Mudar a horas duas vezes por ano causa alguns problemas, sobretudo às pessoas que têm mais dificuldade em ajustar os sonos. As poupanças energéticas, que foram a causa primeira da criação destes ajustes, também parecem hoje menos importantes. Por que muda então a hora?

Foi isso que o Parlamento e a Comissão Europeia pensaram. E se bem o pensaram, melhor o fizeram. A Comissão chamou os cidadãos e instituições europeias a pronunciarem-se e analisou as respostas. A larga maioria apontou para revogar o atual sistema.

Mas convém relembrar duas coisas. Primeiro, que este tipo de sondagem, de resposta facultativa e de iniciativa dos cidadãos, é à partida enviesada: os que querem a mudança serão os que mais depressa tomam a iniciativa de participar, quem está satisfeito cala-se. Segundo, se o regime atual tem inconvenientes, também a alternativa os tem, mas esses não são tão evidentes, pois não há memória do que se passava antes, quando a hora de verão não era ajustada.

A primeira falha, a do enviesamento amostral, é um erro clássico em estatística, mas mesmo assim é muito frequente. A segunda falha é clássica na retórica, e é eficaz, e por isso muito frequente: é habitual listar todos os inconvenientes de uma escolha, esquecendo as desvantagens da alternativa.

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