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Seguimos com a guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos agora analisar a imprensa russa, um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, em colaboração com a Larissa Tovmasian, natural da Rússia. João, boa tarde.
Boa tarde.
Tal como na Ucrânia, também a imprensa da Rússia dá destaque à visita de Biden a Kiev.
É, a visita do presidente norte-americano à capital da Ucrânia tem também espaço em alguns jornais estatais russos, mas sobretudo no independente Meduza. O jornal centra-se nas palavras do líder da Casa Branca sobre a invasão russa. Biden refere que Vladimir Putin, quando deu a ordem para que os militares do Kremlin invadissem a Ucrânia, achou que o país era fraco e que o Ocidente estava dividido. Para o presidente norte-americano, o homólogo russo não podia estar mais enganado. O Meduza sublinha ainda a promessa da continuidade de ajuda à Ucrânia por parte de Joe Biden. Ele que diz também, e o Meduza refere isso, o jornal independente russo, que a invasão russa fez com que uma aliança de países entre o Atlântico e o Pacífico tenha sido criada.
E pra amanhã, terça-feira, dia 21 de fevereiro, está agendado o dia do discurso de Vladimir Putin na Assembleia Federal.
Um discurso que já está a ser preparado, de acordo com o porta-voz do Kremlin, citado pelo canal russo Ren. Dmitry Peskov partilha também que enquanto prepara esta mensagem, Vladimir Putin tem mantido contatos com vários ministros, deputados e que devido a estes preparativos, não há eventos públicos em Moscovo marcados para o dia de hoje, pra véspera deste discurso. Sobre o conteúdo da mensagem de Vladimir Putin, Dmitry Peskov diz que vai andar muito à roda no progresso da operação especial, o nome que o Kremlin dá à invasão da Rússia na Ucrânia, e ao desenvolvimento econômico e social russo. O discurso de Vladimir Putin na Assembleia Federal vai acontecer amanhã, ao meio-dia, hora de Moscovo, nove da manhã em Portugal continental. De acordo com o jornal Vesti, há 1500 lugares no mercado de Gostiny Dvor, em São Petersburgo, que é o local do discurso.
E no terreno, a imprensa russa noticia a fuga do Batalhão Azov da cidade de Artemovsk, também conhecida por João?
Bakhmut, em ucraniano, Artemovsk, em russo. Bakhmut, em ucraniano, tem sido palco de várias batalhas ao longo dos últimos tempos e foi uma fuga anunciada do Batalhão Azov pelo antigo membro do Conselho Supremo da Ucrânia, Ilya Kyva, citado pelo canal russo Ren. O político usou a conta pessoal na rede social Telegram para escrever que houve traições no campo de batalha e que por isso a cidade de Bakhmut caiu. Kyva refere que os militares de Kiev têm um conflito já duradouro com o Batalhão de Azov e que até os apelidam de tropas de TikTok, que é outra rede social. Bakhmut é um ponto do mapa de que Zelensky não quer abdicar. O presidente ucraniano já garantiu até que a defesa da cidade vai ser feita a todo o custo.
De hoje na Rússia, surge também a notícia de que as tropas de Moscovo conseguiram conquistar por completo uma região na cidade de Donetsk.
Conquistar ou libertar, como escreve o jornal estatal Izest. Trata-se da vila de Paraskovievka, a 9 km de Bakhmut. A conquista desta cidade foi anunciada hoje também pelo Ministério Russo da Defesa, que explica como aconteceram as manobras no terreno, tiveram ajuda de ataques aéreos. Ao mesmo tempo, o Kremlin faz as contas às perdas militares ucranianas. Mais de 115 soldados das Forças de Kiev foram mortos e também foram destruídos vários carros de combate, números do Kremlin.
E vamos terminar esta revista de imprensa russa com a notícia de um médico acusado em Moscovo por se ter recusado a participar na guerra da Ucrânia.
Denis Vasiliev pode ter de cumprir uma pena de até três anos de prisão e, se ficar provado que esta recusa teve efetivas consequências no campo de batalha, pode mesmo ficar atrás das grades 10 anos. Vasiliev é um médico militar russo, fazia parte da Frota do Norte. De acordo com o jornal RBC, tentou demitir-se do exército em setembro, mas esta tentativa acabou por ser bloqueada por estar em curso uma mobilização parcial na Rússia. O jornal cita um advogado que teve acesso ao processo e que explica que Denis Vasiliev tinha programada uma transferência da Frota do Norte para uma unidade militar russa no Oceano Ártico, mas antes dessa transferência seguir em frente, chegou uma outra ordem, a de ir pra frente da batalha na Ucrânia, uma ordem que foi de pronto recusada pelo médico, que agora foi acusado de recusar cumprir uma ordem durante a lei marcial.
E é com esta notícia que fechamos a revista de imprensa russa deste dia 20 de fevereiro, revista aqui trazida pelo João Filipe Cruz.