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Novo episódio de Guerra Traduzida. Olhamos agora para o outro lado do conflito e para os destaques da imprensa da Ucrânia, onde, João, o destaque é o ataque em larga escala desta madrugada. Kiev acusa Moscovo de realizar um ataque massivo.
Efeitas as contas, é o sexto ataque em larga escala da Rússia contra a Ucrânia desde o início do mês de outubro. Ataques que são principalmente direcionados contra as infraestruturas energéticas do país. Em comunicado, o diretor-executivo da empresa Naftogaz denuncia este ataque em larga escala. Nota que várias pessoas ficaram feridas. No total, são quatro profissionais desta mesma empresa que estão a receber assistência médica. O diretor-executivo adianta que estes ataques sucessivos afetam diretamente o volume da produção de gás na Ucrânia e pede, por isso, aos ucranianos que economizem o consumo sempre que possível, uma vez que temos o inverno quase à porta. É uma notícia que está em destaque, Miguel, no Ukrinform.
O ataque é também denunciado por Volodymyr Zelensky. O presidente ucraniano adianta que várias cidades foram atingidas às primeiras horas da manhã.
E dá números concretos. A Rússia lançou mais de 300 drones e 37 mísseis, incluindo um número significativo de mísseis balísticos contra a Ucrânia. Uma notícia das 05:00, o que dá a entender que o ataque foi realizado durante a madrugada. Durante este outono, Zelensky diz mesmo que o exército russo está a atacar todos os dias a infraestrutura energética da Ucrânia. Foram atingidas as regiões de Poltava, Kharkiv, Sumy, Vinnytsia e também Chernihiv. Os números de feridos são os mesmos, quatro, durante os ataques que atingiram precisamente a região de Kharkiv.
Os jornais ucranianos, como o Kyiv Independent, notam que este ataque aconteceu apenas algumas horas depois de um novo pedido de Donald Trump.
Um pedido dirigido a Vladimir Putin. O presidente dos Estados Unidos deu uma conferência de imprensa ontem à noite na Casa Branca, a pedir ao presidente russo que parasse de matar ucranianos. Está prevista, lembra aqui o Kyiv Independent, uma nova reunião na Casa Branca desta feita entre Zelensky e Donald Trump. Vai acontecer amanhã, dia 17 de outubro. Os dois líderes vão discutir as capacidades de longo alcance da Ucrânia, as necessidades de defesa aérea e também a possibilidade dos Estados Unidos fornecerem mísseis Tomahawk a Kiev.
Mísseis Tomahawk que estiveram também na ponta da língua de Sergey Lavrov. O ministro russo dos Negócios Estrangeiros avisa os Estados Unidos, diz que o envio deste tipo de armamento para a Ucrânia é perigoso.
E faz manchete no TSN, jornal ucraniano que cita esta entrevista de Sergey Lavrov, na qual o líder da diplomacia russa avisa que o fornecimento destes mísseis Tomahawk seria um passo extremamente perigoso nas relações entre Moscovo e Washington. Lavrov sugere mesmo que Washington percebe que este envio levará a situação da guerra na Ucrânia a um nível fundamentalmente novo. E por que esta preocupação com os mísseis Tomahawk? Os analistas do Instituto para o Estudo da Guerra explicam, dizem mesmo que estas armas são o novo medo de Vladimir Putin. Estamos a falar de mísseis de longo alcance que dariam a Kiev a capacidade de atingir em profundidade e com precisão alvos em território russo. Tem um alcance de até 2500 km. Em comparação, Miguel, o alcance dos mísseis que estão agora a ser utilizados pelas Forças Armadas da Ucrânia é apenas de 250.
Uma diferença substancial. Avançamos nesta revista de imprensa. Falamos do novo autarca da cidade Odessa. O antecessor perdeu a cidadania. É acusado de ter um passaporte russo.
É a vez de Ihor Koval assumir os futuros da cidade. É um aliado de Zelensky, que se nomeou autarca interino da cidade. Importa recordar que o presidente ucraniano já tinha nomeado uma nova líder da administração militar de Odessa, um esforço para substituir Hennadiy Trukhanov, que já era uma figura muito controversa na Ucrânia, acusado de ter ligações à Rússia e de ser alvo de acusações de corrupção, mas não é o único. Está a ser alvo nas críticas da opinião pública. Sobram também críticas para o presidente Volodymyr Zelensky. Os críticos acusam o presidente da Ucrânia de ignorar a cidadania russa do autarca e de remover Trukhanov do cargo para monopolizar o poder e eliminar a autonomia local. Aliás, o próprio procedimento de privar as pessoas de cidadania ucraniana tem sido criticado. É feito através de um decreto presidencial, sem direito a recurso judicial, o que está a levantar algumas dúvidas sobre a legalidade da decisão.
E João, apesar de não termos eleições no horizonte, a verdade é que a propaganda política está a aumentar gradualmente na Ucrânia.
É a propaganda política em tempo de guerra. É uma reportagem do Kyiv Independent que nota que quer nas ruas de Kiev, quer nas redes sociais, a propaganda não para de aumentar. Existem cada vez mais cartazes com responsáveis políticos, grandes nomes e slogans populistas. Nota o jornal que apesar da lei marcial que está em vigor na Ucrânia e que já levou, por exemplo, ao adiamento de um ato eleitoral, a propaganda política não está proibida no país, mas sem eleições marcadas, este aumento de propaganda não se resume a uma campanha eleitoral. Os especialistas que foram ouvidos pelo Kyiv Independent acreditam que quando os políticos procuram este tipo de visibilidade, militares e figuras públicas podem estar a preparar o terreno para campanhas eleitorais no pós-guerra.
Para já, ainda não está no horizonte essa possibilidade de atos eleitorais, tendo em conta que também não se perspectiva que Rússia e Ucrânia possam enterrar o machado de paz. João Gama, jornalista do Observador, que hoje nos trouxe os destaques da imprensa ucraniana. Guerra Traduzida, de regresso amanhã.