portugal tem condições para atrair investimento industrial, por o tem. A questão é se terá a ambição e a velocidade de execução necessárias para não deixar esta oportunidade escapar.

A Cimeira da Indústria é um evento organizado pelo Observador, em parceria com a AEMinho, e conta com o apoio institucional da Câmara Municipal de Braga. Pretende debater os desafios da indústria para o crescimento da economia em Portugal.

Co-organização

Associação Empresarial do Minho

Parceiro Institucional

Braga Transportes Urbanos de Braga Agere Semanas da Economia de Braga

Parceiros

PwC Tabaqueira Siemens Elior Derichebourg Universidade Católica BPI

Apoios

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