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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Boa noite, Diana.

Boa noite, Beatriz.

Começamos com a imprensa da Rússia e pela manchete da agência TASS: "Trump diz que Putin acordou em não atacar Kiev e outras cidades durante uma semana".

Um pedido que foi pessoal devido ao frio extremo. O presidente dos Estados Unidos disse, na reunião do gabinete, que pediu pessoalmente ao homólogo russo, Vladimir Putin, para não disparar contra Kiev e outras cidades ucranianas durante uma semana, dadas as temperaturas negativas que atingem o país. Diz Donald Trump que Putin acedeu ao pedido, o que o deixou muito feliz, e a Ucrânia incrédula, palavras de Trump. Afirma o presidente dos Estados Unidos que foi muito simpático da parte de Putin em concordar.

E isto numa altura em que as temperaturas na Ucrânia vão descer aos 30 °C negativos, ao mesmo tempo que a Rússia tem atacado a infraestrutura energética.

A descida das temperaturas vai acontecer já nos próximos dias de fevereiro. É a previsão da Agência Meteorológica Ucraniana. A Rússia tem utilizado a descida de temperatura e o frio como uma arma contra a Ucrânia, com as Forças Armadas de Moscovo a realizarem ataques com mísseis e drones, deixando milhares de pessoas sem eletricidade e aquecimento.

Mas, Diana, o Kremlin não comenta esse possível cessar-fogo a infraestruturas de energia.

Em declarações à imprensa russa, Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, recusou-se a responder. Disse que ainda não pode tecer comentários sobre o assunto. Certo é que já antes de tudo isto, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, destacou a necessidade de se pressionar a Rússia face a estes ataques que deixaram várias cidades sem eletricidade. Diz que a Rússia está a tentar congelar os ucranianos para que se rendam. Admite a aproximação de uma catástrofe humanitária.

E o conselheiro do presidente russo reforça o convite do Kremlin a Volodymyr Zelenskyy para que vá a Moscovo ter uma reunião com Putin. Assegura que a segurança do presidente ucraniano vai ser garantida.

O convite é de Pavel Zarubin. Já ontem o Kremlin tinha dito que sim, Putin estava disposto a negociar cara a cara com Zelenskyy, mas para isso tinha de ir a Moscovo. Hoje reitera e diz que as condições necessárias vão ser garantidas. A Ucrânia já tinha dito que não vai ao Kremlin.

E ainda, Diana, a NATO está a preparar-se para um conflito com a Rússia, é o entendimento da diplomacia russa.

Na voz do director do Departamento de Assuntos Europeus do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, é o que adiantam as agências estatais. Diz o diplomata russo, e cito: "Actualmente, a Rússia é definida como uma ameaça à segurança mais significativa e directa em todos os documentos doutrinários da NATO, visto que o bloco enfatiza que ela vai continuar a ser uma ameaça a longo prazo, mesmo que o conflito na Ucrânia seja resolvido". Ora, mediante esta opinião, a Rússia acredita que é difícil retomar o diálogo, acredita ou difunde que a NATO está mesmo a preparar-se para um conflito directo com a Rússia, face ao aumento de gastos militares, ao fortalecimento das capacidades ao longo das fronteiras com a Rússia e à implantação de missões e operações adicionais no leste europeu.

E fica por aqui a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir com a imprensa ucraniana.