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Estamos de volta à "Guerra Traduzida" com a jornalista Diana Rosa e com as principais notícias agora dos jornais ucranianos. Começamos, Diana, com a manchete do Kyiv Independent, que diz que com Donald Trump afastado e a União Europeia complacente com o país, as reformas em território ucraniano abrandaram.

Se a guerra acelerou o esforço da Ucrânia para se juntar à União Europeia e à NATO, também tornou a Europa mais permissiva nos últimos tempos, aliviando a pressão sobre Kiev para implementar reformas cruciais, como por exemplo, livrar-se desse grande monstro no país que é a corrupção. A Ucrânia é um dos países mais corruptos da Europa. A aplicação da lei é também uma das preocupações no país. O Kyiv Independent diz que Donald Trump demonstrou pouco interesse na Ucrânia e ainda menos interesse nas reformas internas do país. A União Europeia, por seu lado, também tem sido indulgente com as reformas nas políticas e de anticorrupção. É, de resto, o que dizem vários membros do Parlamento ucraniano e da sociedade civil. Afirma este jornal que essa abordagem branda foi um tiro que saiu pela culatra, deixando os ucranianos com reformas malfeitas ou fracassadas em setores urgentes. Ainda assim, ativistas e especialistas no âmbito da corrupção, ou neste caso da anticorrupção, esperam que a integração europeia da Ucrânia funcione como um impulso para uma série de reformas cruciais. Um funcionário europeu que liderou o processo e que falou sob condição de anonimato, admitiu ao Kyiv Independent que a União Europeia foi branda com a Ucrânia antes das negociações sobre a adesão ao bloco comunitário serem aprovadas.

E Donald Trump e Volodymyr Zelensky estiveram reunidos à margem da cimeira da NATO. Antes do encontro, o presidente norte-americano disse que o líder da Ucrânia é um pouco difícil, mas é um tipo fixe.

Expressão utilizada por Donald Trump, em destaque na imprensa da Ucrânia. O presidente norte-americano diz que vai falar com o homólogo sobre a guerra, outra coisa não seria de esperar. Diz ainda que estão a ser feitos progressos relativamente a este conflito. Estava previsto que os dois líderes discutissem a compra planeada pela Ucrânia de um novo pacote de defesa, incluindo sistemas de defesa aérea, assim como sanções adicionais à Rússia e um teto internacional para o preço do petróleo proveniente precisamente da Rússia. Nestas declarações, antes do encontro, Donald Trump disse também que tem falado com Vladimir Putin, recordando que o líder russo ofereceu-se para mediar o conflito no Irão. No entanto, o presidente norte-americano disse que não, não precisa de ajuda pra falar com o Irão, mas sim pra falar com a Rússia. O encontro de hoje entre Donald Trump e Zelensky foi o primeiro desde abril, quando os dois estiveram frente a frente no Vaticano durante o funeral do Papa Francisco em Roma.

E sobre novas sanções à Rússia, Diana, sanções aplicadas pelos Estados Unidos. A Casa Branca diz que Donald Trump não está disposto a fazê-lo neste momento.

De acordo com o secretário de Estado norte-americano, Trump vai agir no momento e no lugar certo. Numa entrevista ao Politico, citada pelo New Voice of Ukraine, Marco Rubio diz que o presidente dos Estados Unidos não acompanha as exigências europeias no que toca a sanções mais rígidas contra Moscovo. Em vez disso, a administração Trump está a dar prioridade ao que chama de manter espaço para o diálogo. É uma postura que dá ao Kremlin algum oxigênio no meio de uma agressão contínua. A Casa Branca considera que se forem feitas as vontades à Europa, pode-se perder a capacidade de conversar com o Kremlin sob um cessar-fogo.

E olhando para o terreno, a cidade de Kostyantynivka, na região de Donetsk, está à beira de um desastre humanitário. Quase não há eletricidade e há interrupções no fornecimento de gás e de água.

É o que adianta o chefe da administração militar regional, citado pela agência Ukrinform. Kostyantynivka está perto do colapso. É uma zona em que a Rússia fez fortes avanços. Depois de bombardeamentos, quase metade da cidade está sem eletricidade. 1900 casas em Santorinivka, um micro distrito da cidade, continuam sem gás e atualmente é impossível restabelecer o fornecimento. Pelo menos é verão. Imaginemos esta situação no inverno. A água é fornecida uma vez por dia, entre 17h e 20h, o que representa, Luiz, apenas entre 20% a 25% da procura. Devido aos ataques de drones, o serviço de autocarros da cidade foi cancelado e a rota suburbana para Druzhkivka opera de forma limitada. Sete reservatórios e 11 tanques de água foram instalados na cidade e 12 poços estão em operação, seis dos quais equipados com sistemas de purificação. Há cinco centros de resiliência a funcionar. Apesar de tudo, médicos, trabalhadores de serviços públicos e polícias, assim como restantes autoridades estão a trabalhar na cidade, mas a Rússia está a destruir de forma sistemática a infraestrutura crítica. Neste momento, retirar dali pessoas não é apenas uma escolha, é uma questão de vida, afirma o governador.

E é assim que terminamos esta edição da "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã.