Recentemente, falou-se muito de propinas universitárias e de “massificar” o ensino superior. Mas tudo cheira a bazar eleitoral, sem qualquer compromisso, talvez sem qualquer efeito e, mais do que provável, sem qualquer resultado. Não vale, pois, muito a pena levar a sério estas declarações. São semelhantes às declarações repetidas de que irão começar imediatamente as obras nas escolas, desde os liceus Camões e Alexandre Herculano até ao Conservatório, que afinal continuam a degradar-se, ou de que a dimensão das turmas irá ser reduzida, e apenas o tem sido pouco a pouco e não para todas as turmas, e por aí adiante. O que é espantoso é que grande parte da imprensa leva a sério estas declarações, alinhando no ridículo de anunciar as mesmas coisas uma vez, mais outra, e mais outra, dizendo sempre que agora é que é. Passaram três anos e em muitos aspetos continuamos na mesma, ou quase na mesma.

Mas há algo que tem sido feito: reduzir o rigor e a ambição. E isso é sério. Tivemos recentemente vários exemplos de massificação do ensino, e vale a pena refletirmos sobre esses exemplos. Como testemunha direta que fui, perdoar-me-ão algumas explicações na primeira pessoa.

Entre 2012 e 2015 registaram-se duas mudanças de grande alcance no nosso sistema de ensino (e já não falo dos novos cursos profissionais no superior, os TeSP). A primeira foi a introdução do Inglês como disciplina obrigatória. Foi um progresso decisivo. Muitos não o notaram, pois tiveram Inglês enquanto estavam na escola, mas em 2011 essa língua não era obrigatória em nenhum ano de escolaridade. Tinha-se introduzido o Inglês nas chamadas Atividades de Enriquecimento Curricular, nos tempos adicionais das escolas de 1.º ciclo, mas isso nunca foi generalizado nem obrigatório. Por vezes os alunos tinham alguma exposição ao Inglês nessas atividades, muitos passavam o segundo ciclo sem contactarem com essa língua, depois recomeçavam a estudá-la no 7.º ano, os que recomeçavam. Em paralelo, a “educação cívica”, o chamado “ensino acompanhado” e a “área de projeto” claro que eram obrigatórios…

No ano letivo de 2012/2013 (DL 139/2012 de 5 de julho), introduziu-se o Inglês obrigatório nos anos 5.º a 9.º. No ano 2015/2016 (DL 176/2014 de 12 de dezembro), passaram a ser incluídos o 3.º e 4.º anos de escolaridade. Quer dizer, passou-se de uma situação em que Inglês não era obrigatório em nenhum ano de escolaridade, que era o que acontecia em 2011, apesar das grandes juras de preocupação com o ensino de línguas, para ele ser obrigatório ao longo de sete anos consecutivos, começando no 3.º ano, ou seja, com os jovens de 7 e 8 anos de idade. Imagina-se que isto será decisivo para as novas gerações, que estarão muito mais à vontade no mundo moderno. Foi uma revolução silenciosa. Tudo funcionou bem, sem atrasos ou falhas de professores, de materiais ou de salas de aula.

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