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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.
Boa noite.
Começamos com a imprensa russa e com o silêncio de Vladimir Putin, numa altura em que a tensão sobe entre os Estados Unidos e as várias regiões do globo.
"Venezuela, Irão, Gronelândia e Putin. Silêncio. Mesmo enquanto os seus aliados estão ameaçados". O artigo é publicado pelo Moscow Times. Putin é conhecido por aproveitar qualquer oportunidade para criticar o Ocidente e posicionar a Rússia como amiga do Sul global, mas à medida que uma série de crises internacionais têm abalado os regimes aliados de Moscovo, as respostas do líder russo têm sido tímidas ou totalmente ausentes. Ainda não se pronunciou publicamente sobre a operação de captura de Nicolás Maduro, nem sobre a defesa do Irão. Os analistas dizem que este silêncio reflecte o foco da Rússia na guerra na Ucrânia e a hesitação em provocar os Estados Unidos. O único que falou discretamente foi o Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, que afirmou que os Estados Unidos cometeram um acto de agressão armada contra a Venezuela, o que para a Rússia é preocupante. Neste artigo, os especialistas consultados concordam que o Kremlin está claramente a recorrer a uma estratégia já bastante conhecida: não dizer nada e esperar que a história desapareça dos noticiários.
Na Gronelândia, os moradores foram aconselhados a fazer provisões para cinco dias e até já foi divulgada uma nova brochura de preparação para crises.
Uma informação que consta também de um artigo do Izvestia. Apesar das promessas de não usar a força, a ameaça de Trump continua a pairar no Ártico. O governo da Gronelândia anunciou a publicação desse panfleto chamado "Preparados para crises", que tem uma série de práticas e bens recomendados para sobreviver durante cinco dias. Este novo documento foi anunciado numa conferência de imprensa esta quarta-feira, pouco depois de Trump ter prometido que não ia usar a força para anexar a Gronelândia. Para o governo groenlandês, trata-se da diligência prévia e não de algo que está a caminho, que estão a prever uma guerra. Não é propriamente isso, mas há que precaver. Entre os bens recomendados incluem-se elementos essenciais como água potável, três litros por pessoa e por dia, e a comida, que deve ser de preferência de validade duradoura para durar mais tempo. É também recomendado que se possua armas e bens para caça e pesca, para além de vários medicamentos e bens de higiene. Fontes de calor alternativas também são importantes. Falamos de uma região muito fria. Para se manterem aquecidos, o governo recomenda que usem roupa quente e mantas, botijas de água quente, para além de aquecedores que funcionem a combustível ou a gás, ou até mesmo velas. Apesar do anúncio combinar com esta ameaça dos Estados Unidos, o governante garantiu que a brochura está em desenvolvimento há bastante tempo. Foi preparada depois de uma série de apagões que afectaram o território. Uma notícia, como disse, que está no Izvestia.
Diana, o principal suspeito do assassinato do general russo Kirillov em 2024 foi condenado à prisão perpétua.
Foi definido como terrorista e extremista. Está acusado de ter cometido um ataque terrorista quando matou o tenente-general, chefe das Forças de Proteção Radiológica, Química e Biológica da Rússia. Terá matado também o assistente, o major Ilya Polikarpov. De acordo com a TASS, vai cumprir os primeiros 10 anos em regime fechado, o restante da pena numa colónia de regime especial, além de ter de pagar uma multa de 1 milhão de rublos. A imprensa russa diz que o crime foi planeado pela Ucrânia. No outono de 2024, os cabeças da operação terão enviado da Polónia para a Rússia componentes para um dispositivo explosivo improvisado, disfarçados de utensílios domésticos, e foram depois entregues ao assassino. A bomba foi instalada numa scooter elétrica perto da entrada da casa onde vivia Kirillov, depois explodiu o dispositivo remotamente.
Kiev recusa receber os ucranianos resgatados pelos militares russos. É o que afirma a Comissária para os Direitos Humanos na Rússia.
Tatiana Moskalkova explica que os cidadãos ucranianos residentes na Rússia estão alojados em centros temporários, onde recebem todo o apoio necessário e têm liberdade de movimentação. Diz que aproximadamente 50 pessoas foram retiradas da região de Sumy, literalmente resgatadas pelas tropas russas, diz esta comissária, e foram realojadas primeiro em Belgorod e depois em Oriol, regiões também fronteiriças junto à Ucrânia. Na Ucrânia, precisamente, há 12 pessoas que continuam a ser mantidas como reféns e não estão a ser devolvidas a casa, em clara violação da Convenção de Genebra, pode ler-se no artigo. Acrescenta esta responsável russa que estes cidadãos ucranianos apelam às autoridades do país para reencontrarem as famílias e amigos, mas Kiev não terá demonstrado qualquer interesse. Diz Tatiana Moskalkova que a atitude das autoridades ucranianas é surpreendente.
Fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa ucraniana.