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Está na hora de traduzir a guerra na Rádio Observador, dia 806 da invasão russa à Ucrânia. Nos próximos minutos vamos falar dos destaques da imprensa da Rússia e da Ucrânia, destaques desta sexta-feira. Vamos começar com o lado ucraniano deste conflito. Conosco em estúdio está o jornalista Rui Casanova. Rui, em destaque, Kharkiv está sob bombardeamentos desde a madrugada de hoje.
Os ataques começaram ontem à noite, duram até agora. De acordo com as autoridades ucranianas, pelo menos duas pessoas ficaram feridas, uma criança de 11 anos e uma mulher de 72. Na sequência do ataque da madrugada, houve incêndios em várias habitações, muitas ficaram danificadas. Os canais de televisão ucranianos mostram imagens dessas habitações a arder e também dos bombeiros no local a tentar conter os incêndios. Os alarmes começaram a soar à 01:00, repetiram às 3:00. Os ataques continuam, entretanto, como dizíamos há pouco.
E há pessoas a serem retiradas de Kharkiv devido a estes ataques.
Sim, a população está a ser retirada principalmente da cidade de Vovchansk e das regiões vizinhas de Kharkiv. A operação está a ser coordenada pela polícia e pelas autoridades ucranianas. É o que explica à Rádio Romdatsk, um responsável da Câmara de Vovchansk. A Ucrânia fala em bombardeamentos constantes das tropas russas, pelo que é preciso retirar os civis, uma operação que decorre ainda a esta hora. Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, já reagiu, fala numa batalha feroz em Kharkiv, mas afirma que as tropas ucranianas estão a conseguir conter as tropas russas. É o que escreve Zelensky numa publicação nas redes sociais. O Ministério da Defesa da Ucrânia informou, entretanto, que enviou reforços militares para ajudar a repelir ataques russos nas áreas fronteiriças da região de Kharkiv. É um assunto em destaque em toda a imprensa ucraniana a esta hora.
Passamos para um alerta de um comandante do exército ucraniano. Diz: "A fase mais crítica da guerra pode chegar nos próximos meses".
É o que afirma o comandante das Forças Terrestres das Forças Armadas da Ucrânia numa entrevista ao The Economist, uma entrevista citada hoje pelo jornal RBK Ucrânia. Oleksandr Pavliuk explica que, antecipando a ajuda dos Estados Unidos, a Rússia está a lançar no campo de batalha todo o equipamento que tem disponível para o combate. Adianta que as tropas ucranianas estão atualmente sem recursos e exaustas, e explica, por isso, que a Rússia vai aproveitar esta fase para atacar a Ucrânia com tudo o que tem, antes que o novo pacote de ajuda dos Estados Unidos chegue ao terreno. Avisa, por isso, este comandante que os próximos meses vão ser cruciais e que podem mesmo significar uma fase mais crítica da guerra no terreno. De recordar que a Ucrânia antecipa uma contraofensiva em larga escala precisamente para o final deste mês ou no início de junho.
Noutras notícias, também em destaque nesta guerra traduzida, a Ucrânia admite enviar 20 mil reclusos para a guerra.
É uma hipótese admitida pelo ministro da Justiça da Ucrânia numa entrevista à BBC Ucrânia. Denys Maliuska explica que, para além de um importante reforço para o exército, esta seria também uma forma de aliviar o sobrelotado sistema prisional do país. De recordar que esta semana o Parlamento da Ucrânia deu luz verde a uma proposta que prevê precisamente que pessoas condenadas por certo tipo de crimes possam ser recrutadas para o exército. Nesta entrevista, o ministro da Justiça da Ucrânia lembra que a Rússia fez algo semelhante, diz que a Rússia recrutou 50 mil reclusos para o grupo Wagner em 2022.
Destaques da imprensa ucraniana.