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"Guerra Traduzida", agora com os destaques da imprensa russa, com a ajuda do Vasco Maldonado Correia. Vasco, a imprensa de Moscovo também dá destaque à eventual ida às urnas na Ucrânia e destaca um possível candidato de oposição a Zelensky.
"O principal rival de Zelensky está a ganhar força e o exército já está do seu lado" é um dos títulos da publicação KP. Falamos de Valery Zaluzhny, ex-comandante das Forças Armadas Ucranianas e atual embaixador no Reino Unido. Garante a KP que Zaluzhny está a tornar-se cada vez mais popular, garante que se as eleições presidenciais fossem hoje, 90% dos soldados votariam no antigo comandante. Isto apesar de o próprio já ter afirmado não ter ambições políticas. A KP cita também o Le Point, que escreve que enquanto Washington pede a Kiev para realizar eleições o mais rápido possível, Valery Zaluzhny está a começar a polir a imagem para o público. O jornal russo garante que Zelensky já está preocupado com a situação e com a crescente popularidade do ex-militar, ele que só admite falar em eleições quando chegar ao fim o conflito com a Rússia.
Vasco, importa, por isso, perceber melhor quem é esta figura que pode causar dores de cabeça a Volodymyr Zelensky.
Estamos a falar, como dizia, do embaixador ucraniano no Reino Unido. É descrito como uma das figuras mais importantes de Kiev desde o início da guerra na Ucrânia. Foi demitido do cargo de chefe das Forças Armadas em fevereiro do ano passado. Foi substituído pelo general Oleksandr Syrskyi. De acordo com a imprensa internacional, as tensões entre Zaluzhny e Zelensky arrastaram-se durante meses, antes de Zelensky o ter afastado deste posto e os dois terão entrado em conflito sobre as estratégias de guerra do general e também o desafio da mobilização em massa. As sondagens internas obtidas pela revista The Economist indicam que, apesar de Zelensky continuar a ser o político mais popular da Ucrânia, perderia mesmo uma futura eleição presidencial para Zaluzhny. Essa imagem foi realizada a seguir ao episódio tenso registrado na Sala Oval da Casa Branca entre Zelensky, Donald Trump e JD Vance.
E a imprensa russa dá esta segunda-feira destaque também ao acordo de exploração de minerais entre Estados Unidos e Ucrânia e compara-o mesmo à exploração colonial em África.
É o que se pode ler na agência estatal russa. A última proposta caiu por terra depois do episódio de que falávamos aqui na Casa Branca. Para a Agência TASS, a ser assinado, este acordo é semelhante aos acordos penais que os colonizadores europeus fizeram com os povos da África. O artigo cita também a Bloomberg, escreve que o acesso dos Estados Unidos aos recursos do subsolo ucraniano está a assumir uma forma digna da exploração do Congo pela Bélgica no século 19, sem oferecer à Ucrânia quaisquer garantias de segurança. O novo projeto de acordo obriga, por exemplo, Kiev a reembolsar mais de 120 mil milhões de dólares de ajuda através de um fundo especial. Os Estados Unidos vão obter o controle de metade das reservas de petróleo e gás da Ucrânia, de todos os metais e da maioria das infraestruturas, incluindo caminhos de ferro, portos, oleodutos e fábricas. A ser assinado o acordo, os Estados Unidos recebem todas as contribuições de receitas até que Kiev reembolse pelo menos 100 mil milhões de dólares com uma sobretaxa de 4%. Só então a Ucrânia começa a receber metade da partilha de receitas.
E Dmitry Medvedev considera que os mísseis russos são a melhor cura para o que chama de russofobia.
Uma condição que, vale a pena explicar ao detalhe, para o antigo presidente e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, a russofobia resulta de um exagero afetivo bipolar da influência da Rússia na vida da Europa e dos europeus e que alterna entre fases maníacas e fases depressivas, diz Medvedev. Relembra o antigo presidente russo que vários políticos europeus sucumbiram a esta doença, tais como Emmanuel Macron, Keir Starmer, que atravessam a fase maníaca que se manifesta com a tendência para provocar e atacar adversários mais fortes. Já a fase depressiva, diz Medvedev, de que sofrem neste momento Ursula von der Leyen, Kaja Kallas ou o próprio Zelensky, é marcada por tristeza e, diz o antigo governante, é mais frequente em mulheres. São declarações de Dmitry Medvedev no canal pessoal no Telegram. Ele explica também que para ficarem curados, os medicamentos tradicionais são ineficazes. Começa então a elencar a melhor terapia, os mísseis russos Kalibre, Onyx, Iskander ou Oreshnik.
E fica por aqui mais um episódio da "Guerra Traduzida". Estamos de regresso amanhã.