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Estamos de volta à "Guerra Traduzida" com o jornalista Vasco Maldonado Correia, agora para olhar para a imprensa russa. Vasco, a imprensa russa está também atenta à mudança de protagonistas em Washington e também a possíveis consequências para o Kremlin.

"Trump muda abruptamente o plano de paz para a Ucrânia", é o que se pode ler na KP. Poucos dias da tomada de posse do presidente eleito dos Estados Unidos, este jornal russo revela que existem sinais crescentes de que Trump planeia levar a paz pela força à Ucrânia. Para isso, cita o candidato a secretário do Tesouro nomeado por Trump, Scott Bessent, que foi ontem ouvido pelo Senado, como é tradicional, para poder ser confirmado para o cargo a que é apontado, e revela que está disponível, caso Trump assim o queira, para apoiar sanções mais duras contra a indústria petrolífera russa, para acabar com o conflito na Ucrânia. Diz mesmo acreditar que até agora as sanções não têm sido suficientemente duras.

E para Bessent, esta seria uma maneira de obrigar a Rússia a sentar-se à mesa das negociações.

Escreve a KP, citando também a Bloomberg, que a nova administração está a preparar duas opções para pôr fim à guerra. Uma delas mais branda, o abrandamento das sanções contra o setor dos combustíveis, para mostrar assim a boa vontade da Casa Branca nas negociações. A outra seria mais dura, ou seja, o reforço das sanções, sendo que o caminho seguido por Trump mostrará também a atitude que a nova administração vai assumir em relação ao Kremlin, é o que escreve a KP. A imprensa russa, por isso, Luís, atenta aos próximos passos nos Estados Unidos.

E entretanto, o primeiro-ministro húngaro está confiante de que o fim das sanções à Rússia está para breve.

Citado aqui pela agência estatal russa, Viktor Orbán acredita que o fim do conflito na Ucrânia está a chegar, assim que se virar uma nova página já na próxima segunda-feira, com o regresso oficial de Trump à Casa Branca, e que isso vai significar também o fim das sanções. Orbán acredita que o Ocidente vai restabelecer as relações normais com Moscovo, sublinha, no entanto, que para isto acontecer vão ter que ser feitos esforços, já que nesta altura os líderes europeus da União Europeia ainda hesitam em mudar de posição e continuam a apoiar o conflito militar na Ucrânia. Mas, e estou a citar o chefe de governo húngaro, tudo isso vai passar. Orbán que espera ainda que a próxima semana seja também o início de uma nova era a nível mundial.

E Vasco, esta sexta-feira é assinado um novo tratado entre a Rússia e o Irão.

O objetivo é promover a cooperação entre os dois países em todas as esferas. Vladimir Putin garante que o Tratado de Parceria Estratégica Global, como é chamado, que é assinado hoje, vai dar um impulso à cooperação prática em todas as áreas. O presidente russo esteve já reunido com o homólogo iraniano Masoud Pezeshkian, em Moscovo. Putin recorda que tanto Moscovo como Teerão têm vindo a trabalhar no documento já há muito tempo e mostra-se satisfeito pela conclusão do acordo, que diz vai abrir uma oportunidade importante para o alinhamento estratégico entre os dois países. Ambos os lados negam que se trata de uma aliança militar e que o acordo seja dirigido contra países terceiros. Relembro que as relações entre a Rússia e o Irão fortaleceram-se nestes últimos anos, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia, onde Moscovo, claro, é apoiado por Teerão, que terá até fornecido drones e mísseis ao lado russo.

Notícia que marca o fim deste episódio da "Guerra Traduzida". Estamos de regresso na próxima semana.