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Segunda parte da "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Falamos agora dos destaques da imprensa russa. Laura, o Kremlin diz que, neste momento, não está em contacto com os Estados Unidos para discutir um acordo de paz para a Ucrânia.

É precisamente o que afirma o porta-voz da presidência russa. De acordo com a Ria Novosti, Dmitry Peskov diz apenas que os contactos já estão feitos, mas recusa que estejam a decorrer negociações com Washington. O porta-voz do Kremlin assegura que, desde o encontro de Trump e Putin no Alasca, em agosto, não houve qualquer desenvolvimento sobre essa questão. Peskov garante que Moscovo continua disponível para negociar uma solução e diz não saber se os governantes americanos, que estão neste momento em Kiev, planeiam depois visitar a Rússia.

A chefe da diplomacia europeia considera que a Rússia tem sido muito criativa na resposta às sanções petrolíferas.

É o que destaca a imprensa russa da conferência de imprensa dada por Kaja Kallas, esta quinta-feira em Bruxelas. De acordo com a agência TASS, a chefe da diplomacia europeia diz que, dada a criatividade de Moscovo, a Comunidade Europeia vai agir precisamente com essa mesma criatividade. Kaja Kallas revela que está a ser discutida a possibilidade de introduzir restrições mais rapidamente. Em cima da mesa, está o avanço de sanções contra os navios que transportam o petróleo russo. A governante diz ainda que a maior parte dos ministros dos Negócios Estrangeiros europeus concordam que a União Europeia deve impor sanções o mais rapidamente possível, sem que seja preciso esperar pelo próximo pacote de restrições.

Entretanto, Laura, o primeiro-ministro húngaro pede à União Europeia que pare de financiar a máfia da guerra ucraniana.

Viktor Orbán considera que o plano de usar os activos russos congelados daria origem a longas disputas legais, a uma enxurrada de processos e ao colapso do euro. De acordo com a TASS, o primeiro-ministro da Hungria criticou Ursula von der Leyen por continuar a querer angariar dinheiro para ajudar a Ucrânia. Viktor Orbán diz que a presidente da Comissão Europeia apresentou três propostas para financiar a guerra ucraniana, que os Estados-membros contribuam com recursos dos próprios orçamentos ou que recorram a empréstimos conjuntos, ou ainda que confisquem os activos russos congelados. Quanto a esta última opção, o primeiro-ministro húngaro diz que é uma solução conveniente, mas com consequências impossíveis de prever. Diz, por isso, Viktor Orbán, que está na hora de abandonar o beco sem saída de Bruxelas.

Ainda nesta edição, Moscovo acusa a Polónia de destruir as relações bilaterais na sequência do encerramento do último consulado russo no país.

De acordo com a agência TASS, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia considera o encerramento do consulado russo em Gdansk como parte de uma política deliberada de destruição das relações bilaterais por parte da Polónia. Maria Zakharova diz que prevalece na Polónia um contexto de russofobia e acrescenta que Moscovo vai retaliar através da redução da dimensão das missões diplomáticas e consulares polacas em território russo. A decisão da Polónia de encerrar o último consulado russo no país foi anunciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros.

E fica por aqui a "Guerra Traduzida". Amanhã há mais uma edição para ouvir aqui na Rádio Observador.