Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está de volta mais uma edição da Guerra Traduzida para acompanharmos toda a situação no Irão. Nos próximos minutos vamos passar em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente, bem como dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro. Viva, Carlos, boa tarde.

Boa tarde, Ricardo.

Vamos começar com a imprensa iraniana, que diz hoje que o Irão suspendeu o processo e negociação de 60 dias com os Estados Unidos.

A notícia parte de duas agências noticiosas do Irão, a Fars e a Al Mayadeen, dão conta de que Teerão terá suspendido o processo devido à ação militar de Israel no Líbano. O primeiro ponto do memorando de entendimento estipula o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e garantem a integridade territorial e a soberania de Beirute. É aparentemente um recuo que acontece horas depois de confirmadas 18 mortes no sul do Líbano, na sequência de ataques de Tel Aviv. Israel diz que foi uma resposta à morte de quatro militares israelitas que morreram em combate também no sul do Líbano. Entretanto, o ministro israelita da Segurança Nacional declarou hoje que "todo o Líbano deve arder". São palavras de Itamar Ben-Gvir na rede social X. Israel mantém os ataques e alguns países, como o Japão, já se manifestaram preocupados com o cenário de escalada em Beirute.

E Carlos, Washington ainda não se pronunciou sobre este alegado volte-face, mas certamente não estará contente.

É verdade, Ricardo. Trump foi ao longo das últimas semanas muito crítico dos ataques israelitas no Líbano, que têm ameaçado a paz no Médio Oriente. Ontem, J.D. Vance insistiu na ideia de parar com os ataques ao Líbano, refere que todos, incluindo os israelitas, têm de respeitar o memorando de entendimento. Diz que para garantir que o Hezbollah não ataque Israel, é necessário construir um quadro regional capaz de cortar o financiamento do Irão ao grupo militar libanês. Acrescenta que é preciso também garantir a soberania do Líbano, mas para isso têm de parar os ataques de Israel.

O que é certo é que estava agendado para hoje este início das negociações entre os Estados Unidos e o Irão, mas, Carlos, nada feito.

Foi cancelada esta primeira ronda depois de assinado na quarta-feira o memorando de entendimento, que só por si deu início a um período de 60 dias de discussão. Relata a CNN Internacional que os iranianos pediram garantias de que as hostilidades no Líbano acabarão. Ainda assim, o mesmo diplomata com quem a CNN falou diz que as negociações foram temporariamente suspensas. A Suíça também fala de resto em negociações adiadas e não suspensas. Já J.D. Vance tinha admitido que os Estados Unidos não se fariam representar neste encontro, mas devido a questões de logística.

Adiadas e não suspensas, sendo assim, Carlos, paira a incerteza quanto ao que pode vir a acontecer tanto no Líbano como no Irão e no estreito de Ormuz.

Exato, Ricardo. E a Reuters destaca precisamente isso na primeira página do portal na internet. Conta que alguns aliados republicanos de Donald Trump no Congresso norte-americano levantaram dúvidas sobre se o presidente dos Estados Unidos não teria cedido a mais no acordo, já a pensar nas eleições a meio do mandato em novembro. Em março, Trump prometeu que a guerra terminaria apenas com a rendição incondicional do Irão, mas a verdade é que o memorando de entendimento não diz bem isso. Desde o alívio das sanções económicas ao descongelamento dos ativos iranianos bloqueados, o acordo no Irão é mesmo visto como um ato de desespero de Trump. Apesar de o Irão considerar que sai mais beneficiado deste acordo do que os Estados Unidos, o cessar-fogo é ameaçado por este aparente abrandamento do Irão, na expectativa de que terminem os ataques no Líbano. Pode mesmo precipitar uma nova escalada e ameaçar Ormuz.

Estreito de Ormuz, Carlos, que ontem atingiu o nível mais elevado de tráfego marítimo, isto desde abril.

Vinte e cinco navios comerciais atravessaram ontem o canal, um volume cinco vezes superior à média dos primeiros 10 dias de junho e sem precedentes desde meados de abril. Os dados são da plataforma Axis Marine. Antes do início da guerra, iniciada a 28 de fevereiro, transitavam diariamente pelo estreito de Ormuz entre 100 a 140 navios. É pelo estreito de Ormuz que passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e outras matérias-primas.

15 semanas depois do início, é já possível olhar para alguns números e também algumas consequências desta guerra. Carlos, o New York Times faz isto esta sexta-feira e o cenário não é nada bonito.

Nunca é quando falamos de guerra. De facto, Ricardo, são consequências que vão muito além das fronteiras iranianas, mas vamos aos números. Mais de 3 mil iranianos perderam a vida. Em Israel, morreram 26 pessoas. Das Forças Armadas dos Estados Unidos, morreram 13 militares. Só desde 18 de março, quase um mês depois de iniciado este conflito entre Irão, morreram mais de 3700 pessoas no Líbano. O New York Times, nesta peça assinada pelos jornalistas Edward Wong e Aruni Soni, diz ainda que outros trabalhadores de países do sul da Ásia, no Golfo Pérsico, também morreram vítimas dos combates. O incidente mais grave aconteceu logo no primeiro dia do conflito, quando um ataque norte-americano atingiu uma escola iraniana, matando pelo menos 175 pessoas.

E relativamente à economia, Carlos, também é feito esse levantamento.

Exatamente. Uma estimativa de uma empresa de serviços financeiros aponta para um impacto de 132 mil milhões de dólares para os contribuintes norte-americanos. No último mês, um funcionário do Pentágono havia dito que o custo das Forças Armadas norte-americanas tinha subido para 29 mil milhões de dólares, isto sem incluir o preço das reparações em mais de uma dezena de bases norte-americanas no Médio Oriente. No total, ao nível da energia, os norte-americanos pagaram cerca de 60 mil milhões de dólares a mais por combustível desde o início do conflito. Nesta altura, os norte-americanos pagavam em média quase $3 por quase quatro litros de combustível. O preço cresceu, entretanto, $1 a cada quatro litros. O New York Times diz que esse é um custo adicional de $460 por família nos Estados Unidos.

Termina assim mais um episódio da Guerra Traduzida: Irão, desta feita com o jornalista Carlos Pedro.