Líderes mundiais prometeram mais de 1,15 mil milhões de euros para apoiar as vítimas da guerra no Sudão, na última conferência internacional realizada em Berlim no dia 15 de abril de 2026 – data que marcou os 3 anos do início da guerra.

Na conferência, para além dos ministros alemães, estiveram presentes representantes de 55 países e de organizações internacionais, entre os quais Kaja Kallas, vice-presidente da Comissão Europeia, e António Guterres, secretário-geral da ONU.

Antes da reunião, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, afirmou estar com esperança de conseguirem angariar mais 850 milhões de euros.

No fim, a proposta ficou definida nos 1,15 mil milhões.

De acordo com o The Guardian, os compromissos financeiros assumidos irão tentar compensar o crónico défice de financiamento humanitário em que o Sudão se encontra passados três anos em guerra.

António Guterres, no seu discurso, declarou esta guerra como um “pesadelo” ao qual é preciso pôr um fim. Também na passada quarta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas afirmou, segundo a Lusa, que a comunidade internacional não está a conseguir responder de forma favorável aos povos dos países cujas guerras não conseguiram impedir de deflagrar, nomeadamente Gaza, Líbano e Sudão: “Em nome da comunidade internacional, há um “mea culpa” que é preciso exprimir, porque a comunidade internacional tem sido muitas vezes indiferente ao sofrimento destes povos. E isso é absolutamente intolerável”.

A guerra civil no Sudão envolve o governo controlado pelas Forças Armadas Sudanesas e internacionalmente reconhecido, e o grupo paramilitar das Forças de Apoio Rápido (RSF, sigla em inglês), liderado pelo general Hemedti.

Nem as Forças de Apoio Rápido, nem o exército se deslocou até Berlim, no entanto, segundo o que adiantou o The Guardian, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Sudão (alinhado com o exército) criticou os delegados, por não terem contactado com o MNE sudanês, nem consultado acerca da reunião, acusando os países ocidentais de usarem uma “abordagem de tutela colonial” para com o Sudão.

Porém, nenhuma das partes envolvidas na guerra progride nas negociações para um cessar-fogo, o que torna o acordo de paz, tão desejado, cada vez mais distante de se realizar.

Em setembro de 2025 foi criado o Quad, um grupo de mediação internacional formado pelos Estados Unidos, o Egito, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, numa tentativa de trazer a paz ao Sudão e promover a transição política para o país. O grupo ainda propôs um cessar-fogo de três meses, porém o mesmo foi recusado pelo Governo sudanês.

Desde a sua criação que os países do Quad têm sido alvo de críticas. O chefe do Exército sudanês, Abdel Fattah al-Burhan, acusou os EUA de parcialidade no conflito e rejeitou ajudas.

Massad Boulos, conselheiro sénior dos EUA para Assuntos Árabes e Africanos – que também esteve presente na conferência – declarou que os EUA não estavam a tomar nenhum partido na guerra e que procuravam uma trégua humanitária que permitisse que a ajuda chegasse aos necessitados. Boulos acrescentou ainda que “qualquer trégua deveria conduzir a um cessar-fogo permanente”.

No exterior do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, onde decorria a reunião, aglomeraram-se centenas de manifestantes, muitos dos quais proferiam slogans contra os Emirados Árabes Unidos e o seu alegado apoio à RSF, avança o The Guardian.

O país negou a ligação com o grupo paramilitar.

Apesar de o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, ter afirmado que “o facto de que num mundo em que os recursos humanitários estão a diminuir, os participantes já terem prometido mais de 1,3 mil milhões de euros em apoio é um bom sinal”, o Sudão apresenta um alarmante défice de financiamento para fazer face aos seus enormes desafios humanitários.

Até ao momento, apenas 16 % do montante total previsto na avaliação das necessidades humanitárias para o Sudão este ano foi financiado.

Guterres apelou à cessação imediata das hostilidades, acrescentando: “A interferência externa e o fluxo de armas que alimentam esta guerra têm de acabar de uma vez por todas.” “Os parceiros têm de assumir as suas responsabilidades. Mas sejamos claros: o financiamento, por si só, não pode substituir a paz”, conclui.