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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar a imprensa da Rússia e da Ucrânia deste dia 26 de dezembro, dia 671 da invasão. E hoje começamos com os jornais da Ucrânia, um trabalho do jornalista Rui Casa Nova, com colaboração da Tânia Olenik. Rui, a imprensa ucraniana fala de ataques no dia de Natal.
Sim, e importa aqui explicar o contexto. Até agora a Ucrânia festejava o Natal no dia 7 de janeiro, como é habitual entre os cristãos ortodoxos, mas o país quis separar-se das tradições partilhadas com a Rússia por causa da guerra e por isso, no verão, em julho, Volodymyr Zelensky, o presidente ucraniano, assinou a lei que torna o dia 25 de dezembro, ou seja, ontem, o feriado oficial para os ucranianos celebrarem o Natal. Foi o que aconteceu. Apesar disso, certo é que a guerra continua. Ontem não foi exceção, houve ataques. Passo aqui a citar o título de um artigo do canal TCN: "Natal na Linha da Frente: Como se Comemora o Natal em Zaporizhzhia, que está a ser destruída pelo exército de Putin". É um título bastante ilustrativo sobre o que se passou em Zaporizhzhia. Foi uma das várias regiões atacadas pelas tropas russas ontem, no dia de Natal. Não há, no entanto, ainda informações concretas, detalhes sobre possíveis vítimas ou danos, mas a imprensa ucraniana hoje, de forma geral, fala em muitos ataques ontem no dia de Natal.
E é um título muito forte esse do canal TCN. Na Crimeia, a Ucrânia destruiu um navio russo.
Exatamente, é também um tema muito em destaque hoje na imprensa ucraniana, também na russa, mas já lá vamos no próximo episódio. A informação surgiu logo de manhã. Esta manhã, o exército da Ucrânia anunciou que destruiu um navio russo na Crimeia, região anexada pela Rússia em 2014. O navio em questão chama-se Novocherkassk, tem capacidade para transportar tanques e outros veículos de combate. É um grande navio russo. O Kremlin confirma que o navio sofreu danos depois de ser atingido por mísseis ucranianos, ou seja, aqui há algumas informações contraditórias. A Ucrânia diz que destruiu completamente o navio. A Rússia diz apenas que esta embarcação sofreu apenas danos. Certo é que o jornal "Pravda" divulga fotografias da embarcação a arder neste porto na Crimeia. Os ataques aconteceram pelas 3 h da madrugada. O jornal "Pravda" adianta também que o navio transportava munições do Irão. É um assunto muito em destaque na imprensa ucraniana de hoje. Falta ainda aqui apurar certos detalhes, porque, como disse, as informações são contraditórias. A imprensa russa tem mais detalhes. Já lá vamos no próximo episódio.
E Rui, seis pilotos ucranianos completaram o treino no Reino Unido para poderem utilizar caças F-16.
Exatamente, os primeiros seis pilotos ucranianos já passaram pelo treino básico da Força Aérea Real do Reino Unido. Estão atualmente já a aprender a pilotar caças F-16, desta feita na Dinamarca. É uma informação em destaque no canal ucraniano European Truth, aqui com referência a um comunicado do governo britânico. Este treino de pilotos ucranianos no Reino Unido começou em agosto. Os primeiros seis pilotos já se formaram, outros 10 estão ainda a concluir este treino. Entretanto, o ministro da Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, recorreu às redes sociais para agradecer e expressar profunda gratidão ao governo britânico por fornecer este treino aos pilotos ucranianos de Kiev, que vão assim poder utilizar estes caças F-16 fornecidos pelo Ocidente no campo de batalha contra a Rússia.
E Rui, fechamos aqui o lado da imprensa da Ucrânia com novidades no processo de mobilização de soldados na Ucrânia.
Exatamente, um projeto de lei ucraniano prevê a descida de dois anos para a idade de mobilização. Passa assim dos atuais 27 para os 25 anos. É o que se pode ler neste texto publicado no site do Parlamento da Ucrânia. Há mais novidades, mais mudanças. Por exemplo, a nova lei prevê o aumento das multas pela violação das regras de registo militar e também a detenção dos infratores, ou seja, quem violar essas regras. De acordo com o canal TCN, estas alterações estão a provocar aqui uma onda de indignações. Há muitos ucranianos a criticarem esta lei na internet. Dizem que o governo ucraniano está a tirar todos os direitos aos cidadãos. É também um assunto muito em destaque hoje na imprensa ucraniana. De recordar que há cerca de uma semana o presidente Volodymyr Zelensky anunciou que tem a intenção, neste próximo ano de 2024, de recrutar mais 450 a 500 mil soldados para o exército. Diz que este é um tema altamente sensível, que precisa de ser bem ponderado antes de tomar medidas concretas. Certo é que há estas novidades no processo de mobilização de soldados na Ucrânia, que, como vimos, não está a agradar à maioria dos cidadãos.
É o fecho deste episódio da Guerra Traduzida. Já a seguir, com Rui Casa Nova, olhamos pra imprensa da Rússia.