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Guerra traduzida na Rádio Observador, dia 988 da invasão russa da Ucrânia. Vamos nos próximos minutos olhar para a forma como a imprensa russa e ucraniana noticiam este conflito. Começamos com a imprensa da Ucrânia. Hoje está conosco o jornalista Rui Casanova. E pra começar, Rui, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos da América continua a estar em grande destaque na imprensa ucraniana.

Se formos aos principais órgãos de comunicação da Ucrânia, encontramos muitas notícias e artigos sobre Donald Trump e a relação entre Estados Unidos e a Rússia perante esta invasão da Ucrânia. Isto numa altura em que os planos do próximo presidente dos Estados Unidos são ainda incertos, não se sabe quais serão as consequências. Daí este destaque. O jornal online Kyiv Independent tem em manchete a esta hora uma notícia que diz que Vladimir Putin e outros responsáveis políticos da Rússia terão felicitado Donald Trump pela eleição, mas não de forma direta. Este cumprimento terá sido feito por intermédio de pessoas conhecidas, e estou aqui a citar. A notícia é avançada pela imprensa estatal russa e é citada pelo jornal Kyiv Independent. É sempre interessante quando a imprensa ucraniana cita a imprensa estatal russa. Além de Vladimir Putin, também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o vice-presidente do Conselho de Segurança, Dmitry Medvedev, terão enviado felicitações a Donald Trump pela eleição nos Estados Unidos.

E recordo que quando Donald Trump venceu, o porta-voz do Kremlin disse que os Estados Unidos da América não são um país amigo e que, como tal, não havia planos para Putin felicitar Trump.

Exatamente. E agora surge esta notícia, segundo a qual esse cumprimento já aconteceu de forma indireta e, como sabemos, nada surge na imprensa estatal russa por acaso. É uma notícia também em destaque aqui na imprensa ucraniana, neste caso da Kyiv Independent. O Kremlin já fez saber que está a analisar esta informação.

Entretanto, Rui, Zelensky está na Hungria para uma reunião da Comunidade Política Europeia.

As visitas do presidente ucraniano ao estrangeiro têm sempre grande destaque na imprensa ucraniana. Hoje não é exceção. Volodymyr Zelensky chegou a Budapeste esta manhã. É uma notícia em destaque no jornal Pravda. O encontro foi criado pelo presidente francês Emmanuel Macron, foi lançado depois da invasão russa da Ucrânia como um espaço de discussão para enfrentar conjuntamente os desafios geopolíticos que surgem deste conflito. Num discurso nesta cimeira, Volodymyr Zelensky apelou aos parceiros para que forneçam mais armas à Ucrânia e não pressionem Kiev para avançar para negociações com o agressor, ou seja, a Rússia. São declarações de Volodymyr Zelensky que surgiram há pouco nesta cimeira, uma cimeira que decorre neste momento de incerteza para a Ucrânia e para a Europa, precisamente por causa da eleição de Donald Trump. Também nesta cimeira, Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, disse que pretende discutir em detalhe com os líderes europeus e também o futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a resposta àquele que tem sido o aprofundamento da cooperação russa com países como a Coreia do Norte, o Irã e a China.

"I also look forward to sit down with President Trump and to navigate how collectively we'll make sure that we face this threat and that we keep our part of the world safe".

As declarações de Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, no início desta cimeira, esta manhã. É uma cimeira com vários assuntos em cima da mesa e que fica, sem dúvida, marcada também pela eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.

E no terreno a guerra continua. Nas últimas horas houve um ataque russo a Kiev.

E passo a citar o título da notícia do canal TSN sobre este ataque: "Kiev está em chamas". O ataque da Rússia foi feito com recurso a drones durante a madrugada, provocou várias explosões nos arredores de Kiev. Houve também na capital ucraniana um incêndio, na sequência da queda de destroços desses mesmos drones. Há registro de danos em vários edifícios. Não há, para já, no entanto, informação oficial sobre vítimas. O canal TSN destaca que as autoridades aconselharam imediatamente a população a esconder-se em abrigos até que o ataque parasse. Um ataque que durou várias horas durante a última madrugada.

Mas houve também ataques a outras regiões, como Kherson e Sumy.

Sim, a imprensa ucraniana, que cita aqui as autoridades do país, destaca ataques que aconteceram nas últimas 24 horas a Kherson e Sumy. Há registro de dois mortos e 13 feridos no total, de acordo com o jornal Kyiv Independent.

Passamos para uma notícia que é uma espécie de tutorial, um tutorial de como construir drones. O governo ucraniano está a promover um projeto que tem como objetivo ensinar voluntários a construir estes aparelhos pra guerra.

Sim, é uma longa reportagem do jornal Pravda, um jornal que tem sempre em destaque este tipo de reportagens, este tipo de peças. O projeto é uma iniciativa do Ministério da Transformação Digital do governo ucraniano. Os voluntários montam drones durante a semana e testam aos fins de semana. Se estiverem funcionais, o objetivo é esse, vão para o campo de batalha ajudar os soldados. Serhi, um dos voluntários que aderiu ao projeto, explica que demora cerca de cinco horas a construir um drone. Vem em várias peças, que depois têm que ser montadas. Esta montagem passa por várias fases de controle. Há vários engenheiros experientes envolvidos no projeto para garantir que tudo é feito em segurança e com qualidade. Ania, outra voluntária, diz ao jornal Pravda que aderiu a este projeto porque queria ajudar no esforço de guerra, queria ajudar o país. Ela trabalha em marketing e diz que é a prova viva de que qualquer um pode fabricar um drone. Os voluntários dizem também que têm um sonho: organizar corridas com estes drones, ou seja, fazer uma brincadeira com estes drones quando a guerra acabar. E têm também o sonho de que os drones não precisem de ser reparados por causa de serem danificados no campo de batalha.

São destaques da imprensa ucraniana.