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Gabriel Alves, noite de Liga dos Campeões em que o Sporting foi até à Noruega para enfrentar um Bodø/Glimt. E nós temos a mania que sabemos cozinhar o bacalhau, que temos muita arte, mas nesta feita quem teve o trabalho e quem pescou, neste caso, foi o Bodø/Glimt, que dominou o jogo. O Sporting entrou bem no início da primeira e da segunda parte, mas de resto a equipa norueguesa conseguiu sempre ter o jogo controlado.
Boa noite. O Bodø/Glimt vulgarizou o Sporting esta noite. Estou de acordo com Rui Borges, o treinador do bicampeão nacional, quando ele fala do futebol hoje, e não só do futebol, naquilo que são as modalidades, aquilo que é o desporto, a alta competição, da exigência física. A exigência física é, de facto, muito importante. Também é importante, quando se fala de futebol, haver tal jogador diferencial, tal arte, tal energia diversa, a fantasia, aquela habilidade junto à técnica que o povo gosta de ver.
Botam os homens projetados na frente, o futebol vertical.
Exato. E que muitas vezes resolve as partidas. Tirar uma situação daqueles diria recorrente daquilo que é a intempestividade, que é a imprevisibilidade, e que só um jogador com essa capacidade de habilidade junta à técnica, tem que ter as duas coisas, consegue. Por isso são jogadores diferenciados e altamente cotados. Quanto ao Bodø/Glimt, fez aquilo que estava avisado. Eu tinha dito aqui que ele tinha 422 recuperações de bola, o que quer dizer que nessas 422 recuperações de bola, ele mostra grande capacidade, seja a que equipe for. Foi assim frente ao Manchester City, à Inter, obviamente ao Borussia Dortmund, ao Atlético de Madrid. E a verdade é que conseguiu todas essas situações, que lhe dá também depois, ao nível do passe, que é uma equipa que tem muito passe, mas é passe vertical, direto, pro fundo.
E mesmo dentro da área, se estiver muito ocupada a zona, eles conseguem trocar a bola.
Exatamente, 485 passes com 83,3% de eficácia nesse passe. Isso quer dizer que é uma equipa de alta porcentagem nessa situação. E dentro da área, ele tem 19 gols, chegou a este jogo Uma média de 1,9, com 18 dentro da área. E a verdade é que a equipa funcionou dentro da área. Uma vez mais mostrou que é essa a sua capacidade de tiro, de remate, de posição, portanto mostrou ser uma equipa coesa, uma equipa na globalidade. Sabe defender, sabe sair de zonas de defesa para ataque, ataca em coletivo e tem jogadores que fazem diferenças. As diferenças são estas: é pra equipa, na equipa, por exemplo, o Berg é um futebolista extremamente interessante nesse domínio. Depois tem dois jogadores do seu lado direito, que são o Blomberg e o Slavov. São dois jogadores que fazem, de fato, aquele que é um futebol vertical de grande qualidade e capacidade. Berg, no meio-campo, é, digamos, o homem da matéria-prima do futebol.
É o escultor da equipa.
O escultor da equipa. Portanto, uma equipa que tem bom passe, tem qualidade, tem bloco, sabe atacar e quando é pra defender, sabe fazer da defesa uma cortina quase intransponível.
Uma cortina coordenada.
Coordenada. E tem guarda-redes muito seguro, que é um guarda-redes que dá confiança a quem está à sua frente. E después tem um jogador, que eu queria dar aqui a nota, que pra mim é de facto o jogador de elite desta formação, que é o Odegaard. É um jogador que aparece em várias situações, mas sendo um jogador de alto nível, não é o jogador que nós vamos dizer: "Ah, eles vivem à conta dele." Não, a equipa vive também com ele e ele vive com a equipa, que é fundamental. Portanto, o que eu vou dizer daqui? O índice físico é importante e a equipa norueguesa mostrou esse índice físico. Mostrou índice técnico, mas ter ese índice físico não quer dizer que é técnica da força. Não, não são coisas iguais. Índice físico é uma coisa, técnica da força é outra.
Muitas vezes é folgo, sobretudo.
Técnica da tática. Muito bem trabalhada pelos noruegueses.
Ganhou completamente o meio-campo, sempre com um homem sozinho no meio-campo.
Exatamente. Técnica da tânica. E depois jogando nas laterais, sabendo fazer circular a bola. E atenção, a bola circulava e os jogadores com bola, mas também os jogadores sem bola, na criação de linhas de passe pra ruptura. E a força da técnica. Porque a verdade é esta: a força da técnica não é tu teres habilidade de fazer gingado. Nós estamos na bancada, gostamos do futebol. Não, é chegares à linha e fazeres um cruzamento com contrapeso.
O último passe. Todos sublinhamos por baixo.
Ao nível do passe, não é por acaso que tem 83,3% de eficácia. Esse passe ser preciso. Isso é força da técnica.
Uma imagem muito interessante, Gabriel. Não sei se viu aquela história daquela pessoa que vive muito junto ao estádio e que tem acesso aos treinos, e que recebeu sportinguistas, mas um dos vídeos que ele publicou no Instagram mostrava um dos momentos do treino da equipa do Bodø/Glimt, que eram todos os 22 jogadores ou todos os jogadores do plantel dentro duma área a trocar a bola numa espécie de meia, mas sempre dentro da área.
Isso é trabalhar. É trabalho terrâneo. É trabalho específico, que hoje se tem que fazer muito ao nível das modalidadeS. E já que falamos de futebol, ao nível deste esporte, que é a modalidade onde estamos tocando neste jogo com o Sporting Portanto, Rui Borges tem razão. A exigência física é importante. O Sporting não teve exigência física para responder à exigência física que lhe foi imposta pelo Bodø/Glimt, que tem força física, índice físico de alto gabarite e a abordagem ao jogo em que a equipe do Sporting nunca se entendeu com aquilo que era o futebol do Bodø/Glimt, porque o Bodø/Glimt também não deixou e vulgarizou a equipa do Sporting Clube Portugal.
Gabriel Alves, esperanças pra segunda mão desta eliminatória. Está tudo resolvido? O Bodo arrumou o assunto ou o Sporting ainda pode operar o milagre em terra de Fátima, digamos assim? Achas que podemos dizer isto?
Eu não vou pro milagre. Tal competición é algo muito sério. Naturalmente que o Sporting vai entrar com uma desvantagem bastante grande. O Bodø/Glimt vai obviamente intervir no jogo com uma vantagem também importante para ele. Mas quer uma, quer outra equipa, o Sporting tem que ter isso em atenção. A equipa norueguesa vai surgir com trabalho para sustentar este 3 x 0, sabendo de antemão que vai ter uma réplica muito forte do bicampeão nacional em sua casa. Mas o Sporting terá que mudar várias situações, vai ter jogadores que hoje não puderam estar presentes porque estavam castigados, principalmente dois futbolistas que me parecem fundamentais.
Marques Araujo.
E o Pote. Embora o Pote ultimamente não tenha tido aquela dinâmica que nos habituou, mas é um grande jogador e certamente é útil, pelo menos está à disposição do treinador para determinado tipo de missão, missão de equipa. Com jogadores, com maior banco, vamos ver esse Sporting jogando em casa com o 12º jogador, que é o mais importante também em determinada ação, que é o público, naturalmente, vai pelo menos lutar, vai competir. Agora, cada jogo tem sua história, estamos cá. Há uma coisa que é a utopia do futebol, e a utopia do futebol neste momento-
Está a ser encarnada por Bodo?
Tá sendo encarnada por Bodo, mas também na mente dos sportinguistas. Quanto ao Bodo, pois é, o Bodo vai sonhando e vai deixando a Europa de boca aberta.
Gabriel Alves, "Força da Técnica: Oitavas de Final da Liga dos Campeões." Primeira mão, o Bodø/Glimt recebeu na Noruega a equipa do Sporting e venceu por três bolas a zero. Gabriel, um grande abraço.
Boa noite a todos os observantes.