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Gabriel Alves, força da técnica. Benfica a ganhar pela primeira vez na Champions League em França, uma vitória muito importante, nove pontos nesta altura, num jogo onde o Benfica andou atrás sempre do resultado, mas com Di María, tudo isto se torna, de facto, muito mais simples, mesmo contra 10 do Mónaco.

É um win of futebol, Di María. Di María, de facto, é quem resolve estes três pontos para o Sport Lisboa e Benfica. A equipa do Mónaco entrou, tal qual como se pensava que iria entrar, sufocando o Benfica, que é uma equipa de grande índice físico, de grande velocidade, futebol largo, futebol de alas, com movimentos interiores muito bem conduzidos, com Golovin, o internacional russo, a mexer em tudo aquilo que é a formação. Ele é o cérebro. E a verdade é que o Benfica sofreu. Sofreu e sofreu bem. Sofreu e depois uma arbitragem que acabou por estragar a primeira parte, naturalmente isso irá ser abordado pelo nosso companheiro de trabalho, Pedro Henriques, que não deixará certamente nada por dizer, como sempre, de forma objetiva, pragmática, concreta e real, onde o Benfica acaba por ir para o intervalo com 11 jogadores, quando poderia, eventualmente, ir só com 10. Carreras poderia ter ido dar o banho mais cedo. Qualquer das maneiras, temos uma segunda parte, que é aquilo que se pode chamar uma segunda parte de loucos. Uma segunda parte que o amante do futebol gosta.

É o futebol anárquico.

É, é o futebol Champions. Eu direi, o adepto do Benfica sofreu, o adepto do Mónaco sofreu. Mas aquilo que é o adepto do futebol, é disso que gosta.

Em casa a comer pipocas.

Exatamente, é disso que gosta, porque é de facto um jogo que tem de tudo. Tem gols anulados por fora de jogo, que podem dar ali bola no poste, que não entra e que podia dar um brinde por banda do Mónaco, que ninguém percebe como é que uma equipa que está nas Champions dá um brinde. Mas acontece. A verdade é que é isso que acontece. E depois há uma expulsão na equipa da casa e quando se pensa que o Benfica vai tirar partido disso, irão tirar partido, é o Mónaco que acaba por, com duas substituições por fazer e marcar, por fazer o Benfica sofrer. E depois temos o Benfica numa ponta final em que aparece. E aparece quando, eu próprio disse, Di María está esgotado, porque de facto já não estava. Olha, enganei-me. Enganei-me e ainda bem para o Benfica, ainda bem para o futebol português, ainda bem para Di María, porque o treinador, certamente os próprios franceses tiveram essa noção, esqueceram-se de o marcar. E Di María disse: "Gracias." E aparece na esquerda, faz um passe fabuloso. Eu acho que é um passe para se ver, rever. Eu acho que é para dar na escola do futebol, para mostrar o que é. Na escola, daquilo que ensina futebol. E muito bem Artur Cabral a fazer a resposta com o cabeceamento, tudo em força, tudo ele alma, tudo ele a voar, tudo ele águia. Bonito momento. E depois isto foi feito da esquerda para o meio. E depois Di María, que estava despercebido, foi-se lá pôr do lado direito. E chega-lhe lá outra vez a bola e exatamente faz outro passe cheio de qualidade, cheio de mel, cheio de açúcar, e aparece o jogador suíço de cabeça, que até essa altura não tinha aparecido, ou melhor, tinha aparecido pela negativa, não tinha estado em termos defensivos à altura dos acontecimentos, mas apareceu bem. Apareceu a responder ao tal lance. Mas eu quando digo que é de escola, porque Di María não tinha pressão, mas é a temporalização. A bola chega, mas ele faz tudo ali num instante. É ler, perceber quem é o jogador que pode. Aqueles olhos funcionam, quer no lance da esquerda, que dá ao Artur Cabral, quer o lance que dá o gol da vitória ao Benfica. E ele já deu indicação com os olhos onde vai meter a bola. Isto é fabuloso. E mete a bola.

É um ego.

Não, é de compêndio. Isto, como eu estou aqui a referir e volto a referir e volto a sinalizar e a sublinhar, é na realidade de escola. Tem que ir para a escola para ensinar como é que se faz. O Benfica vence. É toda uma equipa que vence, naturalmente. Havia tempos em que Maradona ganhava jogos, houve tempos em que Pelé ganhou jogos, houve tempo em que Eusébio ganhou jogos. Há tempos hoje em que é Mbappé que ganha jogos, há tempos que é o Vinicius que ganha jogos. Há sempre, de facto, aquele jogador que faz a diferença. No Benfica, há um Di María, mesmo cansado, mesmo já sem aquela frescura física, há uma coisa que ele tem: é frescura mental, frescura capaz de uma técnica soberba, de uma capacidade tática fora de série e de águia ao peito. E essa águia ao peito a fazer voar. São dois gols de cabeça, são dois gols de voo, são dois gols de Força Aérea.

Para fechar, eu acho que nem vale a pena hoje perguntar.

É a força da técnica.

Exato.

Por amor de Deus, Di María. Ponto. Não, eu acho que agarrem no jogo e vão ensinar os meninos que querem jogar futebol. Vai para a escola.

Técnica da força. É tudo Di María. No fim ao cabo, é...

Não, a força do Di María é mental e a qualidade técnica e a qualidade tática. É tudo. Olha, eu vou dizer, a técnica da força foi muito bem, foi o Artur Cabral na forma como entrou àquele lance, ao primeiro gol, porque ele entra com tudo. Entra com tudo, como quem diz: "Eu tenho que o marcar." E marcou. E tem que responder àquilo que é a qualidade do passe do Di María. Eu tenho que ficar neste lance. E isso é muito bom. É muito bom para um jogador e é muito bom para uma equipa, para um clube. E o Benfica só tem que sair disto satisfeito, sorridente, os adeptos do Benfica, naturalmente, felizes, porque isto é um jogo de Champions muito interessante. Como digo, isso foi uma montanha-russa em que saiu o Benfica, em que Di María assinou os três pontos.

Entrega então o Força da Técnica com Gabriel Alves. Fica também disponível através do podcast da Rádio Observador.