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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida", edição especial com foco no conflito no Irão e hoje com a jornalista Laura Figueiredo. Boa tarde, Laura.
Boa tarde.
O Irão diz que o Estreito de Ormuz não está fechado, mas apenas com o trânsito controlado.
É o que afirma o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, que nega o encerramento do estreito. Explica que o tráfego marítimo está apenas a decorrer sob condições especiais, com as Forças Armadas iranianas a fazerem o controle da passagem. O ministro diz que a insegurança criada pelos Estados Unidos e por Israel levou o Irão a reforçar a vigilância sobre os navios que passam pelo local. De acordo com o Iran International, o responsável diz que numa situação semelhante, nenhum Estado costeiro poderia permitir que os navios inimigos se movimentassem normalmente. O ministério afirma ainda que os países que não estão envolvidos nos ataques militares contra o Irão continuam a conseguir atravessar o estreito, em coordenação com as Forças Armadas iranianas.
Laura, o Irão nega ter tentado alcançar um cessar-fogo e garante que vai continuar a resistir.
A garantia chega diretamente pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, citado pela agência Tasnim. Abbas Araghchi diz que o Irão tem passado por dias difíceis, mas com orgulho, e promete que o país vai continuar a resistir sem qualquer hesitação. O ministro acrescenta ainda que a guerra deve terminar de forma que seja impossível repetir-se.
Entretanto, a União Europeia está hoje a debater formas de manter o Estreito de Ormuz aberto.
É o que assegura a chefe da diplomacia da União Europeia. Esta manhã em Bruxelas, Kaja Kallas revelou ter falado com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para pedir uma iniciativa que permita exportar petróleo pelo Estreito de Ormuz, semelhante ao acordo que permitiu a saída de cereais da Ucrânia. A alta representante da União Europeia reiterou também que o encerramento do Estreito de Ormuz é muito perigoso para o abastecimento de petróleo, em particular para a Ásia, mas também é problemático para os fertilizantes. Kaja Kallas admitiu também que é do interesse europeu manter o Estreito de Ormuz aberto e é por isso mesmo que o tema está hoje a ser debatido.
Em resposta a Donald Trump, a Alemanha diz que não vê um papel para a NATO no desbloqueio de Ormuz.
É o que dá conta o "Times of Israel". Esta manhã em Bruxelas, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão deixou claro que não acha que a NATO tenha de tomar qualquer decisão a respeito do bloqueio do estreito. Já em Berlim, o ministro da Defesa alemão garantiu que o país não vai fornecer apoio militar para garantir a segurança do Estreito de Ormuz. Em resposta ao pedido de Donald Trump, o governante lembra que esta guerra não é da Europa. Mas as opiniões vão divergindo. Por exemplo, o homólogo dinamarquês defende que o país deve considerar com a mente aberta de que forma pode contribuir para desbloquear a navegação no estreito. Ontem, o presidente norte-americano aumentou a pressão sobre os aliados europeus para que ajudem a proteger o estreito. Donald Trump chegou mesmo a deixar um aviso à NATO. Diz que a aliança vai enfrentar um futuro muito mau se os membros não prestarem auxílio a Washington.
Laura, depois de Donald Trump ter pedido esta ajuda aos aliados para desbloquearem o Estreito de Ormuz, o primeiro-ministro britânico veio dizer que recusa permitir que o Reino Unido seja arrastado para uma guerra mais alargada no Irão.
De acordo com a Al Jazeera, Keir Starmer garante que o Reino Unido vai continuar a trabalhar para que se alcance uma resolução pacífica para o conflito. O primeiro-ministro britânico avisa que quando a guerra terminar, vai ser necessário existir algum tipo de acordo com o Irão. Starmer lembrou ainda que a reabertura do estreito não é uma tarefa simples. Estas declarações são feitas no dia em que o governo britânico anunciou um pacote financeiro de 53 milhões de libras, 61 milhões de euros, para ajudar as famílias do Reino Unido mais vulneráveis a fazer face às despesas acrescidas com energia.
Temos agora um apelo do príncipe herdeiro saudita, que pede a Donald Trump que continue a atacar o regime iraniano com força.
Uma revelação feita pelo "New York Times", num artigo que está a ser amplamente citado pela imprensa do Médio Oriente. De acordo com o jornal norte-americano, Mohammed bin Salman tem mantido contato frequente com Donald Trump e tem recomendado à Casa Branca que não reduza a pressão sobre o regime de Teerão. Um dos argumentos usados pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita é o conselho que sempre foi dado a Washington pelo tio, o rei Abdullah, que morreu em 2015 e que dizia: "Cortem a cabeça da cobra". Apesar de nas últimas semanas o Irão ter atacado vários países do Golfo, o jornal "Jerusalem Post" acrescenta que não parece estar iminente uma retaliação por parte destes países.
Vamos ainda espreitar o que se passa no terreno. Israel anunciou uma nova onda de ataques contra o Irão.
De acordo com a Al Jazeera, que cita as Forças Armadas israelitas, esta manhã Israel lançou novos ataques em larga escala contra três cidades iranianas, Teerão, a capital, Tabriz, a quarta maior cidade do país e também Shiraz, no sudeste do Irão. Ainda não há pormenores sobre as consequências destes ataques. Já quanto aos ataques iranianos contra Israel, esta manhã, não terão causado feridos, é pelo menos o que adianta o "The Times of Israel". De acordo com a mesma fonte, foi lançado um pequeno número de mísseis que terão sido interceptados ou que terão atingido áreas abertas. As sirenes soaram em todo o norte de Israel e também na região de Jerusalém, depois de ter sido revelado que o Irão estava a lançar mísseis e drones.
Entretanto, Laura, Israel está a ampliar a ofensiva terrestre no sul do Líbano.
De acordo com a Reuters, esta manhã Israel avançou para novas áreas do sul do Líbano, para onde enviou tropas para atacar posições do Hezbollah, intensificando assim a campanha contra o grupo militante apoiado pelo Irão. Esta revelação foi feita pelo porta-voz militar israelita numa conferência de imprensa. Entretanto, o ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que a operação terrestre direcionada no sul do Líbano vai continuar até que o Hezbollah deixe de representar uma ameaça para os moradores do norte de Israel.
Fica por aqui mais um episódio da "Guerra Traduzida" da Rádio Observador, edição especial dedicada ao conflito no Irão, hoje com a jornalista Laura Figueiredo.