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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana. Nesta edição, foco no que dizem os jornais da Rússia. Faz-me companhia o jornalista José Rafael Lopes. José, vamos começar por falar da possível cimeira entre Donald Trump e Vladimir Putin. Há novidades do lado russo.

Exatamente. De acordo com a Agência TASS, a Rússia está disponível a voltar à mesa das negociações para tentar agendar uma cimeira entre Vladimir Putin e Donald Trump. É uma informação que chega através do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas russos. Peskov fala em negociações complexas que teriam de ser iniciadas e levadas a cabo em breve, mas assume que a delegação russa mantém o interesse nessa cimeira entre os dois presidentes. Ainda assim, Dmitry Peskov diz que não há uma previsão possível para uma possível data de um encontro, embora sublinhe que os Estados Unidos e a Rússia têm motivos para acreditar que uma cimeira entre os dois presidentes seria uma boa ideia. O Kremlin toma esta posição depois do presidente da Finlândia ter dito que Moscovo perdeu uma oportunidade para um encontro com os líderes da União Europeia, uma reunião onde a guerra na Ucrânia estaria em cima da mesa, bem como um possível acordo para um cessar-fogo. Esta é uma das manchetes da Agência TASS.

Já o jornal RIA tem em destaque uma notícia de uma possível rebelião na Ucrânia, que estará a ser preparada para depor Volodymyr Zelensky.

É uma longa notícia deste jornal russo. Citam uma deputada da Rada, o Parlamento ucraniano, que não foi nomeada neste artigo da RIA. Em causa está um alegado escândalo de rebelião dentro do poder executivo ucraniano, ligado ao sector da energia. No centro de tudo estará Andrey Yermak. Ele faz parte do gabinete de Volodymyr Zelensky, é chefe de gabinete do presidente ucraniano. Segundo a imprensa russa, Yermak está a criar mau ambiente dentro do poder político ucraniano e a continuidade deste homem leva mesmo a conversas sobre uma possível rebelião para depor o presidente da Ucrânia. Esta é a temática central desta notícia do jornal RIA, que surge depois de, na semana passada, ter arrancado uma operação especial de grande escala para tentar desmantelar esquemas de corrupção no sector energético da Ucrânia. Operação essa que está a ser levada a cabo pelo Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia. Na terça-feira, o Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia, isto na semana passada, já indiciou sete membros de uma organização criminosa envolvida em corrupção no sector energético, sendo Yermak um dos principais suspeitos. A falta de ação de Zelensky está a ser também apontada como a motivação para esta suposta rebelião dentro do poder ucraniano. Ainda assim, a imprensa russa não fala nem números de apoiantes, nem aponta um líder dessa suposta coligação para tentar afastar quer Yermak, quer Zelensky do poder.

José, temos ainda tempo para falar do envio de vodka para a Ucrânia. Isto numa alusão a palavras do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

São declarações citadas pelo jornal Izvestia, a dar conta de uma oposição de Viktor Orbán sobre o envio de mais ajuda militar para a Ucrânia. A imprensa russa cita uma carta que terá sido enviada a Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia. Nessa carta, Orbán terá respondido de forma negativa a um apelo da Comissão Europeia para aumentar o apoio que é dado à Ucrânia e terá mesmo dito que enviar mais equipamentos à Rússia e não à Ucrânia é equivalente a oferecer bebidas alcoólicas a um alcoólico em recuperação, sendo que a imprensa russa acabou por traduzir para a tal vodka de que falavas. Orbán respondeu dessa forma e nas redes sociais voltou a insistir no tema. Numa publicação na rede social X, voltou a mostrar-se contra o envio de mais material militar para a Ucrânia e afirmou que a Hungria não perdeu, nem vai perder o bom senso. Ainda assim, o primeiro-ministro da Hungria mostrou-se aberto a um maior poder de observação sobre o conflito, mas sublinhou que é preciso uma supervisão maior, sobretudo sobre a forma como os fundos monetários são entregues à Ucrânia.

Vamos voltar à diplomacia, porque a Rússia estará a procurar fortalecer a ligação diplomática ao Irão.

É uma notícia que está a ser avançada pela Agência TASS. Fala num fortalecer de uma amizade entre as duas nações, bem como uma relação mais próxima entre a Rússia e o Irão. Foi esse o ponto que foi defendido pelo primeiro-ministro da Rússia. Aconteceu num encontro com o vice-presidente do Irão, em território iraniano. Ele próprio assume a procura de melhorar e fortalecer a relação entre os dois países. Fala o primeiro-ministro russo em nações orgulhosas que se respeitam de forma mútua. Além de fortalecer laços diplomáticos, este primeiro-ministro russo destaca ainda os entendimentos económicos que estão a ser preparados para que ambas as economias possam crescer no futuro e aponta já para uma data, maio do ano que vem. Do lado iraniano, não há qualquer referência ao que foi dito pelo vice-presidente do Irão neste encontro entre os dois países.

Fica por aqui a "Guerra Traduzida" versão Rússia. Fica também, como sempre, disponível em podcast. Voltamos já a seguir para a segunda parte de "Guerra Traduzida".