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Está no ar o Cinco Continentes, na Rádio Observador. Já sabe que é por aqui que viajamos pelo mundo para analisar a geopolítica internacional e para isso contamos sempre com o historiador Bruno Cardoso Reis. Aliás, isto já não se faz sentido, Bruno. Muito bem-vindo. Obrigado.

Olá, Bruno, bem-vindo.

Isso é vocês, obrigado.

Todos juntos.

Trabalho em equipa.

Exatamente, é isso mesmo. As eleições dos Estados Unidos já passaram. Também já avaliamos no programa da semana passada, que pode ouvir, está disponível em podcast, o impacto nos diferentes continentes da vitória de Trump. Esta semana, André Maia, falamos das nomeações principalmente relacionadas com a política externa.

É isso, porque já sabemos que Marco Rubio vai ser o chefe da diplomacia, Pete Hegseth vai chefiar a defesa, Elise Stefanik vai ser embaixadora na ONU, Tulsi Gabbard vai liderar os serviços de informações e Mike Waltz vai ser o conselheiro de Segurança Nacional. Bruno, são aqui nomes novos, o que é que nos dizem estas nomeações?

Em primeiro lugar, talvez explicar alguns destes cargos, porque nem todos eles existem em Portugal ou quando existem é numa escala muito diferente. Por exemplo, o cargo de conselheiro de Segurança Nacional. Em Portugal há esta tese esparatada de que o conselheiro diplomático do Primeiro-Ministro seria o equivalente isso, não tem nada a ver. Ou seja, ele por um lado é alguém que está fisicamente muito próximo do presidente, a par do chefe de gabinete ou da chefe de gabinete, neste caso, é a figura que está mais próxima, ou seja, está na Casa Branca junto ao presidente, sempre disponível, sempre presente para acompanhar a dimensão externa da ação do presidente nos múltiplos aspetos, ou seja, é a defesa, é a diplomacia, é o comércio, as informações, a cooperação, e tem uma vastíssima equipa de centenas de pessoas com especialistas nas últimas áreas regionais, em áreas temáticas, etc., para o ajudarem nessa tarefa. Portanto, é uma função tipicamente muito importante, mas que depende muito do grau de confiança e da real proximidade com o presidente. E aquilo que aconteceu, por exemplo, com os antecessores de Mike Waltz durante o anterior mandato de Donald Trump, entre 2016 e 2020, foi que não correu bem. O general John Bolton, por exemplo, Donald Trump teve quatro conselheiros de Segurança Nacional em quatro anos, teve sempre relações muito conflituosas que tinham muito a ver com esta questão. Ele não gosta de especialistas, não gosta que lhe digam quais são os factos. Prefere manter as suas opções, as suas prioridades muito ideológicas e, portanto, isso criou sempre relações muito tensas com anteriores conselheiros de Segurança Nacional. O Mike Waltz é alguém que à partida tem pensamento, tem reflexão sobre estes temas, tem uma experiência não só como veterano, mas já depois disso como congressista e como alguém que pensa sobre estas questões. À partida dos nomes que são conhecidos, é talvez dos mais consensuais, parece ter um perfil adequado ao lugar. A questão é saber, até porque ele vem desta linha mais moderada e portanto só mais recentemente é que se aproximou mais da linha trumpista, até que ponto é que ele terá realmente a confiança e a influência que seria necessária sobre o presidente para ser eficaz. Depois Tulsi Gabbard, por exemplo, é diretora dos serviços de informações, não é diretora da CIA. A CIA é só um de 18 serviços de informações que os Estados Unidos têm, militares, civis, enfim, outro que se tornou muito conhecido é a NSA, que faz a interceção de comunicações. Mas portanto este é um nome que está no polo oposto. Ela até não é uma republicana de origem, começou por ser uma esquerdista do Partido Democrático, com teses muito críticas sobre a ação externa dos Estados Unidos, e se tornou tão radical que ela começou a ter problemas dentro do próprio Partido Democrático. Chegou a ser candidata, aliás, às primárias do Partido Democrático, mas depois disso afastou-se do partido e começou a aproximar-se pelo extremo esquerdo do extremo direito, se quisermos, começou-se a aproximar de Donald Trump e portanto é alguém que é conhecido por reproduzir as narrativas da propaganda russa sobre a culpa da guerra da Ucrânia, da invasão russa da Ucrânia, não é das ambições imperiais de Putin, é do Ocidente, da NATO, tudo isso. É alguém que foi visitar um regime realmente genocida, que é o regime sírio do presidente Assad, responsável pela morte de centenas de milhares de civis, por bombardeamentos deliberados a hospitais, por usar armas químicas contra a sua própria população. Ela achou que era alguém que merecia diálogo e que não era um inimigo dos Estados Unidos. E portanto, é uma nomeação que está a levantar grande controvérsia, nomeadamente também porque ela não tem nenhum tipo de experiência nesta área das informações. A única coisa que se conhece dela é que realmente parece ser tão incapaz de fazer uma análise minimamente objetiva, que é uma das coisas importantes nas informações, que basicamente reproduz acriticamente narrativas de inimigos dos Estados Unidos, inimigos declarados dos Estados Unidos, como é o caso da Rússia, que tem como seu objetivo declarado minar o poder, a influência dos Estados Unidos a nível global. Depois, temos um outro nome também com alguém com evidente experiência, é uma congressista também, a Elise Stefanik, será a embaixadora nas Nações Unidas. Por que estamos a falar nisso? Porque na estrutura americana, o embaixador junto às Nações Unidas tipicamente também é ministro, portanto está ao mesmo nível Ou seja, não está dependente do secretário de Estado, que na designação americana é o nome que se dá ao ministro dos negócios estrangeiros, mas está diretamente dependente do presidente. Isto mostra também bem historicamente a importância dos Estados Unidos na criação das Nações Unidas e o investimento grande que apesar de algumas tensões, sempre fez nas Nações Unidas. Mas no caso da Elise Stefanik, a questão é que ela não é conhecida propriamente por ser uma grande fã da Organização das Nações Unidas e sobretudo parece ver a organização, dos comentários que se conhece, pelo prisma da questão de Israel e das posturas muito críticas da ONU, nomeadamente da Assembleia Geral sobre Israel. Eu até posso estar de acordo com esta ideia de que muitas vezes há muitas críticas excessivas das Nações Unidas relativamente a Israel, que depois inclusive desvalorizam quando surgem críticas mais pertinentes em alturas em que elas fazem mais sentido, como eu diria que é o caso agora, nomeadamente com a situação da população civil em Gaza, que é inaceitável. Mas no caso realmente da Elise Stefanik, apesar de tudo, eu diria que era importante ter alguém que tivesse uma visão um pouquinho mais ampla sobre o que são as missões das Nações Unidas, mas em todo caso é uma nomeação, digamos, perfeitamente aceitável, que está em linha com as ideias do presidente Trump e alguém que tem currículo, nomeadamente como congressista, com interesse por estas áreas. Depois temos o chefe da diplomacia, o chefe da defesa, o Marco Rubio, Pete Hegseth, mais uma vez dois extremos. Marco Rubio, um senador, alguém com muita experiência, muito interesse nas comissões de assuntos externos, tem um particular interesse pela América Latina, também pela sua origem, por ser da Flórida, que muitas vezes Miami é referido como sendo uma espécie de capital da América Latina. Mas independentemente disso, tem interesse também pelas alianças tradicionais dos Estados Unidos, na Ásia, na Europa, etc. Portanto, é alguém claramente preparado para as funções e corresponde ao perfil habitual para este tipo de funções. Mais uma vez, era alguém que vinha da linha republicana moderada e que depois se aproximou nos últimos anos para sobreviver politicamente ao Donald Trump. Portanto, aqui mais uma vez a questão é saber que influência real é que ele terá. O Pete Hegseth, o responsável do Departamento de Defesa. Aquilo que é curioso é que ele próprio veio dizer que o Donald Trump, no seu anterior mandato, pensou nele para ministro dos veteranos, porque é a única área na qual se conhece alguma reflexão dele. Ele é sobretudo conhecido como comentador na Fox News desde 2014, mas muito focado nesta questão dos veteranos, e muito bem, é uma questão muito importante e uma causa nobre, mas há um ministério específico para isso. A defesa nos Estados Unidos é tão gigante, há milhões de veteranos, que há ministério só para lidar com os antigos combatentes, chamaríamos nós em Portugal, com os veteranos. E lá está, Donald Trump achou que ele era demasiado verde e inexperiente para isso. Ora, entretanto, a única coisa que aconteceu foi que ele passou mais tempo a fazer comentário na Fox News. Eu não tenho nada contra comentadores serem nomeados para cargos importantes, mas a verdade é que não se conhece estudo, reflexão sobre as grandes questões da defesa, exceto também questões de nicho que não têm nada a ver com os grandes desafios da defesa para uma potência como os Estados Unidos, enormes mudanças tecnológicas, competição geopolítica muito mais intensa com potências rivais como a China ou a Rússia, tem a ver com ele não gostar das mulheres em funções de combate, diz que distraem aparentemente os colegas masculinos e, portanto, quer dizer que não devem estar lá. Ou a questão dos chamados generais woke, aparentemente há uma epidemia de wokismo entre os militares. Acho que é uma surpresa para a generalidade das pessoas. Falou em um terço de generais woke, mas inclusive associado a esta ideia de que haveria aqui uma espécie de purga desse problema dos generais woke, o que coloca problemas sérios. Ele já disse publicamente que defendia o afastamento do atual chefe do Estado-Maior General, o general Brown. Há entre o trumpismo a ideia de que se devia demitir todos os chefes de todos os ramos e fazer uma limpeza muito mais ampla entre os oficiais generais. Ora, é evidente que o poder político civil eleito tem poder nomear e demitir os comandantes militares. Agora, não deve fazê-lo de acordo com questões de simpatia ou antipatia política, mas de incompetência, de ineficiência, eventualmente até de deslealdade. E portanto, isto seria uma coisa sem precedentes na história dos Estados Unidos e seria evidentemente um sinal muito preocupante de politização. Portanto, é mais um nome que levanta aqui algumas questões sérias.

Vamos ter de esperar para perceber qual o impacto destas nomeações de Trump. E já que estivemos aqui a falar de política externa relacionada aqui com os Estados Unidos, Bruno, vamos agora às guerras e começamos na Ucrânia. No último mês, muito se tem falado da possibilidade do país se virar para o nuclear. Zelenskyy fez algumas declarações ambíguas sobre isso, que levaram mesmo a esclarecimentos do próprio e também do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano para negar essa possibilidade. Bruno, a Ucrânia voltar a tornar-se nuclear é mesmo uma boa ideia?

Eu diria que pelo menos há uma coisa que é consensual, é que foi uma péssima ideia a Ucrânia ter abdicado de um terço das armas nucleares soviéticas que tinha. A Ucrânia era, quando se tornou independente em 1991, a terceira maior potência nuclear em termos de número de ogivas no mundo, a seguir à Rússia e aos Estados Unidos. E de facto houve uma pressão enorme do Ocidente para tentar acomodar o estatuto, as preocupações de segurança da Rússia e também a questão da proliferação com isso deixar de acontecer. Foi basicamente os Estados Unidos que patrocinaram este desarmamento nuclear da Ucrânia e que pagaram também. No fundo, a Ucrânia entregou estas armas à Rússia para serem desmanteladas Em troca de uma garantia de segurança das suas fronteiras, o famoso Memorando de Budapeste, 1994, quer pela Rússia, quer pelos Estados Unidos. Evidentemente, esse memorando não foi cumprido. Isso até é legítimo, aliás, redobra a legitimidade do apoio ocidental e, em particular, dos Estados Unidos à Ucrânia. Não é só uma questão de que isso é um direito e um dever de acordo com a Carta das Nações Unidas, um país tem o direito a defender-se e os outros têm o direito e até o dever de o ajudar a defender-se de uma agressão armada, de uma invasão, de uma guerra de conquista, mas há ainda esta razão adicional e obviamente a Rússia não cumpriu tudo isso. Portanto, acho que é normal que a questão se coloque. Também acho normal que a Ucrânia negue, pelo menos até ter, mas acho que realmente, do ponto de vista de uma estratégia militar muito fria, é se calhar a opção que faz mais sentido num contexto em que a Ucrânia não pode aderir à NATO, não é realista que adira à NATO, em que deixa de ter uma garantia de segurança de apoio da parte dos Estados Unidos, em que a Europa pode continuar a dar algum apoio, mas será sempre muito mais limitado que o apoio dos Estados Unidos. À partida não há urânio, porque teve essa experiência durante muitas décadas. Tem material nuclear, tem plutónio para isso, tem uma grande estrutura de centrais nucleares e portanto, pelo menos aquelas armas nucleares mais simples, do tipo de Hiroshima, seriam relativamente fáceis de fabricar por um país como a Ucrânia. Agora, pode é criar aqui problemas, tensões com os seus aliados ocidentais, embora eu acho que francamente seria extraordinário haver uma grande oposição da parte do Ocidente com este argumento da proliferação à questão da Ucrânia fazer essa aposta quando é o próprio Ocidente que não dá condições suficientes à Ucrânia para se defender eficazmente ou para dissuadir futuras agressões russas, porque no contexto desta pressão para haver algum tipo de acordo, compromisso de cessar-fogo, e esperemos que se pense mais em cessar-fogo do que realmente num tratado que formalizasse e reconhecesse as conquistas russas, mas mesmo um cessar-fogo, de facto, tem este problema para a Ucrânia, que isso dá tempo à Rússia para se rearmar, para recuperar as suas tropas, para recrutar novos soldados e para voltar a atacar numa altura mais conveniente e portanto é fundamental ter instrumentos para dissuadir isso. Ser membro da NATO poderia ser isso, mas a questão de ter armas nucleares pode ter aqui essa função também.

Claro. Bruno, temos de acelerar nesta primeira parte. Vamos ao Médio Oriente. O governo de Benjamin Netanyahu estaria a planear oferecer um cessar-fogo no Líbano, mas apenas depois da tomada de posse do novo presidente Trump. Isto numa altura em que os Estados Unidos também anunciaram o embaixador para Israel. O que é que isto nos diz, Bruno?

Tal como no caso da embaixadora das Nações Unidas, Stephanie, que já falámos, é revelador da importância de Israel na política interna americana, que é sobretudo o que interessa a Donald Trump, que já tínhamos o nome desse embaixador, é o primeiro que nós conhecemos. Eu recordo que nos Estados Unidos há esta tradição, não é uma coisa do Donald Trump, de embaixadores políticos, o presidente não só escolhe os embaixadores, mas muitas vezes são embaixadores políticos, são figuras políticas ou ligadas ao financiamento das campanhas, etc. Mas neste caso é realmente o antigo governador do Arkansas, o republicano Mike Huckabee, que é conhecido por ser um pastor evangélico muito sionista, muito pró-Israel. Eu muitas vezes tenho sublinhado aqui isso. Não é verdade que o grande apoio a Israel nos Estados Unidos hoje em dia ao atual governo israelita seja de judeus. Há muitos judeus críticos de Netanyahu nos Estados Unidos, muitos judeus mais liberais ou mais preocupados com a democracia em Israel, etc. O grande apoio, realmente, o que faz toda a diferença, até pelo número, é muitos evangélicos conservadores que associam a existência do Estado de Israel às profecias bíblicas, à segunda vinda de Cristo, etc, e que são realmente grandes apoiantes da direita israelita e Mike Huckabee pertence a essa linha. Confirma-se esta ideia de que, pelo menos em termos de carta-branca para fazer o que entender, o governo Netanyahu tem em Trump realmente um grande aliado. E também isto mostra que outra coisa que fomos falando é que Netanyahu conhece muito bem a política americana, sabe muito bem jogar na política americana. Ele cresceu nos Estados Unidos, foi até embaixador e realmente percebe que isso seria muito vantajoso para Donald Trump, que fez uma campanha a insistir que ele traria a paz, nomeadamente no Médio Oriente, e portanto Israel podia optar por fazer um acordo mais cedo ou mais tarde. Se fizer um acordo, nomeadamente no Líbano, um cessar-fogo depois da posse de Trump, confirmando aqui estas suspeitas, que obviamente não podemos dar por certas, mas do ponto de vista político faria algum sentido e conquistaria pontos junto de Trump para Benjamin Netanyahu.

Bruno, vamos ter de fechar aqui a nossa primeira parte, mas fica aqui prometido que no início da segunda parte, vamos responder aqui uma pergunta de um dos nossos ouvintes que enviou para o e-mail ouvinte@observador.pt. Fica prometido que vai ser logo no início da segunda parte. Até lá temos notícias, mas já voltamos com a segunda parte de Cinco Continentes. Estamos de volta à segunda parte do Cinco Continentes na Rádio Observador com o historiador Bruno Cardoso Reis, que nos ajuda a analisar a geopolítica internacional. E Bruno, ficou aqui prometido que íamos ter a oportunidade de responder a uma pergunta de um dos nossos ouvintes. Já sabe que pode sempre enviar para o e-mail ouvinte@observador.pt E quem o fez foi o nosso ouvinte Manuel Dias, a quem agradecemos a mensagem, o e-mail. Ele pergunta por que Israel não anexou a península do Sinai depois de vencer a mais recente guerra com o Egito em 1973. Bruno, vamos dar resposta a isto, não é?

Sim. Agradeço muito o interesse do Manuel Dias pelo programa e também a pergunta, que aliás vinha com uma série de comentários, de informação adicional também muito relevante.

Um e-mail muito extenso e com muita informação.

Sim, mas era realmente interessante. Tentando ser sintético, é realmente uma questão interessante neste sentido: por que é que há aqui uma posição diferente daquilo que vemos na Cisjordânia e em Gaza? Ou seja, basicamente como resultado da vitória esmagadora de Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e depois também de uma nova vitória, essa já muito mais custosa, depois de um enorme susto por parte de Israel em 1973, muitas vezes até tem sido comparado, em outubro de 73, portanto a Guerra de Yom Kippur, uma falha das informações ou pelo menos as informações não terem sido devidamente em conta. Portanto, muitas vezes é comparado com o 7 de outubro, mas realmente Israel acaba por recuperar e recuperar também território no Sinai e voltar até o Canal do Suez. Portanto, por que é que há essa devolução de território, no caso do Sinai, e não, por exemplo, no caso de Gaza, que também era território administrado pelo Egito até 1967, ou da Cisjordânia, que era administrada, estava anexada à Jordânia até também 1967. Eu diria que há uma combinação de razões, realmente é uma questão que é mais complicada do que pode parecer. A resposta mais imediata é: porque houve acordo de paz com o Egito, negociações que se iniciam com o presidente Sadat, em 77, ele que aliás vai visitar Israel em 77 e depois culminam no acordo Camp David em 1979, mediado pelos Estados Unidos, começa a ser implementado a partir de 1980, e que consagra a desmilitarização parcial e portanto condiciona a presença de tropas egípcias no Sinai. A grande questão do Sinai, o que diferencia o Sinai de Gaza ou da Cisjordânia, é que não está tão associado, pelo menos, à história bíblica, aos Estados judaicos, que vão ser a grande inspiração do nacionalismo judaico, sobretudo mais à direita, e que insistem por isso que Gaza e a Cisjordânia, mas em particular ainda mais a Cisjordânia, mas mesmo Gaza, deviam ser território israelita. No Sinai, de facto, há uma dimensão bíblica muito forte, a famosa travessia do deserto, Moisés, os 10 Mandamentos e tudo isso, mas isso no fundo é uma passagem até chegarem depois às zonas onde se vão estabelecer realmente os Estados judaicos e portanto não há essa ligação. E depois, sobretudo, a utilidade do Sinai era como um tampão, basicamente duplicava o território de Israel, aliás, mas era como um tampão em relação ao Egito, a ações militares do Egito, e também, e sobretudo, possibilitar a liberdade de navegação no Golfo de Aqaba, até ao único porto que Israel tem no Mar Vermelho, ou seja, a sua ligação ideal pra Ásia, pro Índico e pro Pacífico, e que tinha sido sistematicamente bloqueado pelo Egito, ameaçado e bloqueado pelo Egito no passado. Isso é conseguido por este acordo de paz e inclusive, aliás, é curioso porque quando começa a haver uma atividade de guerrilhas jihadista importante no Sinai, em 2012, ligado ao ISIS, ou Daesh, o Egito negoceia com Israel a possibilidade de ter mais tropas, uma presença militar mais forte no Sinai pra combater essa ameaça. Portanto Israel conseguiu ter aqui um acordo de paz com o maior Estado árabe em população, o mais poderoso à partida, o mais ameaçador, conseguiu garantir a segurança de uma das suas fronteiras, a par da Jordânia, onde já havia um compromisso de facto com o rei da Jordânia, mas que só se torna público aliás anos depois. Isto é um enorme choque, aliás, uma enorme vitória diplomática pra Israel, é o primeiro grande Estado árabe que reconhece Israel e faz um acordo de paz com Israel. O Egito é expulso da Liga Árabe, que o Egito tinha ajudado a fundar durante vários anos e portanto é aqui uma grande vitória. Apesar de tudo, a questão faz muito sentido porque realmente, mesmo assim, houve pressões, houve críticas a essa cedência, sobretudo da direita israelita. É um governo Likud, é o primeiro governo Likud, aliás, que vai fazer este acordo, é a primeira vez que a direita israelita controla o governo basicamente desde a independência, mas há esta visão pragmática que isso vale a pena pra conseguir um acordo com o Egito e não é assim tão importante do ponto de vista deste nacionalismo histórico que valoriza muito mais a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Já agora, Israel tentou devolver a Faixa de Gaza nessa altura também ao Egito, porque já se percebia que seria uma zona muito complicada. Foi o Egito que recusou essa oferta, vamos dizer assim, esse presente envenenado, insistindo que isso tinha de ser negociado já com os palestinianos e não com o Egito. O Egito não tinha interesse em voltar a ser a potência administrante de Gaza.

Ora fica então respondido ao nosso ouvinte Manuel Dias, já sabe que pode enviar para ouvinte@observador.pt as suas dúvidas para o Bruno Cardoso Reis responder. Bruno, vamos falar nesta segunda parte também sobre a Cimeira da COP do Clima. Vamos até Baku, no Azerbaijão. Falamos da Conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas e que foi, podemos dizer, universalmente ignorada. Isto pode ser um sinal futuro?

Acho que é relativamente revelador. É a COP 29, portanto é a 29ª edição, sempre foi bastante criticada, mas apesar de tudo, geralmente tinha delegações importantes, presidentes, líderes importantes, procurava-se avançar com metas importantes, nada disso aconteceu. Obviamente, o presidente norte-americano não esteve, também está de saída. Sabemos que isso, do meu ponto de vista, fará uma enorme diferença. A presidência Trump tem esta vantagem, que é perceber-se como as críticas dos Estados Unidos muitas vezes eram exageradas. Agora vamos ver realmente uns Estados Unidos desinteressados da política climática. Donald Trump nomeou o ministro do Ambiente, diretor da Agência de Proteção Ambiental, que diz que a sua prioridade, em linha com o que Trump disse repetidamente, e portanto tem toda a legitimidade democrática para fazer isso, ele é o ministro do Ambiente, mas diz que a sua prioridade vai ser promover a exploração de petróleo. E obviamente, os Emirados Árabes não é um grande produtor de petróleo e gás natural, que como anfitrião declarou que o petróleo e o gás eram um bem divino. Esta teologia petrolífera, diga-se, tem alguma tradição nos países islâmicos com petrostados, em particular na Arábia Saudita, mas mostra como realmente também estes estados estão muito mais à vontade a afirmar que não vão deixar, obviamente, de extrair petróleo, nem de procurar maximizar os seus ganhos. É realmente um clima bastante adverso, estamos a falar de clima, mas um clima político bastante adverso para as causas ambientalistas, para esta visão mais radical. Só para terminar, eu sempre fui muito crítico desta ideia do degrowth, vamos decrescer, porque isso é uma coisa magnífica. Isso sempre me pareceu que era uma coisa de meninos ricos mimados. Não é obviamente atrativo todo para a generalidade da população mundial, e nunca ia acontecer. O que era preciso era encontrar soluções políticas, de financiamento e também soluções tecnológicas interessantes economicamente, um setor econômico em expansão que respondesse a estes problemas e reduzisse o seu impacto, porque a verdade é essa, por muito custoso, por muito difícil que seja lidar com este problema, ele não vai desaparecer e os custos também não vão desaparecer, pelo contrário. Eu estou aqui nos Estados Unidos, acho que até já falámos disso, por exemplo, há enormes preocupações com uma seca como nunca se viu nesta zona, onde tivemos até novembro temperaturas de 27 graus, onde durante um mês inteiro, pela primeira vez, não choveu na Pensilvânia, em Filadélfia, onde há incêndios florestais graves no estado de Nova York, Nova Jérsia, etc., em outubro e em novembro. Isso tem custos enormes, económicos, tem custos em vidas também, com eventos climáticos extremos, mas a verdade é que não se vê realmente aqui um clima político propício a grandes avanços nesta agenda, nomeadamente também com o novo presidente americano.

E Bruno, da Cimeira do Clima passamos à Cimeira da APEC, o Fórum da Cooperação Económica Ásia-Pacífico. Viajamos até o Peru, porque foi lá que aconteceu este encontro. Ora nesta cimeira temos a China e também os Estados Unidos. Como é que está a relação entre eles e qual é que é também o peso relativo na América Latina?

Esta é uma organização que é criada em 1989, tem 21 estados, a maioria da Ásia Oriental, do Pacífico Oriental, mas depois também do Pacífico Ocidental, ou seja, o Canadá, Estados Unidos e depois México, Chile e Peru, os estados latino-americanos mais abertos, mais interessados no comércio livre. É realmente uma organização que quando vamos ver os números, tem uma evidente importância, 40% da população mundial, 50% do comércio mundial, 60% do PIB mundial. Tem grandes divisões e basta dizer que tem lá as duas maiores economias, a China e os Estados Unidos, mas obviamente essas economias, esses estados, não se têm dado exatamente bem nos últimos anos. A cimeira anterior foi, aliás, em São Francisco, tem sido aproveitada para estes encontros bilaterais entre o presidente Biden e o presidente Xi, será a despedida desses encontros, mas obviamente Biden está de saída e não se dirá aqui grande coisa. Eu diria que, apesar de tudo, fazendo um balanço, a relação foi de competição comercial, geoestratégica, mas procurando respeitar certos limites, restabelecer pontos de diálogo, garantir que não havia aqui escaladas perigosas, nem equívocos, sobretudo por iniciativa da administração Biden, mas a China foi respondendo em parte e eu acho que isso é positivo, foi positivo, seria positivo que se mantivesse. É fundamental que duas grandes potências com visões muito divergentes mantenham canais de diálogo abertos e consigam nalgumas áreas, que são importantes a nível global, continuar a cooperar. Isso aconteceu minimamente. Em relação à outra dimensão disto, que é sobretudo a comercial, aqui o que eu sublinharia é que realmente, isto também marca muito a viragem para a Ásia, nomeadamente os países das próprias Américas, da América Latina. Neste momento, a China já é o principal parceiro comercial dos países da América do Sul, do conjunto da América Latina, ou seja, com a América Central, o Caribe, ainda são os Estados Unidos. A China já é o terceiro maior investidor, a seguir à Europa e aos Estados Unidos, mas por exemplo, a Europa já está em terceiro como parceiro comercial desta região e seria fundamental alterar isto, por exemplo, apostando no acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul. São países que não fazem parte da APEC, os países do arco atlântico da América do Sul, como o Brasil ou a Argentina, mas são obviamente países economicamente muito importantes e são cada vez mais grandes parceiros econômicos também da China. E se se quer competir com isso, uma das formas de fazer isso era assinar este acordo, ainda mais quando se perspetiva aqui uma possibilidade de uma guerra comercial com os Estados Unidos. Os países da América do Sul e os países da União Europeia conseguirem fazer aqui um acordo que facilitasse e aumentasse o comércio bilateral seria muito bom, e também muito bom, já agora, também para Portugal, por exemplo, poderia ter aqui o potencial para aumentar as suas exportações, por exemplo, para o Brasil, onde muitas vezes têm taxas alfandegárias relativamente pesadas.

Bruno, falando agora precisamente da China, investiu forte no país anfitrião da cimeira, o Peru, construiu nomeadamente um novo porto e queremos perceber contigo qual é o impacto disso e se está a ter o devido retorno que eles, se calhar, estavam à espera.

O crescimento do peso da China nesta região é extraordinário, como em todo lado, mas enfim, os números aqui são 18 mil milhões de comércio bilateral em 2002, quando a China adere à Organização Mundial do Comércio. Hoje em dia são 450 mil milhões. A China já é o terceiro maior investidor e tem investido muito em grandes infraestruturas muito visíveis. Este porto será o maior porto de toda a América do Sul. Tem a ambição de passar por esse porto, Xangai, 50% das relações entre a China e a América do Sul. É realmente um porto gigantesco, um enorme investimento, que pode chegar perto dos 4 mil milhões de dólares e é obviamente extremamente atrativo para países como o Peru, que nem sempre conseguem atrair grande investimento estrangeiro, que têm grandes défices de infraestruturas. Em termos de impacto de retorno, há o problema do endividamento e da pressão chinesa. Isso já se viu, aliás, nesta cimeira. O Peru recusou-se a convidar o vice-presidente de Taiwan. Taiwan, como isto é um fórum económico, também está representado. Exigiram que fosse alguém menos visível e que a China olhasse com menos aversão. Há esta questão da pressão política, do endividamento e depois também há a dúvida sobre se há realmente infraestruturas de ligação ao resto, por exemplo, da América do Sul. Há historicamente grandes problemas nas ligações entre estes países, infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, que comportem este aumento de comércio que tornaria este porto economicamente viável e interessante.

Bruno, vamos então à Europa. Viajamos até à Alemanha, que se prepara para novas eleições, que vão acontecer no dia 23 de fevereiro, nasceram no impasse quanto ao orçamento do Estado por lá. O que é que podemos esperar destas eleições?

O que as sondagens dizem, eu sei que agora de repente toda a gente se transformou em adivinho político e consegue adivinhar resultados de eleições independentemente das sondagens, mas eu acho que apesar de tudo é o dado que temos, e portanto aí a expectativa é que os partidos da atual coligação, a começar pelo SPD, de centro-esquerda, os Verdes e os Liberais, sofram aqui uma punição, uma perda eleitoral significativa, que haja uma subida significativa da direita, a começar pelo centro-direita histórico, da CDU, o partido nomeadamente da antiga chanceler Merkel, e também da AFD. Isto basicamente foi o culminar de uma morte anunciada há mais de um ano, que os problemas desta coligação se agravaram drasticamente. A Alemanha está a ser vítima da sua própria opção com a austeridade, tem um travão constitucional à despesa, isso estava a ser contornado com um fundo que tinha sido desenvolvido para a Covid, mas que estava a ser usado para outros investimentos muito necessários para infraestruturas, para novas tecnologias e inovação, onde a Alemanha está a ficar com um déficit que está a criar problemas em indústrias como, por exemplo, na indústria automóvel. Mas isso foi impedido, foi declarado ilegal pelo Tribunal Constitucional alemão há um ano e desde aí que esta coligação, que já era bastante difícil e um pouco contranatura, se tornou basicamente ingovernável e agora com a necessidade de apresentar um novo orçamento, isso revelou-se impossível. Temos aqui uma espécie de queda anunciada do governo, mas de facto numa altura péssima, nomeadamente do ponto de vista da capacidade de resposta da Europa, por exemplo, à nova presidência de Donald Trump.

Não é de todo a altura mais favorável, mas Bruno, ainda na Europa, estamos a ter eleições presidenciais na Roménia. Qual é a importância do país na União Europeia e também na NATO? Temos cerca de três minutos e meio até ao final.

É um país de que não falamos muito, mas é um país muito grande, 230 mil quilómetros quadrados, mais de quatro vezes a dimensão de Portugal. É o sexto mais populoso e com mais peso, por exemplo, em termos de votos na União Europeia, com 20 milhões de habitantes, quase. É um país vizinho da Ucrânia, é o grande país vizinho da Ucrânia a par da Polónia. Vamos ter eleições presidenciais e parlamentares em novembro e dezembro, possivelmente uma segunda volta nas presidenciais. O presidente tem alguns poderes importantes, mais do que em Portugal, na defesa e na política externa, e perspetiva-se esta possibilidade de passar para a segunda volta um candidato mais radical, mais nacionalista, mais cético em relação à União Europeia, mais cético em relação à ajuda à Ucrânia e se isso acontecer, terá um impacto importante em termos de alterar os equilíbrios no seio da União Europeia, ter aqui mais um país cético em relação à União Europeia, um pouco na linha de Órban e à Ucrânia, e ainda para mais um país vizinho da Ucrânia. Vamos ver se isso confirma ou não ou se prevalece a linha mais pró-União Europeia e pró-Ucrânia.

Bruno, temos apenas três minutos até ao final. Vamos viajar até à África, é inevitável não irmos novamente à onda de violência em Moçambique, continua. Pergunto se podemos esperar um fim desta situação brevemente e também por falar na CPLP, há outro país com novidades. A Rússia estará a enviar militares para a Guiné Equatorial. Qual é o interesse da Rússia neste país, Bruno?

Muito brevemente. A Guiné Equatorial, como sabemos, é um membro muito particular da CPLP, passou a ter o português como língua oficial, mas na verdade é o único Estado africano de língua espanhola, mas sobretudo é uma ditadura pessoal, um petroestado dominado por esta dinastia Obiang e tem aqui uma afinidade natural com estas potências autoritárias cada vez mais assertivas, nomeadamente a China e a Rússia. Falou-se muito, especulou-se muito a possibilidade de um porto militar, de uma base militar naval chinesa na Guiné Equatorial. Os Estados Unidos estariam preocupados e até teriam pedido a Portugal para perceber melhor, ajudar eventualmente nisso, devido com grande eficácia. E aqui há esta notícia também, que me parece credível, de um reforço da cooperação militar. Do ponto de vista estratégico, a Guiné Equatorial é um pequeno Estado, mas é muito rico em petróleo. Além disso, está no Golfo da Guiné, que é uma zona estratégica muito importante. Aí a CPLP obviamente não terá grande influência. Em relação a Moçambique, infelizmente confirmou-se aquilo que fomos prevendo, ou seja, uma crise violenta. Como já referimos, os resultados não são todos credíveis. Esta ideia de que depois de tantas décadas e tanta insatisfação, a FRELIMO ganhou com 70% dos votos em todas as províncias, portanto ainda melhorou os resultados em relação ao passado. Isso realmente levou muita gente a concluir que a via eleitoral para a mudança pacífica não seria possível. Temos episódios de violência sempre a lamentar, de pilhagens, aparentemente terá sido assassinado também já um dirigente da FRELIMO, o que obviamente é completamente a rejeitar. Também há alegações de abuso da força, de força excessiva por parte da polícia. Enfim, eu diria que a CPLP fez uma coisa bem, tinha uma missão liderada pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, João Cravinho, que deixou claro que havia problemas sérios com o escrutínio, com as eleições. Agora, a CPLP não vai assumir aqui um grande protagonismo, eventualmente a assumir algum país com mais preocupações democráticas seria Portugal. Eu acho que Portugal, apesar de tudo, fez bem em dizer: "Há que esclarecer estas dúvidas", mas, eu já referi isso aqui, se os moçambicanos quiserem resolver este problema, tem de ser sobretudo eles, eu diria sobretudo também apostando, por exemplo, num diálogo com os líderes religiosos, que têm uma grande presença e um grande prestígio no país, católicos, protestantes, muçulmanos, etc. Envolvendo os estados da região, alguma ação externa será sobretudo da CADC. Há uma cimeira da CADC sobre este tema, mas até agora o que ouvimos parece ir muito na linha de "o que é importante é acabar com a violência" e sobretudo também com a ameaça de greves em portos e nas fronteiras. Isso seria, por exemplo, péssimo para a África do Sul. A África do Sul depende imenso do Porto de Maputo. Eu, aliás, atravessei essa fronteira de Ressane Garcia, é a fronteira mais movimentada da África, tem quilómetros e quilómetros de camiões a irem nos dois sentidos. Mas aí realmente a lógica parece ser sobretudo vamos acabar com o conflito, vamos acabar com os problemas, até pelo impacto regional que isso teria. Não sei se isso será realmente assim, ou seja, parecia-me desejável que houvesse aqui um real diálogo, mas como eu digo, o envolvimento de potências externas será sobretudo regional e se houver algum envolvimento de Portugal, teria de ser sempre a pedido dos moçambicanos, por consenso entre as diferentes partes, e não por Portugal achar que tinha alguma palavra decisiva a dizer numa questão que é essencialmente uma questão de Moçambique.

Bruno, a nossa viagem fica por aqui, pelos "Cinco Continentes". Temos encontro marcado já no próximo sábado. Continua a aproveitar os Estados Unidos e lembramos aos nossos ouvintes que temos este e outros episódios sempre disponíveis em podcast e pode e deve enviar as suas perguntas para o Bruno Cardoso Reis. Aliás, fazer como o nosso ouvinte Manuel Dias, que enviou a sua pergunta e teve-a hoje aqui respondida neste episódio, é só enviar para o e-mail ouvinte@observador.pt. Bruno, muito obrigado, um abraço e até para a semana.

Até para a semana, Bruno. Obrigado, bom fim de semana.