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Guerra traduzida na Rádio Observador, hoje com o jornalista José Rafael Lopes e vamos falar sobre o que está em destaque na imprensa russa e começar com os efeitos da guerra no Irão no resto do mundo.
É um dos temas em destaque na agência de notícias estatal da Rússia. Há duas manchetes a abordar precisamente os efeitos da guerra na Rússia, mas sobretudo sobre os efeitos da guerra no Irão, na Rússia, mas também sobretudo no mundo. A primeira manchete dá conta do corte na produção de petróleo em vários dos países envolvidos no conflito, sobretudo no Iraque, onde os níveis de produção baixaram mais do que nos restantes países que têm na exportação de petróleo uma elevada fonte de rendimento. A imprensa russa destaca que esta tem sido uma tendência verificada em várias nações, mas com a ressalva de que a produção russa, quer de gás, quer de petróleo, continua sem qualquer tipo de dificuldade. E como tal, diz a imprensa russa, não há risco de inflação ou subida de preços dentro do território russo. A segunda notícia em destaque sobre a guerra do Irão na imprensa russa envolve o Estreito de Ormuz. É um artigo em que se explica a importância desta passagem e como o mercado do petróleo fica afetado com o fato do Estreito de Ormuz estar fechado e os navios petroleiros não poderem passar. Estas são as únicas referências ao conflito no Irão que fazem parte dos artigos na Agência TASS no dia de hoje, mas que chegou ao ponto de ser manchete na imprensa russa.
E José, o Ministro dos Negócios Estrangeiros deu uma conferência de imprensa em que sublinha as dificuldades para chegar a um acordo de paz com a Ucrânia.
Sendo que Sergey Lavrov coloca todas as culpas no regime de Kiev. Esta conferência de imprensa, a partir de Moscovo, está presente em toda a imprensa russa. Lavrov abordou vários temas com a guerra da Ucrânia a ser puxado para título e tema principal em todos os artigos. Vamos começar por falar sobre a forma como a Agência TASS abordou esta conferência de imprensa. Há um longo artigo com vários parágrafos em que cada um é a resposta de Lavrov sobre um determinado tema. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia falou da guerra na Ucrânia, da União Europeia, do Irão, da Faixa de Gaza e ainda um tema mais incomum que é a relação entre a Rússia e o Quénia, com destaque sobretudo para o que disse sobre a Ucrânia e a Europa. Sobre o regime de Kiev, há uma clara culpabilização de Zelensky e da Ucrânia pelos problemas que surgem nas conversas para tentar chegar a um acordo de paz. Já sobre a Europa, Sergey Lavrov fala num arrependimento geral europeu por se terem envolvido na guerra e diz o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia que estes efeitos do conflito se sentem sobretudo na Europa e na Ucrânia e que a Rússia, apesar de estar também a ser afetada, não está a sofrer tantas represálias como os países do bloco europeu.
Mas como dizias, José, há mais jornais a fazer eco destas declarações.
Com artigos mais pequenos em que se focam apenas nas palavras de Sergey Lavrov sobre a Ucrânia e a Europa. É o caso do Izvestia e também do KP, que dão destaque ao que disse o governante sobre a situação de Kiev. Têm todos a mesma citação, onde Lavrov diz que a Ucrânia tenta sabotar todas as negociações e conversas entre os dois lados na procura de um acordo de paz. O KP tem mesmo a palavra sabotagem em primeiro plano, é o artigo mais pequeno, mas dá conta do que disse Sergey Lavrov sobre a Ucrânia e a posição europeia que se mantém, apesar das dificuldades que se fazem sentir na União Europeia. Já o Izvestia dá maior contexto sobre as negociações. Lembra os acordos com três partes no Médio Oriente. Na altura, juntaram-se delegações dos Estados Unidos, da Ucrânia e dos Estados Unidos, mas nada foi conseguido, no entender de Sergey Lavrov, devido à ausência de vontade por parte do lado ucraniano e são essas declarações que acabam por estar depois em destaque na manchete da imprensa russa. Lavrov conseguiu conquistar as manchetes, o que acaba por não ser propriamente complicado, uma vez que ele é ministro do governo de Vladimir Putin e cada vez que um membro do governo fala, acaba sempre por ter eco na imprensa russa.
Ainda o impasse num possível encontro entre delegações russas e ucranianas que está em destaque na imprensa russa.
Embora para já as informações sejam muito escassas, informações de qualquer tipo. O artigo da TASS vai nesse sentido. Escreve a agência estatal que não há qualquer informação mais recente, ou que seja uma novidade, sobre uma nova ronda de negociações entre a Ucrânia e a Rússia. No fundo, diz a TASS que não há notícias sobre um possível encontro entre delegações russas e ucranianas e que a possibilidade de tal acontecer em março terá caído por terra. A agência cita uma fonte em Ancara, na Turquia, e ressalva que, apesar da ausência de informações, o governo turco mantém-se adamante como um possível ponto de encontro para negociações, mas para já ainda nada está marcado e não há no horizonte essa possibilidade.
José, falamos ainda das doações do Partido Rússia Unida.
Um tema incomum na imprensa russa, mas a verdade é que o partido, liderado por Putin e no poder há vários anos na Rússia, levou a cabo uma doação de material a um grupo de forças de autoridade. A RIA dá conta dessa doação, helicópteros e veículos todo-o-terreno para combatentes. Além do partido de Vladimir Putin, a Fundação Veteranos de Operações Militares Especiais e Operações Antiterroristas também se juntou nesta doação. Houve todo o evento para a cerimónia, que decorreu em Rostov, uma cidade perto da fronteira entre a Rússia e a Ucrânia. Há também um comunicado que acompanha esta notícia, onde se pode ler que esta ação do Partido Rússia Unida aconteceu com base em pedidos que tinham sido feitos por parte das forças da autoridade.
Fica por aqui a Guerra Traduzida. Está de regresso amanhã.