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"Guerra Traduzida", da Rádio Observador, trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana com a jornalista Diana Rosa. Diana, boa noite.
Boa noite, João Gama.
Vamos começar com a imprensa da Ucrânia e com a notícia que marcou esta tarde: o ataque da Rússia que atingiu um comboio de passageiros. Seguiam a bordo, Diana, quase 300 pessoas.
O comboio seguia na região de Kharkiv. Há pelo menos dois feridos. Um ataque foi feito com drones, é o que adianta o ministro do Desenvolvimento das Comunidades e Territórios da Ucrânia, citado pelo Kyiv Independent. De acordo com Oleksii Kuleba, a locomotiva e um dos vagões de passageiros foram o principal alvo dos três drones russos, sendo que o vagão acabou por pegar fogo. As autoridades ucranianas garantem que os passageiros foram retirados o mais rápido possível. Os feridos tiveram de ser hospitalizados. O governo da Ucrânia fala de um ato direto de terrorismo russo contra civis.
Falamos de outro ataque, Diana, desta vez em Odessa, que provocou a morte a pelo menos três pessoas, 35 ficaram feridos.
A imprensa ucraniana fala numa destruição colossal. Há pessoas que podem estar ainda sob os escombros. Um ataque maciço, também com drones, em Odessa, no sul da Ucrânia, atingiu vários edifícios residenciais e universitários. Foram mais de 50 os drones que a Rússia enviou para esta cidade. Começou a atacá-la durante a madrugada. O governador da região diz que os ataques danificaram dezenas de prédios, uma escola e uma igreja. Entre os feridos, está uma criança. Os trabalhos de reparação vão levar muito tempo para que as instalações atingidas voltem a funcionar, dizem as autoridades. Odessa foi a cidade ucraniana mais atingida durante esta noite. A Força Aérea relatou um total de 165 drones russos no espaço aéreo ucraniano.
Mudamos de tema. Volodymyr Zelensky acredita que a Ucrânia pode vir a aderir à União Europeia já em 2027.
O presidente ucraniano considera que essa adesão é uma das principais garantias de segurança tanto para a Ucrânia como para a Europa. Afinal, diz o presidente, a força coletiva europeia só é possível, em particular, graças às contribuições da Ucrânia nas áreas da segurança, da tecnologia e da economia. Acredita Zelensky que esse passo vai ser dado no próximo ano. É um artigo que faz manchete no Kyiv Post. A adesão da Ucrânia à União Europeia supostamente faz parte das negociações de paz lideradas pelos Estados Unidos. Moscou sempre rejeitou a entrada do país na NATO, mas o Kyiv Post diz que expressou a abertura para que Kiev entre no bloco europeu.
A Rússia quer expandir de forma drástica os poderes do FSB. O Serviço Federal de Segurança pode passar a bloquear todas as formas de comunicação e em todo o país.
As alterações ainda vão ser analisadas pelo Parlamento russo. Permitem ao FSB desligar temporariamente não apenas a internet móvel, mas também a fixa, assim como os serviços telefônicos e quaisquer outros meios de comunicação. A justificação apresentada é vaga: proteger os cidadãos e o Estado de ameaças à segurança. De acordo com a proposta, as situações específicas em que o FSB pode ordenar o encerramento das atividades seriam definidas posteriormente, por decreto da presidência ou por resolução do governo. As operadoras de telecomunicações seriam então obrigadas a cumprir as normas e ficariam isentas de responsabilidade financeira face aos clientes afetados pelas interrupções. Há especialistas jurídicos que alertam que o alcance das alterações é muito maior do que parece. As mudanças podem mesmo ser aplicadas aos serviços dos Correios, por exemplo. Também fica abrangida a transmissão de quaisquer mensagens em qualquer formato, via rádio, cabo, fibra óptica ou outros sistemas eletromagnéticos.
E é por aqui que fica a primeira parte da "Guerra Traduzida". Voltamos já a seguir para saber o que conta a imprensa russa.