O Departamento de Justiça norte-americano está a intensificar uma investigação criminal a uma alegada fraude para prejudicar o recandidato republicano a senador pelo Alasca nas eleições intercalares através da colocação de um homónimo no boletim de voto.
Segundo a agência AP, que cita fonte próxima do processo, no âmbito da investigação foram emitidas esta sexta-feira várias novas intimações a envolvidos para depoimentos ou apresentação de documentos perante um grande júri, além de exigência de preservação de registos.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu na quarta-feira a desqualificação da candidata democrata ao Senado no Alasca, que segundo a imprensa incentivou a candidatura de um homónimo do seu concorrente republicano para dividir os votos deste partido.
A poucos dias das eleições intercalares de 3 de novembro, as sondagens dão uma ligeira vantagem à candidata democrata, Mary Peltola, neste estado tradicionalmente conservador, numa corrida que será decisiva para o controlo da câmara alta do Congresso, atualmente de maioria republicana.
Segundo o New York Times, a campanha de Peltola realizou pesquisas nos registos eleitorais para encontrar um homónimo do senador republicano em exercício, Dan Sullivan. A candidatura do homónimo, um professor reformado que vive numa vila piscatória, terá sido lançada após uma conversa com um consultor democrata.
O DSCC, órgão da campanha democrata para candidatos ao Senado, também terá participado nestes esforços para dividir o apoio ao senador republicano. A campanha de Mary Peltola e o DSCC negaram ao New York Times qualquer envolvimento no caso.
A agência AP avança esta sexta-feira que durante o dia serão enviadas mais intimações, mas a fonte citada não adiantou quem são os destinatários das intimações nem o número total das mesmas.
O governador republicano do Alasca, Mike Dunleavy, já ordenou uma investigação ao caso.
A investigação preliminar pretende determinar se foram violadas as leis eleitorais do estado e se existem fundamentos para avançar com processos judiciais, de natureza criminal ou civil, anunciou Dunleavy na rede social X.
Today’s New York Times reporting reveals disturbing new evidence of an organized effort to manipulate Alaska’s elections by recruiting candidates—including one with the same name as an incumbent U.S. Senator—to deliberately confuse voters and misdirect their votes. The Alaska…
— Governor Mike Dunleavy (@GovDunleavy) October 29, 2026
O governador considerou que as revelações do Times constituem “novas provas perturbadoras de um esforço organizado para manipular as eleições no Alasca”, através do recrutamento de candidatos destinados a confundir os eleitores.
“Enganar deliberadamente os eleitores para que votem noutra pessoa que não o candidato que pretendem apoiar atinge a integridade das nossas eleições”, afirmou Dunleavy.
Devido ao caso do homónimo, o Departamento de Justiça apresentou na semana passada uma queixa para impedir a certificação da corrida ao Senado no Alasca, caso o Dan Sullivan republicano perca as eleições.
Os republicanos sustentam que o independente Daniel J. Sullivan é um candidato “plantado” pelos democratas para desviar votos do seu candidato, o que aquele nega.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
O Supremo Tribunal do Alasca rejeitou uma tentativa anterior dos republicanos de retirar Daniel J. Sullivan do boletim de voto; coube às autoridades republicanas do estado decidir como seria listado no documento.
Aparecerá sem nomeação partidária ao lado do seu nome, enquanto o senador será identificado como o incumbente republicano.
O sistema de votação por ordem de preferência do Alasca também permitirá aos eleitores selecionar ambos os candidatos, caso fiquem confusos.
Peltola, que já tinha cumprido um mandato na Câmara dos Representantes, foi a candidata mais votada nas primárias apartidárias, à frente do senador Sullivan. Ambos os partidos preveem que a vitória em novembro seja por uma margem estreita, num estado com 738 mil habitantes.
O senador obteve mais de 68 mil votos nas primárias de agosto, enquanto o seu homónimo conquistou 4.107 votos, cerca de 2% do total.
O Departamento de Justiça tem sido utilizado, cada vez mais, para fortalecer a operação política do Presidente, visando os seus adversários e movendo ações judiciais contra estados controlados pelos democratas antes das intercalares.
Os democratas e muitos defensores do direito de voto temem, há algum tempo, que o governo tente impedir a certificação de eleições em que o partido de Trump seja derrotado — tal como ele tentou, sem sucesso, fazer quando perdeu a corrida à Casa Branca para o democrata Joe Biden.
A Constituição norte-americana confere aos estados o poder de conduzir as eleições.
A etapa final de uma eleição estadual é a certificação formal do vencedor — ato que a ação judicial do governo procura impedir.