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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o programa onde apresentamos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa em tempo de guerra. Hoje, com o jornalista Miguel Cordeiro. Olá, Miguel.

Olá.

Começamos com a imprensa da Rússia. Em destaque: a Rússia chamou o embaixador de Israel por causa de um ataque que atingiu jornalistas russos no Líbano.

Vai realizar-se em breve uma reunião com o embaixador israelita na Rússia, Oded Yossef. A reunião vai ser no Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. O Kremlin pretende discutir as ações das Forças Armadas israelitas que resultaram no ferimento de dois jornalistas russos. Quem diz isto é a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova. Ela confirma também que uma equipa do canal RT ficou ferida num ataque da Força Aérea israelita no sul do Líbano. Esse ataque aconteceu hoje. Zakharova explica que os jornalistas estavam no local a trabalhar, a realizar uma reportagem. Desejou uma rápida recuperação a estes jornalistas e informou que o estado de saúde está estável e os dois repórteres estão a ser acompanhados por médicos. Moscovo considera este incidente uma grave violação das normas aceites à luz do direito internacional.

E Peskov, o porta-voz do Kremlin, também falou sobre isto, Miguel. Diz que respeita muito os jornalistas de guerra.

E aqui está uma frase que não se ouve todos os dias vinda de Peskov. A frase é: "Muitos jornalistas tornam-se vítimas, Deus nos livre, são feridos no exercício da profissão. Isso é inaceitável". Foi isto que disse hoje Peskov. O Izvestia escreve a seguinte frase: "Peskov apontou também para outros casos a envolver jornalistas que cobriam os acontecimentos no Donbass e na Ucrânia". Aqui a palavra acontecimentos é sinónimo de guerra. Sobre os jornalistas da RT feridos no Líbano, Peskov garante que a Rússia vai investigar todas as circunstâncias. Agora vou tentar ajudar um pouco no enquadramento destas declarações de Peskov. Vamos a alguns números. O Ministério da Cultura da Ucrânia diz que desde que a Rússia iniciou uma invasão em larga escala, em fevereiro de 2022, mais de uma centena de jornalistas morreram, cerca de 25 estão em cativeiro. As forças russas têm matado e capturado jornalistas e têm violado o direito internacional humanitário e a Convenção de Genebra para a proteção de civis em tempo de guerra. Neste número de jornalistas vítimas do conflito da Ucrânia, mais de uma centena de jornalistas morreram. Estão também entre estes aqueles que se alistaram no exército depois do início da invasão, ou seja, jornalistas que estavam a trabalhar com o exército. Quanto aos que estavam a trabalhar apenas como jornalistas, são 18 os que morreram no exercício das funções profissionais. E olhando aqui só para o ano passado, 2025, pessoas que estavam em reportagem, estamos aqui a falar de diferentes funções, jornalistas, fotojornalistas, cameramen, condutores, tradutores, 11 pessoas morreram em trabalho, em reportagem em 2025, no âmbito do conflito entre Ucrânia e Rússia. Três ucranianos, sete russos, um francês. Portanto, Peskov nem sempre falou assim sobre jornalistas e sobre pessoas que estão em reportagem em zonas de conflito. Hoje, com dois repórteres russos feridos no Líbano, diz que é uma situação inaceitável.

No Moscow Times, também um título forte, Miguel: Rússia e Ucrânia trocam cerca de mil mortos em cada mês.

É um número apresentado pela Cruz Vermelha. Em média, são trocados mil corpos por mês entre a Rússia e a Ucrânia. Há também milhares e milhares de mortos que continuam por identificar. Esta expressão, milhares e milhares, é do diretor-geral do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que diz que está impressionado com a escala e o alcance das consequências deste conflito. Em declarações à imprensa em Genebra, diz este diretor-geral que todos os meses a Cruz Vermelha participa na repatriação de, em média, mil corpos entre o lado russo e o lado ucraniano. A troca de prisioneiros e de corpos é o único resultado concreto de várias rondas de negociações mediadas pelos Estados Unidos da América, negociações entre a Rússia e a Ucrânia. De qualquer forma, é preciso referir, as trocas de corpos já estavam a acontecer antes do início destas negociações de paz no ano passado, mas numa outra dimensão. O diretor-geral do Comitê Internacional da Cruz Vermelha diz também que há milhares e milhares de corpos que não estão identificados, estão armazenados em instituições forenses na Ucrânia, grande parte morgues, instituições onde são feitos esforços diários para identificar esses corpos, para dar resposta às famílias que estão profundamente angustiadas.

Para fechar, uma notícia mais leve: a Rússia quer regressar aos Jogos Olímpicos.

E voltamos a Peskov, o porta-voz do Kremlin. Ele anunciou hoje que a Rússia está a fazer esforços para que a bandeira russa regresse aos Jogos Olímpicos. Peskov diz que se está a basear na posição do Comitê Olímpico Internacional de que o desporto não deve dividir. A Agência TASS escreve que estão em andamento os trabalhos para que a Rússia retorne aos Jogos Olímpicos. Peskov diz que, com base nessa posição do Comitê Olímpico Internacional, de que o desporto não deve dividir, o regresso da Rússia vai acontecer certamente. Nos últimos Jogos Olímpicos, os atletas russos participaram na competição como neutros, ou seja, sem bandeira.

São os destaques da edição de hoje, 19 de março, da imprensa russa.