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Rádio Observador. Começa agora a Guerra Traduzida, programa em que trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo está a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, Miguel.

Começas hoje pelos jornais da Rússia e com uma notícia da agência TASS: os soldados ucranianos que se renderam em Kupyansk e em toda a região de Kharkiv podem alistar-se em unidades de voluntários compostas por ex-militares ucranianos e lutar ao lado da Rússia.

Sim, Miguel, é o que afirma Vitaliy Ganchev, chefe da administração militar civil regional. Atualmente há um batalhão de voluntários composto por ex-militares ucranianos a lutar no Donetsk, outro em Zaporizhzhia. Para o militar, essa hipótese não pode ser descartada porque não tem corrido mal até agora, com vários prisioneiros ucranianos a optarem por voluntariar-se para junto da Rússia, é pelo menos o que garante este artigo. O chefe da administração militar civil esclarece que ainda é muito cedo para discutir a participação destes prisioneiros recém-rendidos nessas unidades. Diz que, para já, têm de passar por procedimentos de triagem. Uma verificação minuciosa se o currículo que estes soldados dizem ter, por exemplo, quer seja na cozinha, ao volante de um carro, há muitos que dizem que são motoristas de um carro de combate, ou até com uma arma na mão.

Noutra notícia a marcar a atualidade, a Rússia diz que abateu 130 drones sobre regiões russas.

Foram neutralizados sobre 10 regiões do território e também da anexada península da Crimeia, o que adianta o Ministério da Defesa da Federação Russa. Por sua vez, a principal empresa energética ucraniana, a Ukrenergo, denunciou ataques russos a várias infraestruturas em três zonas, igualmente com drones, e registou danos e apagões em Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia. Voltamos aos ataques da Ucrânia. Foram quase 10 horas em que os sistemas de defesa aérea interceptaram e destruíram 130 veículos aéreos não tripulados ucranianos de asa fixa, é o que se pode ler num comunicado do Kremlin. A maioria dos drones foi abatida nas zonas de Kursk, Belgorod e Voronezh, todas essas que fazem fronteira com a Ucrânia ou, como diz a imprensa estatal russa, com a agora inimiga Ucrânia. Sete outros aparelhos do mesmo gênero foram destruídos sobre a Crimeia e 17 sobre as águas do Mar Negro. Os espaços aéreos foram encerrados, as operações de voo previstas foram suspensas nas estruturas aeroportuárias de Tambov, Gelendzhik, Krasnodar e Kaluga por questões de segurança. O objetivo das forças militares da Ucrânia é, nesta altura, dificultar os reabastecimentos do exército da Rússia e minar a capacidade do país vizinho exportar petróleo e produtos derivados, que é uma importante fonte de financiamento.

Falamos agora de um artigo do Moscow Times. Jeffrey Epstein tentou contratar o ministro russo dos Negócios Estrangeiros para transmitir uma mensagem sobre Donald Trump. Isto terá acontecido semanas antes de o presidente norte-americano se encontrar com Putin, é o que revelam e-mails que foram recentemente divulgados.

O Moscow Times pega no artigo do Politico. As mensagens estavam entre as centenas divulgadas por investigadores do Congresso esta semana. Os e-mails, obtidos depois de uma intimação do Partido Democrata ao espólio do Epstein, abrangem anos e cobrem interações com autoridades russas e outras pessoas próximas a Donald Trump. Num e-mail, a 24 de junho de 2018, Jeffrey Epstein propôs um acordo com Sergei Lavrov, por intermédio do então primeiro-ministro norueguês. Ofereceu-se, na altura, para entregar informações sobre Donald Trump e o mesmo foi proposto ao embaixador da Rússia nas Nações Unidas. Nessa altura, Epstein tecia duras críticas à forma como o presidente norte-americano tratava Vladimir Putin nas costas do presidente russo. O primeiro-ministro da Noruega comprometeu-se então a falar com o assessor de Sergei Lavrov, mas não está claro ainda se os dois chegaram a encontrar-se ou não. Fica pra próximos capítulos.

São os destaques de hoje da imprensa russa.