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Seguimos com esta segunda parte da Guerra Traduzida na Rádio Observador. Falamos agora da imprensa ucraniana, nesta sexta-feira, 10 de janeiro. Estamos com o jornalista José Rafael Lopes. Zé, para começar, na imprensa ucraniana há também várias referências ao encontro que falávamos aqui entre Putin e Donald Trump.
É incontornável. É uma notícia que marca o dia e que pode ter muito impacto no esforço de guerra da Ucrânia. No Pravda Ucraniana está escrito que, apesar de o Kremlin ter confirmado que se está a preparar para ter essa reunião, ainda há poucos detalhes. O portal Glavred, por sua vez, entrevistou Oleg Shambhur, ele que foi embaixador da Ucrânia nos Estados Unidos da América entre 2006 e 2010. Oleg Shambhur diz nesta reunião, que aconteceu sem participação de grandes figuras ucranianas, pode ter consequências graves para Kiev. Os riscos são muito significativos. É o que diz o antigo embaixador. Oleg considera ainda que Donald Trump adere ao conceito de que os grandes têm mais permissão do que todos os outros. Por isso, explica que para esta posição, que Trump demonstrou tanto durante o primeiro mandato como durante agora a campanha eleitoral, pode criar uma ameaça de alcançar acordos à custa da Ucrânia. Entretanto, nos últimos minutos, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia comentou sobre este possível encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin. Diz, através de um comunicado, que a nossa posição é muito simples: todos nós na Ucrânia queremos acabar com a guerra de forma justa para a Ucrânia e vemos que o presidente Trump está também determinado a acabar com essa mesma guerra. Foi isto que disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo que anunciou também a preparação de um contacto entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky, o presidente da Ucrânia.
Que ainda não comentou esse possível encontro entre Trump e Putin. No entanto, o presidente ucraniano esteve hoje em Itália reunido com Giorgia Meloni.
Mais precisamente no palácio presidencial. Sérgio Mattarella recebeu Zelensky para reafirmar o apoio a Kiev na guerra contra a tentativa russa de impor vontade através das armas. É isto que se pode ler na imprensa ucraniana, que cita também vários jornais italianos. Sérgio Mattarella reafirmou a determinação da Itália em manter o apoio total, inalterado e constante à Ucrânia. O líder italiano disse também que faz isto pelo bem da amizade que une a Ucrânia e a Itália e que faz também pelo respeito das regras de coexistência internacional contra, diz Mattarella, a tentativa de impor a vontade de outro Estado com armas e também, obviamente, que faz isso pela segurança de toda a Europa. Os dois líderes reuniram, sendo que a Itália é um país que também acolheu vários refugiados ucranianos. Zelensky agradeceu todo o apoio.
Na imprensa ucraniana, Zé, a esta hora há também várias informações sobre um ataque a um armazém de drones russos, um ataque por parte de Kiev.
Um armazém que fica na região russa de Rostov, que terá ficado destruído. No Pravda Ucraniano podemos ler que é o resultado de uma operação conjunta do Serviço de Segurança da Ucrânia e também da Marinha Ucraniana. Terá acontecido de madrugada e foi uma ofensiva feita com recurso a drones do Serviço de Segurança da Ucrânia e também um míssil Neptune da Marinha, que terão atingido em conjunto esse depósito de munições e de drones de reconhecimento perto da vila de Chaltir, na região de Rostov. Testemunhas nas redes sociais russas relatam também múltiplas explosões.
Ainda a informação, Zé, de que a Alemanha bloqueou 3 mil milhões de euros destinados à Ucrânia.
O chanceler alemão Olaf Scholz bloqueou uma proposta para um pacote adicional de ajuda militar para a Ucrânia, isto no valor de 3 mil milhões de euros. Importa recordar, a Alemanha é o segundo maior doador militar da Ucrânia, depois dos Estados Unidos. No entanto, o chanceler alemão tem sido frequentemente criticado devido à abordagem cautelosa que tem tido em algumas questões, como, a título de exemplo, recusar fornecer mísseis de cruzeiro de longo alcance, os mísseis Tauros, para a Ucrânia. O novo plano de assistência proposto pela ministra das Relações Exteriores da Alemanha e também pelo ministro da Defesa da Alemanha era para armas adicionais. Mas Olaf Scholz afirma que o dinheiro disponibilizado para 2025, ou seja, 4 mil milhões de euros, e ainda os fundos do empréstimo de 50 mil milhões de euros disponibilizados pelo G7 estão congelados, mas devem ser suficientes para a Ucrânia.
E é assim que nos despedimos desta Guerra Traduzida. Estamos de regresso na próxima segunda-feira.